OS DOZE PASSOS

1º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)

O Primeiro Passo diz: “Admitimos que éramos impotentes perante o álcool – que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas”.

 
 Sem dúvida, é esse o mais importante dos Doze Passos, o inicial para qualquer tentativa de progressão aos subsequentes, e, evidentemente, o mais complexo e difícil de todos.
 
Pode ser até que seja simples a um alcoólatra, diante de tantos e inegáveis fatos que evidenciem e comprovem sua ingestão descontrolada de bebida alcoólica, vivenciar um processo de exaustão e mesmo de admissão momentânea de que deve parar e reavaliar seu padrão de consumo em relação ao alcool. Mas é claro, também, que isso não é nem nunca será suficiente para alguém se dispor a reavaliar todo um padrão de vida, de comportamento, toda uma escala de valores e conceitos. É preciso uma admissão muito mais ampla que envolva não somente o uso do álcool, mas que abranja todos os aspectos de sua vida, uma verdadeira e plena aceitação de fracasso. Humilhação? Talvez.
 
Esta torna-se ainda mais complexa quando verificamos que a motivação para os passos subsequentes originar-se-á apenas dessa consciência e que, portanto, dependerá da consistência e durabilidade de tal aceitação. Vivenciar um mero esgotamento passageiro de recursos é muito diferente de assumir a condição de impotência e real desistência – rendição.
Beber pode não ser mais o objetivo imediato de um alcoolista em processo de dor aguda, mas abrir mão de elementos arraigados por anos e anos de comportamento patológico e elaboração distorcida da realidade significa, sempre, dor maior e mais profunda.
 
Para o profissional que se disponha a ajudar o alcoolista neste momento, deve ficar claro que este poderá e deverá utilizar mecanismos fortíssimos de defesa para proteger-se dessa perda iminente, ou seja, da perda de um paliativo que foi, se não atualmente, bastante eficaz para alívio de sentimentos desconfortáveis. É constante, portanto, o risco de sabotagem ao tratamento ou a qualquer forma de ajuda, desde que representem ameaça ao sistema estabelecido de imediatismo sintomático.
 
Portanto, o único auxílio realmente efetivo nessa etapa é proporcionar uma real, objetiva e concreta visão de mundo ao alcoolista, para que este possa elaborar, solidamente, uma consciência estritamente individual da necessidade em progredir no processo de tratamento. Ajudá-lo a enxergar perdas, danos e conseqüências do uso descontrolado do álcool, tentando sempre ampliar o ângulo de visão dessa realidade aos diferentes aspectos de sua vida, é a melhor maneira de fortalecer sua vontade e desenvolver elementos intrínsecos de mobilização para um trabalho a longo prazo.
Alcoólicos Anônimos o faz através das experiências pessoais e é inegável que o exemplo é o melhor conselho e a forma mais objetiva de confrontar. Mas é também inegável que a teoria e a realidade científicas auxiliam bastante nesse trabalho de conscientização.
Pode ser necessário, para isso, o auxílio de outras pessoas que hajam participado diretamente do processo progressivo do alcoolismo e é muito útil a inclusão de familiares, amigos, colegas de trabalho e/ou outros significantes em atividades confrontativas e intervencionistas.
Evidentemente, o fundamento básico do Primeiro Passo é a consciência plena da necessidade de mudar e é muito importante que fique claro que essa mudança não consiste, apenas, em interromper o uso do álcool. É dever do profissional evidenciar, na vida do alcoolista, seqüelas multiespectrais da doença em todos os seus aspectos, sejam eles físicos, psíquicos, sociais, emocionais, comportamentais ou morais. Uma profunda reavaliação do ser humano é a única forma eficaz conhecida para reverter uma relação tão íntima quanto a relação de dependência. É por esse motivo que o processo de conscientização deve ser ininterrupto, renovado a cada momento do tratamento, pois dele depende a mobilização do paciente para este.
1º Passo: 
 
À Luz da Palavra de Deus - Com leitura bíblica - ( Visão Cristã )
 
- Admitimos que éramos impotentes perante nossos hábitos, vícios e emoções, que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas.
 
ROMANOS 7, 15/25 – GÁLATAS 5,17 – ISAÍAS 64, 4.
 
 
2º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Segundo Passo diz: “Viemos a acreditar que um poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade”.
 
A chave para o Segundo Passo está na consistência com que é sentida a oração “Viemos a acreditar”. Essas palavras significam, antes de qualquer relação mística ou religiosa, a descoberta da humildade. E ser humilde, nesse caso quer dizer ter consciência de suas limitações, consciência de sua doença e, em função disso, admitir o fundamento essencial da necessidade de ser ajudado para vencer.
Em Alcoólicos Anônimos costuma-se dizer, em relação à recuperação, que só o alcoolista pode, mas jamais o poderá sozinho. Essa é a essência do 
 
Segundo Passo, a consciência plena da necessidade de ajuda para superar resistências endógenas e exógenas.
A dificuldade em vivenciar um Segundo Passo pleno varia na medida exata da plenitude em que foi vivenciado o Primeiro Passo. É lógico que quão maior for a consciência da impotência e mais profundo o contato com seu próprio descontrole, mais evidente a necessidade de ajuda para superá-los. 
 
Saber-se e admitir-se derrotado significa assumir suas deficiências e pode representar o início de um processo de busca. Nesse processo de maior contato com valores e conceitos; nessa avaliação global da realidade individual, estão embutidas as perspectivas de auxílio objetivo. Apresentá-las de forma concreta e organizada representa uma medida extremamente útil. Que recursos estão disponíveis, no momento, para ajudar essa pessoa? De que forma concretizar-se-á essa ajuda? O profissional deverá neste momento ter a medida exata de oportunismo e envolvimento necessários a um aconselhamento objetivo e prático.
 
É claro que essa ajuda deverá sempre adaptar-se ao tipo de alcoolista, ou melhor, às características do indivíduo em questão. Encaminhar um materialista a grupos místicos é desperdiçar oportunidades, talvez irresgatáveis. Ao profissional interessa estar a par de todos os recursos disponíveis de tratamento, além de que tipo de tratamento indicar-se-á para cada caso.
 
O tratamento do alcoolista consiste, em termos genéricos, em fornecer suporte psicossocial á abstinência, ou seja, oferecer a essa pessoa, além de tratamento médico, espaço para sentir, sofrer e crescer sem que para isso seja necessário beber. Compreensão e identidade são fundamentais, objetividade e envolvimento são importantes. Qualquer ação terapêutica que ofereça esses elementos pode ser utilizada paralelamente ao programa dos doze passos. 
 
Grupos religiosos, grupos sociais, grupos psicoterapêuticos ou grupos de ajuda mútua incluem-se como recursos cabíveis e úteis.
Conhecer a realidade do paciente: seus medos; suas angústias; suas dúvidas; seus anseios e suas crenças é uma maneira segura de evidenciar características do caso para um encaminhamento objetivo do tratamento.
 
