" NÃO SE DEIXEM LEVAR POR DOUTRINAS DAQUELES QUE POR NÃO COMPREENDEREM AS ESCRITURAS DISTORCEM SUAS INTERPRETAÇÕES PARA SUA PRÓPRIA CONDENAÇÃO "

26/12/2011 12:13

 

DEUS EM TRÊS  -   ( 1 jOÃO  5:7 ) - JFA REVISTA E CORRIGIDA
 
Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a palavra, e o Espírito Santo e estetrês são um".                                                                                                                                             
 
 
Entre os atributos de Deus que parcialmente compartilhamos — amor, sabedoria, poder, entre outros — e os que não compartilhamos. Aqueles conseguimos entender, porém estes não. Podemos compreender o que significa a autoexistência de Deus, Sua autossuficiência e Sua eternidade, mas até certo ponto.
É possível expressá-los de forma negativa, mostrando que Deus não tem origem, não precisa de nada, nunca deixará de existir e não muda. Todavia, é difícil entender o que essas características significam por si mesmas. Lo­go, as primeiras respostas para quem é Deus e como Ele é são modestas.
 
Há atributos di­vinos que conseguimos depreender melhor. Contudo, primeiro, vamos analisar mais uma questão problemática: a Trindade.
Deus, em­bora seja único, subsiste em três pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
 
A Palavra Trindade não está na Bíblia. Ela deriva do vocábulo latino trinitas, que significa estar em três. Embora o termo não conste nas Escrituras, a ideia trinitária está presente nelas e é de grande importância. Tal relevância se deve ao fato de que não poderá haver uma bênção re­al sobre nós ou sobre nosso trabalho se negligen­ciarmos qualquer uma das pessoas da Trindade e também se sermos coniventes ( prevaricadores ) com quem professa tais doutrinas ( 2 João 8,9,10,e 11 ).
 
Para alguns, a dificuldade de compreender como Deus pode ser um e três ao mesmo tempo é razão suficiente para rejeitarem a doutrina. ( Romanos 11 : 33 a 36 ).
 
Tais pessoas com frequência reclamam que a teologia deveria ser simples, porque a simplici­dade é bonita, Deus é belo etc.
 
No entanto, esse é um entendimento errado da realidade e da natureza de Deus reveladas a nós na Bíblia.
 
Por que a realidade deve ser simples? Na verdade, como C. S. Lewis ressaltou em Cris­tianismo puro e simples, o que acontece em geral é que "a realidade, além de complicada, é quase sempre estranha. Não é precisa, nem óbvia, nem previsível. [ ... ] A realidade, com efeito, é algo que ninguém poderia adivinhar" (LEwis, 2008, p. 55).
Isso é verdadeiro em relação a coisas triviais — uma mesa e uma cadeira, por exemplo. Elas parecem elementares; contudo, se tivermos de falar sobre sua constituição de átomos e as forças que mantêm esses átomos unidos, per­cebemos que mesmo essas coisas supostamen­te simples vão além da nossa compreensão.
Coisas mais complexas transcendem ainda mais nossa percepção. Assim sendo, o fabri­cante da mesa e da cadeira é mais complicado do que os objetos que ele produziu, e Deus, que criou o fabricante, deve ser o mais com­plicado e incompreensível de todos.
TRÊS PESSOAS
Deus nos revelou um pouco de Sua com­plexidade na doutrina da Trindade. O que sabemos sobre ela só sabemos por causa da revelação de Deus na Bíblia, e mesmo assim não o canhecemos muito bem. Na verdade tendemos tanto a cometer erros quando lidamos com esse assunto que precisamos ser extremamente cuidadosos, para não irmos além ou interpretarmos de forma errada  o que encontramos nas Escrituras.
 