Para que tudo isso tenha um mínimo de efetividade, uma coisa deve estar totalmente clara para o alcoolista: a impossibilidade absoluta de progresso sem que alguma forma de auxílio lhe seja prestada. Portanto, em qualquer ação profissional relacionada ao Segundo Passo de Alcoólicos Anônimos devem estar sempre evidentes os motivos de tal afirmativa, ou seja, é impossível ajudá-lo no Segundo Passo sem que o primeiro tenha sido vivenciado de forma satisfatória.
2º Passo 
 
À Luz da Palavra de Deus - Com Leitura Bíblica.
 
-  Viemos acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos a sanidade e a vida abundante.
 
FELIPENSES 4,19 – ISAÍAS 41, 13 – SALMO 56, 2 – ISAÍAS 53, 4 e 5.
 
3º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Terceiro Passo diz: “Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos”.
 
Agir. Estamos diante de uma dificuldade concreta no processo de tratamento. Até agora, o alcoolista conseguiu vivenciar um sentimento de derrota, um aliviante sentimento de leveza e liberdade, antes que tardia e ainda que fugaz, mas que serviu para apresentá-lo humilde, disposto a ser ajudado. O Terceiro Passo trata de como fazê-lo.
 
É necessário confiar, acreditar que a ajuda oferecida é suficiente e capaz de reverter o mecanismo de destruição. Medo, dúvidas e ceticismo são naturais e deverão ser enfrentados com paciência e compreensão. A confiança é a mola-mestra para um Terceiro Passo eficaz, é o combustível que moverá o mecanismo terapêutico – apesar do risco constante de retrocessos a cada dificuldade, diante dos quais deve-se, sempre, retornar aos passos anteriores e reforçar a consciência da necessidade do tratamento e da possibilidade de sucesso.
 
O alcoolista estará, neste momento, diante de características importantes de sua doença: o imediatismo; a compulsividade; a imaturidade; a insegurança e o ceticismo. O álcool trouxe alívio sintomático para seus conflitos mas trouxe-lhe, também, a incapacidade de encará-los sem beber, tolhendo-lhe, cronicamente, as possibilidades de crescimento. Abstêmio, ele estará novamente diante de tais conflitos, desconfortável e sem opções imediatas de alívio. A tendência natural será sempre, até que todo esse processo seja revertido, a recidiva. Sua (de todos) única segurança é a certeza (consciência) de que não há mais alívio, e sim dor cada vez mais intensa, contido no hábito de beber.
 
O Terceiro Passo é um passo de ação – costuma-se ouvir em grupos de Alcoólicos Anônimos. Chegou o momento, é preciso começar e a única forma para começar a reverter a dependência alcoólica é acreditando que alguma outra forma de ajuda será suficiente para fornecer alívio e conforto. Pessoas, grupos, planos de vida, Deus, algo há de funcionar, o importante é confiar, dar-se a chance de experimentar.
 
A atitude do profissional, neste momento, é muito importante. Para o alcoólico, submeter-se a um processo de tratamento, onde conceitos e valores definidos e concretizados patologicamente durante tanto tempo devem ser renunciados e reavaliados é, antes de tudo, doloroso. Dor, medo, angústias e pavor são imobilizantes. É diferente saber-se doente e admitir a possibilidade de tratamento, de integrar-se e fazer parte, efetivamente, de um grupo terapêutico. A mobilização do paciente, neste momento, depende, fundamentalmente, de confiança e respeito mútuos. A identificação recíproca como fonte de conforto e alívio da solidão e insegurança tem sido largamente utilizada por Alcoólicos Anônimos.
 
Visivelmente, a consciência do passado é a mola propulsora desse processo e a entrega, nome dado à verdadeira participação no tratamento, depende, basicamente, de quão necessário esse processo é percebido pelo paciente. Confiar, de uma hora para outra, em pessoas que lhe propõem abstinência do único recurso paliativo a seus conflitos depende de muita resignação e humildade.
 
A tarefa do profissional consiste, em primeiro lugar, em reforçar sempre a certeza de que o tratamento indicado é extremamente necessário e tão eficaz quanto mais ampla for a participação do paciente. A partir de então, esse profissional poderá ajudá-lo a adquirir confiança no grupo terapêutico, em função da confiança adquirida em si próprio. É comumente notado que o alcoolista passa a acreditar no tratamento a partir do momento em que toma contato com os benefícios que o mesmo vem-lhe trazendo. Incentivo, apoio e envolvimento são, aí, fundamentais.
 
É importante esclarecer que para um programa propulsionado por motivação intrínseca para mudanças concretas de comportamento e valores, é fundamental que o ciclo de retroalimentação dessa motivação esteja fluindo naturalmente. Disso dependem todos os outros passos e de tais passos depende a segurança e a efetividade do tratamento. Cada progresso é um vínculo a mais com o próprio processo e cada vínculo adquirido é a própria motivação para novos progressos.
 
Confiança se transmite confiando, fé só se transmite acreditando.
3º Passo à luz da Palavra de Deus - com leitura da Bíblia - ( Visão Cristã )
 
" Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus. "
 
SALMO 30, 5 e 6 – SALMO 30, 5 e 6 – SALMO 36, 4 e 5 – SALMO – 144, 18 e 19.
 
 
4º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Quarto Passo diz: “Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos”.
 
 
A satisfação dos instintos naturais é fonte, também natural, de prazer. O alcoolista é aquele indivíduo que não consegue obter naturalmente prazer através da satisfação de seus instintos e segue, portanto, dois caminhos diferentes: um que leva à exacerbação de seus instintos ou a uma necessidade vital de permanente satisfação destes para obtenção de um prazer básico; e outro que leva ao uso do álcool para a obtenção do mesmo prazer básico a partir da satisfação natural de seus instintos. Enfim, ou o alcoolista exagera na satisfação de seus próprios instintos ou inclui o álcool em seu ritual de prazer, ou mesmo, ao final do processo, ambas as coisas, quando nem uma nem outra forma são suficientes para gerar aquele prazer básico.
 
A tendência é sempre esse indivíduo optar, de acordo com a sua personalidade, por um, ou pouco mais de um, instinto natural a ser satisfeito, geralmente aquele que mais se relaciona com sua formação, moral e cultural, e estilo de vida.
Assim, com ou sem álcool, inicia-se o processo psicopatológico do alcoolismo. Valores, conceitos e, por conseguinte, comportamento e relações sociais destinam-se exclusivamente à obtenção de prazer (por que não dizer alívio?) e sofrem, progressivamente, graves deturpações. Com a inclusão do álcool (utilizado, aí, com finalidade patológica) e de todas as contingências físicas, psíquicas, sociais e morais de seu abuso, é perfeitamente previsível a deterioração global dos elementos pessoais e interpessoais do indivíduo.
 
A partir da abstinência, é comum que o processo se reinstale ou se perpetue já que a fonte suplementar de prazer, o álcool, não mais está presente. Alcoolistas em recuperação são geralmente compulsivos por algo como trabalho, sexo, religião, dinheiro, comida, relacionamentos ou outras fontes de prazer. E é evidente que todos esses exageros levam sempre a relações distorcidas com o objetivo de prazer. Caráter e comportamentos patologicamente construídos sob o estigma da necessidade compulsiva de satisfação pessoal (ou alívio), são características do alcoolista.
 
A única maneira de reverter esse quadro, após a interrupção do uso do álcool, é através de profunda reformulação. Parar de beber significa, apenas, remover da cena principal um objeto importante na caracterização do quadro mas, para modificar-se o enredo, deve-se reavaliar todos os papéis e cenários.
 
É muito comum que, em função daquela necessidade básica de prazer, o alcoolista tenha desenvolvido artifícios psicopatológicos como desonestidade, egocentrismo, megalomania e outros, assim como protegido sua própria fragilidade atrás de mecanismos racionais ou inconscientes de defesa. É muito mais comum ainda que, retirado o álcool, permaneçam todas essas características, até que algo seja feito para modificá-las. 
 
Travar contato com todas elas é, pois, fundamental para a concretização de uma proposta efetiva de abstinência alcoólica.
Deve-se ter em mente também que é imperiosa a necessidade de uma nova fonte de prazer, sem a qual o desconforto, ocasionado pela abstinência alcoólica, pela perda do recurso mágico de alívio e pelos conflitos pessoais e sociais, tornar-se-á insuportável e a recidiva inevitável.
 
A proposta do Quarto Passo é, justamente, além de iniciar efetivamente a reformulação através da auto-avaliação, fornecer, por meio do movimento psíquico (mobilização), uma fonte alternativa de prazer (pelo simples fato de estar tentando iniciar um processo de mudança e busca de melhor qualidade de vida). A fonte espiritual ou psicossocial de prazer inicia seu fornecimento a partir da eclosão desse ciclo: tentar mudar para poder crescer, assim como crescer para continuar tentando. O prazer, aí, é endógeno e retroinjetável.
 
O Quarto Passo é, portanto, uma proposta prática de ação. Após adquirida, consistentemente, uma consciência da necessidade de mudar; após ter vislumbrado perspectivas objetivas de ajuda nesse sentido; após ter arriscado acreditar na eficácia dessa ajuda, eis que é apresentada, ao alcoolista, uma maneira concreta e prática de iniciar o processo de mudança.
 
Como já foi dito, um programa de teor comportamentalista depende muito de motivação (submissão e aceitação, derrota e humildade) e a cada passo que se avança, aumenta a necessidade de aprofundamento nos anteriores. Isso torna-se óbvio pelo conseqüente e inevitável afastamento da fonte inicial de motivação (o sofrimento agudo) que se torna, consciente e inconscientemente, obscurecida pelo tempo, pela memória e pelos mecanismos psíquicos de defesa. A fonte básica de motivação está sempre na realidade, passada e presente, que cerca o alcoolista, ou seja, na desestruturação de suas relações pessoais e interpessoais. Caracterizá-las objetivamente é objeto e motivo do Quarto Passo, para que haja, concretamente, razão e possibilidade de modificá-las.
 
Alcoólicos Anônimos fala em meticulosidade e perenidade e estas são palavras-chave para um Quarto Passo eficaz. Quanto maior a motivação básica, mais meticulosa e profunda será a auto-avaliação e, evidentemente, melhores serão os resultados e benefícios desta, que o são, por si, progressivamente utilizáveis como fontes auxiliares de motivação para a continuidade do processo.
 
O papel do profissional, nessa etapa do tratamento, é fornecer ao paciente meios concretos para desenvolvimento desse inventário. Apresentar roteiros objetivos, questionários, identificar características morais e atitudinais a serem avaliadas, reforçar a reativar motivações, incentivar a participação em atividades terapêuticas grupais para que novos elementos sejam reconhecidos e estar disponível, fazem parte de uma atitude facilitadora e compreensiva (nunca protecionista e permissiva), bastante útil em um momento tão ansiogênico e doloroso.
 
O apoio de um grupo terapêutico homogêneo e integrado é, também, fundamental para promover alívio e conforto, além de incentivo.
 
O restante depende, exclusivamente, do próprio alcoolista. Não custa salientar, mais uma vez, que a cada interrupção do processo terapêutico por recidiva deve-se, sempre, retornar ao início do mesmo.
 
O 4º Passo à Luz da Palavra de Deus - com leitura Bíblica
 
 Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmo.
 
SALMO 138, 23 e 24.
5º Passo de A.A ( Visão Terapêutica
 
O Quinto Passo diz: “Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”.
 
 
Se pudéssemos resumir o tratamento do alcoolismo em uma só palavra, esta seria “reformular”. É claro que essa reformulação deve ser tão abrangente quanto se deseje efetividade para o tratamento. E é claro, também, que essa profunda e complexa reformulação deve ter início o quanto antes.
 
Os passos anteriores trataram de um preparo, pessoal e metodológico, do terreno propício a essa reformulação e, através de um meticuloso inventário inicial, foi possibilitado, ao alcoolista, tomar contato com o que de mais premente há para ser reformulado.
 
A partir do Quinto Passo inicia-se concretamente a reformulação, pois, em termos abstratos e genéricos, é óbvio que esta inicia-se desde o momento primeiro do tratamento – à interrupção do uso do álcool.
 
Após o momento de reflexão proposto no Quarto Passo, e após uma efetiva participação em procedimentos terapêuticos grupais, é bem provável que o paciente tenha podido enxergar alguns aspectos importantes de sua moral, caráter e comportamento e é também possível que, diante do recém-iniciando processo de autoconhecimento, ele tenha condições de avaliar os propósitos e benefícios de tentar reformular alguns desses aspectos.
 
De certa maneira, pode-se imaginar que após esses progressos o alcoolista esteja apto a dirigir seus próprios caminhos no sentido de uma verdadeira reformulação. 
 
Mas, infelizmente, estamos diante de uma doença cujos sintomas e sinais principais derivam de conflitos gravíssimos entre consciência pessoal e consciência social e fundamentam-se em crônica distorção da visão de mundo e da realidade. 
 
Portanto, é possível também que todos esses elementos terapêuticos até aqui desenvolvidos estejam, sobremaneira, influenciados por essas características patológicas, a saber; negação, racionalização e projeção.
 
Além disso, quando se trata de alcoolismo, com todo o seu estigma moral e social, é provável que entre o reconhecimento de todas as facetas adoecidas do caráter e do comportamento e a real admissão de todas elas como patológicas, exista uma grande barreira formada por orgulho e preconceitos pessoais.
 
É preciso, portanto, promover uma ampla discussão de todos esses dados, para que estes possam ser elaborados detalhadamente sem aqueles bloqueios pessoais. 
 
Mecanismos psicológicos de defesa, orgulho e desconfiança devem ser dissolvidos através da confiança mútua; da integração definitiva; da igualdade; da compreensão; do alívio e da catarse.
 
É esse o fundamento do Quinto Passo. Alcoólicos Anônimos o chama de “limpeza da casa”, uma verdadeira abertura de portas e janelas, uma ruptura definitiva com os principais vínculos mantidos com a doença.
 