O primeiro ponto a ser destacado é que os cristãos creem, tanto quanto os judeus , que só há um Deus. Os cristãos também creem na Trindade e foram de modo errôneo; acusados de crer em três deuses, o que seria uma forma de politeísmo.
É verdade que os cristãos veem uma pluralidade na manifestação de Deus. No entanto, isso não é politeísmo. Cristãos assim como Judeus são monoteístas, isto é, creem em um só Deus 
Sendo assim, recitamos, como o judeu:
     "Ouça, ó Israel: O Senhor é nosso Deus - o SENHOR SOMENTE!  Você deve amar o Senhor nosso Deus de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças.  E você deve meditar sempre nestes mandamentos que hoje estou ordenando -os quais você deve ensinar aos seus filhos. É preciso que você converse sobre estas leis quando estiver em casa, quando estiver andando por algum caminho, na hora de dormir e logo ao despertar! Amarre estes mandamentos nos dedos, como constante lembrete, fixe todos eles na sua testa, bem como nos batentes das portas da sua casa! ( Deuteronômio - 6 : 4 - 9 )
 
Nessa passagem, em linguagem mais clara está o ensinamento de que Deus é um,e isso deve ser conhecido por seu povo, falado por ele e ensinado a seus filhos. A mesma verdade consta no Novo testamento, que é unicamente cristão, Lemos que: "O idolo nada é no mundo e e que não há outro Deus, senão um só "(1 Co 8 : 4 ) Somos lembrados do fato de que " há um só Deus e Pai de todos , o qual é sobre todos, e por todos e em todos " ( Ef. 4 : 6 ).  Tiago declarou: Tú crês que há um só Deus?  Fazes bem ( Tg 2 : 19 ).
 
Tem se argumentado que, já que os versí­culos 4 a 9 de Deuteronômio 6 começam com Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR, a Trindade estaria excluída. Contudo, nesse texto, a palavra para único é echad, que significa não um em isolamento, porém um em unidade.
 
De fato, esse termo nunca é usado na Bí­blia hebraica referindo-se a uma entidade sin­gular. Ele é empregado para aludir a um cacho de uvas, por exemplo, ou para mostrar que o povo de Israel respondeu como um só povo.
 
Após Deus ter criado uma esposa para Adão, este disse:
 
" Esta é agora osso dos meus ossos e carne da minha carne, esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne ".
Gênesis 2.23,24
 
De novo, a palavra traduzida como uma é echad. Não se sugere que o homem e a mu­lher se transformariam em uma única pessoa, mas uma só carne; estariam unidos como um só. De modo semelhante, Deus é um Deus, entretanto se manifesta em três pessoas.
Uma de nossas dificuldades é que não te­mos uma palavra adequada em nossa língua para expressar a natureza das diferentes exis­tências dentro da Trindade. O melhor termo de que dispomos é pessoa, derivado da pala­vra latina persona, que significa a máscara que um ator usava quando representava um per­sonagem num drama grego.
 
Todavia, quando falamos em máscara, já nos desviamos do sentido que pretendemos, pois não devemos pensar nas três pessoas concernentes a Deus como uma forma pela qual Ele de vez em quando representa a si mesmo para os seres humanos. Esse erro em particular é conhecido como modalismo ou sabelianismo, originário do nome do homem  ( Sabélio ) que popularizou a ideia na história da Igreja em meados do terceiro século. 
A palavra mais usada na língua grega era  homoousios, que literalmente significa um ser.
 
No entanto, de novo, isso induz ao erro se começamos a pensar que há três seres distintos com naturezas diferentes dentro da Trindade. 
 
Calvino não gostava de nenhuma dessas palavras. Ele preferia o vocábulo subsistência.
 
Contudo, mesmo sendo provavelmente bem escolhido, o termo não transmite muito signi­ficado à maioria dos leitores do nosso século.
 
Na verdade, a palavra pessoa está adequada, enquanto entendemos o que queremos mostrar com ela. No discurso coloquial, a palavra deno­ta um ser humano, portanto alguém que é um indivíduo único. Temos esse conceito em mente quando falamos de despersonalizar alguém.
Todavia, esse não é o significado da pala­vra como é usada em teologia. O ser existe independente do corpo carnal. Podemos, por exemplo, perder um braço ou uma perna em um acidente, contudo ainda seremos a mesma pessoa com todas as marcas da personalidade.
 
Além disso, pelo menos de acordo com o ensinamento cristão, mesmo quando morre­mos e nosso corpo entra em decomposição ainda somos pessoas, pois o espírito, no qual está a vida, é eterno. Então, estamos falando de um senso de existência que se expressa em conhecimento, sentimento e vontade.
 
Assim, há três pessoas ou subsistências em Deus, cada uma com conhecimento, senti­mento e vontade. Entretanto, mesmo consi­derando esse entendimento, saímos da per­cepção adequada, pois, no caso de Deus, conhecimento, sentimento e vontade de cada pessoa que compõe a Trindade — Pai, Filho e Espírito Santo — são idênticos.