O clímax do programa terapêutico de base comportamentalista está na submissão integral e esta está contida no Quinto Passo. A partir do momento em que o alcoolista se expõe, honesta e claramente, a outra pessoa de sua inteira confiança, ele está, automaticamente, rompendo as barreiras do isolamento, do orgulho, da desconfiança e da desonestidade. 
 
Vencer o medo, a culpa, a vergonha e a raiva depende de muita motivação e é a prova definitiva de que existe real aceitação e entrega (como foi anteriormente definida) ao processo terapêutico e, portanto, reais possibilidades de êxito.
 
O profissional pode desempenhar diversos papéis para prestar auxílio ao paciente na efetivação desse passo, desde promover uma discussão ampla das características do alcoolista, em grupos terapêuticos, até dispor-se a compartilhar com o paciente a íntegra de seu Quinto Passo. 
 
Para isso, é necessário apenas discrição e imparcialidade, já que a confiança depositada pelo paciente ao escolhê-lo como apto a desempenhar tal papel denota existirem, nesse profissional, atributos pessoais relevantes.
 
É importante salientar que não existe parâmetro para se verificar a eficácia do Quinto Passo, a não ser o que esse procedimento trouxe de resultados em relação à evolução do paciente. Este próprio deverá ser o parâmetro de efetividade. 
 
Um Quinto Passo deve servir para promover, antes de mais nada, a definitiva integração do alcoolista ao processo de tratamento e, diante disso, podem ser necessários outros “Quintos-Passos” mais, tantos quantos forem necessários à tal integração. O mais importante, aqui, é iniciar.
O 5º Passo à Luz da Palavra de Deus - com leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 
Admitimos perante Deus, perante nós mesmo e perante outro ser humano a natureza exata de nossas falhas.
 
I JOÃO 1, 9 – PROVÉRBIOS 28, 13 – TIAGO 5, 16.
6º Passo a ser Dado Pelo Adicto
 
6º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Sexto Passo diz: “Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter”.
 
 
O processo está em andamento. Desde o início desse programa comportamentalista de tratamento do alcoolismo deixamos claro que a única forma de reverter o mecanismo da dependência seria substituí-la por um estado dinâmico de busca de crescimento; um crescimento baseado em progressos, ditos espirituais, e no prazer advindo da consciência de estar tentando progredir. 
 
Para isso, consideramos fundamental uma profunda auto-avaliação de valores, conceitos e atitudes pessoais e uma inabalável, enquanto duradoura, determinação para prosseguir.
 
A realidade da vida do alcoolista trouxe-lhe, ao lhe ser apresentada, a consciência de sua doença e da necessidade de submeter-se a esse processo para superá-la. Essa realidade foi referencial para a determinação necessária à primeira grande mudança: a interrupção do uso do álcool.
 
O processo de dor aguda e de perda e o sofrimento gerado a partir da abstinência, praticamente compulsória, mostraram-lhe a necessidade de uma fonte exógena de ajuda, operando assim a segunda mudança: a ruptura do isolamento e da onipotência.
 
A iminência do desconforto e a necessidade premente de alívio o fez acreditar nessa ajuda que lhe foi oferecida, integrando-o ao processo terapêutico e efetivando a terceira mudança: a reversão momentânea da desconfiança e do ceticismo.
 
Em cada progresso efetivado está implícito uma agradável sensação de bem-estar, uma sensação de conforto que origina-se na liberação paulatina das garras da dependência que significam, concretamente, vínculos com o estado de doença, evidenciados em deturpações crônicas de caráter, comportamento e moral. É simples exemplificar: o uso abusivo do álcool leva à necessidade de mentir para proteger-se e ao objeto de consumo, a tal ponto que a mentira incorpora-se ao indivíduo, tornando-se implausível dizer a verdade. 
Ao não mais precisar beber, rompem-se os vínculos com a atividade da doença e a mentira torna-se inútil e descabida. O contato com essa nova realidade traz, imediatamente, a sensação de alívio e liberdade que é a motivação para prosseguir.
 
Esse simples exemplo demonstra a necessidade da minuciosa avaliação de todos os valores, conceitos e atitudes inerentes à pessoa do alcoolista. A simples efetivação dessa avaliação inicia uma nova fase de mudanças: a ruptura do medo; da culpa e da vergonha decorrentes do orgulho patológico.
 
Consequentemente, o partilhar do resultado dessa avaliação com outrem nada mais é do que o culminar desse processo: o orgulho e a desonestidade; os preconceitos e as defesas, sendo amplamente expostos e derrotados.
 
Efetivamente, o processo está em andamento. Mas deve estar claro, ao profissional e ao paciente, que este apenas inicia-se. Como todo processo, ele deve ser contínuo, pois dessa continuidade depende a integridade do tratamento.
 
Tal como o efeito do álcool, são fugazes o alívio e o prazer obtidos a cada mudança (conquista). Portanto, se almejarmos uma recuperação efetiva, deve-se manter sempre acesa a esperança de melhorar (crescer).
 
O Sexto Passo é justamente o fundamento disso, a mistura exata da eterna busca da perfeição com a consciência da impossibilidade em alcançá-la. Deve-se sempre tentar chegar o mais próximo possível dela, mas deve, também, estar claro que perfeição é, e sempre será, meta.
 
Portanto, para o profissional interessa fornecer subsídios para manter o processo em andamento, sem que haja interrupção por obstáculos concretos ou abstratos.
 
Em grupo ou individualmente, além das recomendações já repetidas, a atuação do profissional pode basear-se em: identificar elementos a serem reformulados, assim como deturpações de caráter e comportamento, aberrações morais ou, mesmo, inversão ou perversão de valores; além de valorizar, sempre, as mudanças, consciente ou inconscientemente, já efetuadas pelo paciente.
 
Evidenciar situações onde o orgulho, a ambição, o rancor, a gula, a lascívia, a inveja, a preguiça ou outras derivações instintivas hajam gerado desconforto ou causado empecilhos à boa resolução de conflitos, pessoais ou sociais, pode ser útil, ainda mais quando complementado através do fornecimento de métodos concretos de autotreinamento para reavaliação desses elementos.
 
Encorajar, incentivar e reforçar a motivação básica, são atitudes sempre cabíveis ao profissional interessado.
É sempre oportuno clarificar que a tendência evolutiva do tratamento é a acomodação, a partir do distanciamento objetivo e subjetivo da dor aguda. O profissional, nestes momentos, deve estar atento para mecanismos de boicote ao tratamento, tais como: ausências; justificativas e argumentações, utilizando o confronto como arma terapêutica sempre que necessário. Impor limites, pressionar, advertir o paciente das conseqüências de uma recidiva, sempre baseado em dados concretos, deve ser um recurso ao qual deve-se estar sempre pronto a recorrer.
 
Em se tratando de alcoolismo, ajudar e encobrir falhas são antônimos inconfundíveis.
O 6º Passo à Luz Da Palavra de Deus - com Leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 
6º Passo: Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos.
 
SALMO 18, 12 e 13 – TIAGO 4, 8/10.
7º Passo a Ser Dado Pelo Adicto
 
7º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Sétimo Passo diz: " Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições ”.
 
A necessidade imperiosa e constante de satisfazer seus impulsos torna o alcoolista egocêntrico, isolando-o de valores espirituais, como se o prazer e o bem-estar imediatos fossem as únicas maneiras de sentir-se bem.
 
Ao mesmo tempo, a participação do álcool nesse processo de dependência do prazer traz consigo todo o amplo leque de conseqüências físicas, psíquicas, sociais, comportamentais e morais, característica do abuso químico e torna o sofrimento parte ativa desse ciclo mórbido. A dependência gera ansiedade e sua satisfação gera conseqüências desastrosas à estrutura global do ser humano. Com o passar do tempo, o prazer torna-se cada vez mais distante enquanto a dor mostra-se presente e avassaladora.
 
É uma vida inteira, anos e anos gastos em ansiogênica luta contra um processo de dependência para o qual uma única solução encontrada tornou-se insuportável. O ciclo patológico de dor como necessidade de alívio, alívio esse gerador de mais dor, entrava-se no limite individual de sofrimento que cada ser humano desenvolveu intrinsecamente. Ao atingi-lo, o indivíduo descobre que não é mais possível manter esse processo e este pode ser o passo inicial para a descoberta da necessidade de romper o isolamento e buscar, na força das relações interpessoais, uma nova fonte de alívio e prazer. Vivenciar uma humilhante sensação de desespero; derrota diante de sua própria opção de vida; falência de seus mecanismos de obtenção do prazer; pode ser a única solução para romper o processo de dependência e, através disso, vislumbrar, no convívio social, e na reformulação pessoal como elemento possibilitador deste, o substituto ideal para promover um bem-estar duradouro.
 
Essa sensação, alimentada pela dor e pela ausência de perspectivas, impulsiona o alcoolista a entregar-se a um processo de tratamento que procura basear-se na manutenção de um novo ciclo de retroalimentação pelo prazer, este fundamentado em crescimento pessoal e redescoberta de valores ditos espirituais. Para isso, propõe-se uma criteriosa avaliação do indivíduo como ser social e uma, não menos criteriosa, reformulação de todas as deturpações psicossociais características do ciclo patológico.
 
Ao atingir esse estágio, o alcoolista depara-se com dificuldades objetivas. Em primeiro lugar, admitir que deveria interromper o uso do álcool derivou-se de profundo e insuportável sofrimento, o qual, é fato, já não mais é presente. Sem dúvida, a abstinência trouxe reflexos positivos importantes e a dor já não é mais tão aguda e lancinante quanto aquela que motivou tal mudança. Em segundo lugar, parar de beber significa, em princípio, abdicar do grande causador de males físicos, psíquicos e sociais e, tendo descoberto a possibilidade de fazê-lo, a tendência é acomodar-se e relaxar. Ainda mais quando progredir significa encarar valores e comportamentos profundamente desenvolvidos e que, nem sempre, estão conscientemente ligados ao sofrimento original.
 
O profissional deve estar preparado para identificar sérios e graves entraves à progressão do tratamento. O alimento do ciclo de recuperação do alcoolismo é a motivação ininterrupta, a motivação pela motivação. O contato consigo mesmo, a consciência de suas deficiências, a certeza de que é necessário revê-las para desenvolver sua capacidade de relacionamento interpessoal, devem ser objetivamente expostos como partes de uma única solução para promover durabilidade ao processo de recuperação.
 
Humildade, termo tão utilizado em Alcoólicos Anônimos, é exato e perfeitamente cabível. O produto ideal da humilhação diante da inevitável derrota pela perspectiva de liberdade em função de trabalho sério e honesto consigo mesmo.
 
É importante reforçar que essa humildade não é apenas uma necessidade vital para sobreviver ao rude golpe da perda de controle, mas, fundamentalmente, um estilo de vida, no qual, a cada dia, constrói-se, ou reconstitui-se, algo mais da capacidade individual de relacionar-se a partir da reformulação pessoal.
 
O prazer não está na vitória mas na sensação (humilde) de tentar, honestamente, ser melhor.
 
Dessa maneira, fica claro que o sentido da ajuda ininterrupta é o fundamento do Sétimo Passo. Humildade é reconhecer que, antes de mais nada, precisa-se da ajuda de outrem para efetivar, com eficácia, a tal reformulação.
 
Conversar honestamente sobre seus próprios defeitos, compartilhar sentimentos anteriormente considerados humilhantes como: medo; vergonha; raiva; inveja e ciúme é a chave do verdadeiro despertar espiritual, o prazer límpido de estar tentando crescer.
 
A partir do momento em que o alcoolista descobre os benefícios abstratos, e tão pouco materialistas, de sentir-se em paz após anos e anos de conflitos e turbulências, tanto internos quanto externos, pode-se considerar rompido o processo de patológica dependência. Daí em diante, a dor e o sofrimento não mais farão parte do processo de reestruturação pessoal e social, conquanto o prazer, dito espiritual, estará presente até em momentos de objetiva e concreta dificuldade.
 
É fundamental que o mecanismo terapêutico esteja apto a proporcionar tal descoberta, tal despertar. É muito importante valorizar a tentativa, incrementar a confiança, dar créditos à verdadeira e honesta motivação. É preciso criar, no ambiente de tratamento, no grupo ou na relação terapêutica, um clima de conforto e confiabilidade. A compreensão e o envolvimento são as melhores armas para fazer o paciente acreditar que é possível crescer sem sofrer, sem ter de passar por novas e dolorosas humilhações.
 
Como está escrito no texto de “Os Doze Passos” de Alcoólicos Anônimos, cada um de nós gostaria de viver em paz consigo mesmo e com seus semelhantes. O alcoolista, apenas, não sabe como fazê-lo, ou melhor, tentar fazê-lo, até então, tem significado muito sofrimento. O tratamento deve significar, agora, um espaço para que ele possa encarar a dor das perdas sem precisar sofrer e desfrutar a alegria das conquistas, por menores que possam representar para outrem.
 
Se, por acaso, ele vier a acreditar que o elemento terapêutico utilizado pode ajudá-lo a reconhecer suas deficiências, aceitá-las como seus atuais limites e modificá-las quando possível e sem sofrimento, só lhe restará agradecer humildemente e prosseguir confiante.
7º Passo à Luz Da Bíblia - com Leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 
7º Passo: Humildemente rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
 
SALMO 50, 3/5 e 9/12 – SALMO 31, 3/7.
8º Passo a Ser Dado Pelo Adicto

8º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)

O Oitavo Passo diz: “Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados”.

 

Esse passo trata de como descobrir, individualmente, a fórmula da recuperação. Dissemos, e repetimos, que apenas um processo contínuo de melhoria da qualidade das relações interpessoais e sociais do indivíduo poderia transformá-las na fonte causadora do combustível (prazer) necessário para substituir o efeito do álcool. Para isso, todos os passos anteriores trataram basicamente da principal de todas essas relações – a relação consigo próprio. Em função disso, é provável que algo significativo do autoconceito tenha sido resgatado e esteja mantendo o alcoolista motivado ao progresso. A partir do Oitavo Passo, tenta-se expandir esse universo de relações para as interpessoais, sugerindo-se um exame e uma reestruturação destas para que se possa reabilitá-las.
 
Afinal de contas, as características do alcoolismo crônico transformaram o paciente em verdadeiro ser anti-social e suas relações estão totalmente desestruturadas ou, quando pouco, deturpadas. Todas essas seqüelas são importantes barreiras ao processo de reformulação, pois de nada adianta uma consciência pessoal e uma motivação intrínseca se não é possível pô-las em prática em prol de uma melhor qualidade de vida, no sentido mais amplo do que vida quer dizer.
 
É preciso avaliar criteriosa e minuciosamente as verdadeiras falhas de suas relações para que se possa construí-las sadiamente, sem resquícios patológicos. É complicado e ansiogênico tentar reformular objetivamente uma relação quando esta é fonte e produto de ressentimentos, por exemplo. Rever tais ressentimentos, sua origem, a parcela de responsabilidade que lhe cabe, é partir para uma verdadeira reformulação.
 
Esse é, sem dúvida, assim como o nono, um passo difícil e doloroso, onde, mais do que nunca, a humildade, no sentido de aceitação de limites e deficiências e real disposição de modificá-los, se mostra indispensável. Uma coisa é admitir, para si, a existência de defeitos e dispor-se a modificá-los, outra é fazê-lo perante outrem. Evidentemente, essa admissão ultrapassa os confortáveis limites do grupo terapêutico, onde conta-se com aliviantes manifestações de carinho e compreensão. Neste momento, o alcoolista parte para um real contato com o mundo deturpado que a evolução de sua doença produziu e sabe, ou deve saber, que nem sempre poderá contar com o mesmo carinho e compreensão. Mas é exatamente aí onde o medo, o isolamento, o orgulho, tornam-se tão presentes, que deve estar mais presente ainda a premência da reformulação, em seu mais amplo sentido.
 
É indispensável construir relações sadias para que se possa obter prazer destas, mesmo que, durante muito tempo, o alcoolista tenha que conviver com os reflexos de sua doença, não em seu comportamento, mas no dos outros e mesmo que a única parte sadia dessas relações seja, neste momento, o próprio paciente. É preciso não esquecer que a tentativa honesta de reformular já é a própria reformulação.
 
Além disso, em muitas ocasiões, a porção mais doentia da relação é o sentimento despertado pelo possível prejuízo causado. Portanto, por mais que possa parecer desnecessário concretamente mexer com ela, o desconforto gerado por tais sentimentos deve ser revisto.
 
Em suma, o Oitavo Passo propõe um criterioso exame das relações do indivíduo, implícito na consciência de que o alcoolismo deturpou-as de tal maneira que o isolou, sendo, por conseguinte, imperioso tentar reconstruí-las.
 
É importante, também, que isso seja feito de uma maneira concreta e prática. Alcoólicos Anônimos sugere que seja feita uma lista de pessoas às quais o alcoolista tenha prejudicado, concreta ou abstratamente.
 
O profissional pode ajudá-lo, ao conhecer sua história de vida, alertando-o ou confrontando-o em situações conflitivas. Uma ordem de prioridade pode ser aconselhável, preferindo-se sempre as relações geradoras de maior desconforto no momento.
 
Além disso, como já foi dito, o ambiente do grupo terapêutico tem seu papel intensificado por momentos como estes, quando a própria reformulação é confrontativa e ansiogênica.
 
Em resumo, esse Quarto Passo das relações, como é dito em Alcoólicos Anônimos, significa o começo do fim do isolamento e, mais ainda, da marginalização social do alcoolista e é sumamente importante que isso esteja claro.
8º Passo à Luz da Palavra de Deus - Com Leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 
8º Passo: Fizemos uma relação de todas as pessoas que tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados.
 
LUCAS 19, 8/10 – HEBREUS 12, 14 e 15.
9º Passo a ser Dado Pelo Adicto
9º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Nono Passo diz: “Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem”.
 
Esse passo é, evidentemente, a prática do oitavo. Consciente de que é necessário reconstruir seu universo de relações, de uma forma saudável e prazerosa, o alcoolista precisa agir.
 
É muito importante que o profissional esteja atento ao momento vivido pelo paciente. É provável que a abstinência seja, por si só, motivo de euforia e êxtase para este, motivando-o a atos pouco racionais, tendendo impulsivamente a clamar ao mundo arrependimento e disposição em mudar de vida. Isso tudo é perfeitamente compreensível ao analisarmos a sensação de liberdade causada pela ruptura do vínculo concreto com a dependência. Mas é preciso saber, também, que atitudes impensadas podem gerar conflitos perigosos a abstinência frágeis e recentes. É fundamental uma certa estruturação dessa abstinência em bases sólidas de consciência, motivação e autoconhecimento, para que se possa prever os resultados de tais atitudes e preparar-se adequadamente para eles.
 
As relações de um alcoolista crônico são, geralmente, carregadas por sentimentos adversos de ambas as partes, concretamente elaborados em função de fatos reais, intensificados, quase sempre, por preconceitos morais e sociais, o que as torna, literalmente, bombas a explodir. É preciso muito cuidado ao abordá-las para que revelações intempestivas não funcionem como estopins para verdadeiras crises agravantes do quadro. Cada reparação deve ser precedida de minucioso exame da estrutura pessoal do paciente, de seu preparo prévio, de sua motivação para tal atitude, das contingências envolvidas na desestruturação de tal relação, do momento presente desta e das possíveis conseqüências de uma revelação contundente para ambas as partes.
 
É claro que nem todas as relações estarão deterioradas a tal ponto. Mas é claro, também, que nem sempre a superfície destas retrata fielmente o íntimo de um contato patogênico. Evidentemente, não há pressa e o próprio processo de abstinência servirá como fonte inicial de alívio das tensões de tais relacionamentos. Pode-se orientar o alcoolista para que comece a se colocar, revelando seus propósitos de recuperação e reformulação, o que, sem dúvida, preparará o caminho para revelações mais profundas. É até possível que apenas isso seja suficiente para que uma nova relação comece a ser moldada entre os envolvidos, mas não se deve esquecer que o objetivo não é apenas modificar o exterior de tal relacionamento e sim as emoções que estão nele implícitas.
 
Além do mais, a cada vez que o alcoolista se revela diante de outrem, expõe seus defeitos de forma humilde e honesta e reintera sua disposição em reformular-se, está criado um forte vínculo com seu estado de abstinência. A partir de então, a recidiva significa, além de todos os prejuízos inerentes à própria doença, a humilhante sensação de fracasso de seus propósitos diante das pessoas, alvos de tais reparações.
 
É importante, portanto, incentivar sempre. É claro que precaução não significa procrastinação. O preparo prévio é fundamental porque previne catástrofes, mas catástrofe idêntica é a paralisação do processo de reformulação. Isso porque a própria atitude de expor-se, revelando falhas e deficiências, e mostrar-se dispostos a melhorar, é fonte de gratificante sensação de conforto e bem-estar, mesmo que os resultados, a nível da relação, não sejam satisfatórios. O movimento do prazer psíquico como fonte de motivação para novos progressos está mantido e é isso o que importa.
 
Esses resultados concretos, em termos da relação propriamente dita, podem ser previamente avaliados em função do teor da revelação a ser feita. Existem casos em que o próprio conteúdo dessa revelação é tão contundente e tão prejudicial à relação que é preferível omiti-lo. Nessas situações, o próprio comportamento e atitude do alcoolista, no decorrer de seu processo de recuperação, serão suficientes para minimizar os danos causados sem que seja necessário pormenorizá-los. Talvez a necessidade de uma reparação plena, em termos pessoais, possa ser satisfeita a nível de grupo terapêutico, onde o sigilo e a confidencialidade protegem as partes envolvidas, além de possibilitar a criação do vínculo terapêutico citado anteriormente.
 
A principal conclusão disso tudo é que o Nono Passo deve ser realizado da maneira mais completa possível e, portanto, ininterrupta. A cada conquista, em termos de relações interpessoais mais saudáveis e bem-estar consigo próprio, novo projeto semelhante deve ser engatilhado. É neste momento que se reforça a tese de que o homem é uma inesgotável fonte de emoções, descobertas e, portanto, prazer, precisando, apenas, para efetivá-lo, ter consciência disso e tomar contato com uma maneira prática de fazê-lo.
9º Passo à Luz da Palavra de Deus - Com Leitura da Bíblia - ( Visão Cristã )
 
9º Passo: Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
 
TIAGO 5. 16 – MATEUS 5, 23 e 24 – I JOÃO 4, 20.
10º Passo a Ser Dado Pelo Adicto
10º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Décimo Passo diz: 
“Continuamos fazendo o inventário pessoal e quando estávamos errados nós o admitíamos prontamente”.
 
Como diz claramente o texto de “Os Doze Passos” de Alcoólicos Anônimos, a prática dos nove primeiros passos prepara o indivíduo para uma nova vida. Evidentemente, é necessário muita disposição para tal e muito trabalho foi realizado para poder romper os principais vínculos elaborados com o objeto de dependência. Graves deturpações do comportamento e das relações interpessoais, que transformaram o passado do alcoolista em um fardo insustentável a ponto de causar o sofrimento necessário à humilhante admissão de fracasso, tiveram de ser revistas e objetivamente encaradas.
 
A partir de então, de acordo com a profundidade e a seriedade com que foram vivenciadas essas nove etapas do tratamento, resta ao paciente, efetivamente, conviver com seu momento presente.
 
Livre dos principais entraves passados, objetivos e subjetivos, resta dinamizar o processo em termos atuais. Conseqüências importantes da descaracterização da personalidade, da imaturidade emocional e do imediatismo serão, também objetiva e subjetivamente, enfrentadas pelo alcoolista em seu processo de recuperação. Inicia-se, a partir de então, um novo tipo de convívio com suas emoções. Evidentemente, emoções mais limpas, livres do acúmulo de culpas, remorsos e ressentimentos passados, mas igualmente desconfortáveis pelo inusitado. Compreende-se que o uso de psicofármacos inibe, cronicamente, o contato com os sentimentos, tornando-os extremamente desconfortáveis. Vivenciar raiva, paixão, alegria, tristeza, angústia, ansiedade, sem paliativos, exige um processo, igualmente demorado, de aprendizado. A necessidade de alívio é constante e o imediatismo é um risco. É necessário possibilitar, diante de tantas dificuldades, um saldo positivo para o paciente.
 
Como fazê-lo?
 
Sabemos que a dinâmica do processo de recuperação mantém-se pelos seus próprios ganhos, objetivos e subjetivos. A capacidade de enxergar tais ganhos está na abrangência do referencial do indivíduo. Esse referencial está moldado pela consciência do seu passado e das conseqüências deste em seu presente. O ganho será vivenciado como tal, na medida em que represente progresso em relação a esse referencial.
 
Em tudo isso está embutida a importância dos passos anteriores para a elaboração dessa consciência (referencial) e da motivação em função desta. Está implícito, também, que as dificuldades presentes representam empecilhos, mais ou menos graves, para a manutenção dessa dinâmica.
 
Portanto, concretamente, o Décimo Passo trata de uma maneira objetiva de trabalhar essas dificuldades presentes antes que passem a representar entraves sérios. As chamadas armadilhas podem e devem ser desfeitas, antes que o desconforto originado seja mais forte que a perspectiva de alívio e o indivíduo recorra ao recurso já conhecido, o álcool.
 
Os sentimentos devem ser trabalhados de forma a não representarem ameaças e sofrimento. O indivíduo pode, através de um contato sistemático com suas emoções, evitar as deturpações, o acúmulo e as reações patológicas, todos geradores de maior desconforto.
 
O ideal para isso é o autocondicionamento. Um contato freqüente, se possível diário, com essas emoções, é fundamental para uma convivência mais saudável com elas e para um maior aprendizado sobre si próprio. Uma análise cuidadosa e detalhada dos fatos e motivos envolvidos é importante para a elaboração de um conhecimento mais amplo de suas reações. O fato de conhecer-se, aprendendo sobre si próprio a partir do contato com suas emoções e reações, possibilita ao alcoolista avaliar seu momento sem permitir que falhas acumulem-se e permaneçam, cronicamente, distorcendo seu comportamento. Um episódio de raiva pode ser analisado como despropositado e, a partir de então, objetivamente reformulado, evitando reações igualmente descabidas, conseqüentes entraves ao relacionamento, e mais emoções desconfortáveis e desnecessárias.
 
Neste momento, o admitir o despropósito da emoção não significa fracasso e sim um importante mecanismo de facilitação da convivência social. A partir do momento em que o alcoolista é capaz de fazê-lo, torna-se possível, para ele, elaborar seu comportamento de maneira saudável, evitando problemas desnecessários e maior desconforto.
 
O alívio e o prazer estão implícitos nesse movimento pela grata sensação de estar tentando melhorar, o que não implica, evidentemente, em acertar sempre. Gratificar o convívio interpessoal, através de reações saudáveis às emoções despertadas pelos relacionamentos, é tarefa muito difícil, principalmente para o alcoolista, em função de distorções emocionais e comportamentais crônicas. Seria utópico desejar que de uma hora para outra ele fosse capaz de relacionar-se de forma saudável e prazeirosa. Ele pode, apenas, tentar. E através da motivação para essa tentativa, procura-se possibilitar, pelo inventário diário, o acesso aos progressos e dificuldades desse processo e, com base neles, incentivar e facilitar as próximas tentativas.
 
Evidenciar ganhos enquanto estes não são tão evidentes e possibilitar a conquista de novos enquanto se processa a reeducação social, esses são os objetivos do Décimo Passo.
 
O profissional e o grupo terapêutico são importantes elementos para auxiliar o paciente nesse inventário. A clareza, a objetividade e a imparcialidade, além da possibilidade de um espaço para catarse e obtenção de alívio, são cada vez mais relevantes.
10º Passo à luz da Palavra de Deus - Com Leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 
10º Passo: Continuamos fazendo o inventário pessoal, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.
 
SALMO 50, 3/6 – SALMO 138, 1/7 – PROVÉRBIOS 4, 23/27 – I CORÍNTIOS 10, 12.
11º Passo a Ser Dado pelo Adicto
11º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Décimo Primeiro Passo diz: 
 
“Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós e forças para realizar essa vontade”.
 
Prossegue-se tentando viabilizar o processo de reaprendizado necessário para atingir o objetivo final de recuperação do alcoolismo: a convivência social plena composta de relações interpessoais prazeirosas.
 
Como foi demonstrado ao discutir-se o Décimo Passo, é fundamental que o alcoolista possa, durante o reaprendizado, perceber aspectos positivos em sua vida, para manter-se motivado independente do grau de desconforto originado pelas dificuldades e conflitos, inter-humanos. Evidentemente, sabemos que o alcoolista tende, sempre, a procurar alívio em seu objeto de dependência e, portanto, tem maior necessidade de conforto que alguém sadio, não-dependente.
 
Assim como um inventário pessoal diário é útil para um balanço geral do dia ou do período vivido, a oração e a meditação são formas, igualmente importantes, de travar um contato mais íntimo com os fatos e as emoções envolvidas no dia a dia.
De uma maneira geral, o programa dos Doze Passos revela-se uma forma concreta de busca consciente do aperfeiçoamento pessoal, estando, portanto, subentendidas as dificuldades próprias a um processo de recondicionamento.
 
O mecanismo da oração e da meditação serve para, em momentos de angústia decorrente de conflitos e dúvidas, rememorar os propósitos de reavaliação e reformulação tentando, assim, freiar impulsos antes que decisões ou atitudes precipitadas – inerentes ao padrão anterior de comportamento – possam trazer, agora, conseqüências desagradáveis e mais angústia. 
 
O hábito de, antes de qualquer conclusão, analisá-la cuidadosamente à luz dos propósitos originais é uma eficiente arma contra, por exemplo, o remorso e a culpa.
 
O tomar contato consciente com suas emoções possibilita ao alcoolista uma elaboração mais adequada das mesmas e o resultado advindo é a reação mais coerente com os tais propósitos de reformulação. Esse mecanismo é fonte de um sentimento de conforto e paz derivado da certeza de estar tentando acertar. E eis o mistério dos Doze Passos: a manutenção desse processo traz, ao mesmo tempo, alívio (prazer) e motivação para prosseguir.
 
Além disso, todos os mecanismos utilizados com o objetivo de estreitar o contato consigo próprio servem para facilitar a convivência social. Treinar o “parar para pensar”, condicionado à confirmação consciente da necessidade de aceitar suas limitações, é fundamental para que o alcoolista possa retirar daí a motivação para conviver com elas da melhor maneira possível. O relaxamento e a paz advindos desse contato fornecem condições para um convívio mais amplo em sociedade. 
 
É o treinamento que traz segurança ao alcoolista para enfrentar as dificuldades do relacionamento interpessoal sem o medo imobilizante de sofrer a cada momento. Estes, portanto, são métodos eficazes de viabilizar o crescimento através do prazer (paz e conforto).
11º Passo à luz da Bíblia - Com Leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 
11º Passo: Procuramos através da Oração e da meditação pela Palavra, melhorar nosso contato consciente com Deus. Rogando apenas o conhecimento de sua vontade em relação a nós, e força para realizar essa vontade.
 
MATEUS 6, 5/15 – I PEDRO 2, 1/3 e 5, 6/7.
12º Passo a Ser Dado Pelo Adicto
12º Passo de A.A. (Visão Terapêutica)
 
O Décimo Segundo Passo diz: 
 
“Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a esses passos, procuramos transmitir essa mensagem aos alcoólatras e praticar esses princípios em todas as nossas atividades”.
 
Diz ainda o texto: “O prazer de viver é o tema e a ação sua palavra-chave”.
 
Viver bem em todos os momentos pode parecer utópico, a princípio. Mas, segundo Alcoólicos Anônimos, isso pode ser conseguido a partir de um elemento simples, o chamado despertar espiritual. A meu ver, esse despertar significa descobrir uma motivação básica que oriente e impulsione todas as ações do indivíduo. Dessa maneira, torna-se muito simples explicar a razão do sucesso do programa dos Doze Passos.
 
A derrota diante da dependência alcoólica trouxe o fim do sofrer, através da consciência do sofrimento, esta evidenciou a necessidade de mudar e reformular comportamentos, caráter, conceitos e valores, e a busca dessa reformulação – a luz da fé na viabilidade e eficácia dos métodos empregados – resulta em mobilização psíquica e prazer. Enfim, orientado pela certeza de necessitar crescer sempre, o alcoolista em recuperação empenha-se em praticar os Doze Passos em todos os momentos do seu dia, retirando daí o chamado combustível espiritual necessário a manter em movimento seu processo de crescimento.
 
Acredito que o despertar espiritual não seja mais do que a descoberta de que é possível obter prazer através do simples esforçar-se em direção a um objetivo claro e incontestável.
 
A partir de então, resta agir. E a ação que se promove, a partir da necessidade de manter a máquina em movimento, direciona-se automaticamente aos elementos desenvolvidos em todos os outros passos de ação. A prática diária ou sistemática da interparticipação grupal, do inventário, da reparação, da oração, da meditação, etc., é originalmente, cada degrau do crescimento e, portanto, gera prazer por si só.
 
Viver, diária e plenamente, os Doze Passos, essa é a fórmula de ação. Aplicá-la ao trabalho, ao lazer, ao lar e ao grupo, adaptá-la ao seu ritmo e estilo de vida, torna simples e prazeroso o relacionamento e a convivência em sociedade, a partir de que é honesto e prazeroso o convívio consigo.
 
Agora, ser honesto não significa, apenas, um valor moral e sim, um passo em direção ao objetivo consciente de crescer e libertar-se e, portanto, gratifica. Assim como pedir desculpas não significa humilhar-se porque encerra propósitos claros. Viver, cada momento, com um objetivo maior que a segurança material, a estabilidade afetiva e o destaque pessoal, é a chave da chamada sobriedade.
 
Acredito, portanto, que o Décimo Segundo Passo sintetiza a fórmula do programa de tratamento do alcoolismo sugerido por Alcoólicos Anônimos quando se refere a “praticar esses princípios em todas as nossas atividades”.
 
E o mais importante de tudo isso: assim como a doença e o sofrimento igualou indivíduos diferentes, o objetivo comum os une e os mantém semelhantes em propósitos e métodos. A ajuda mútua é, portanto, o meio comum que complementa motivações e objetivos únicos e qualifica o uso do termo “irmandade”.

12º à luz da Bíblia - Com Leitura Bíblica - ( Visão Cristã )
 

12º Passo: Tendo experimentando um despertar espiritual, graças a estes passos procurando transmitir esta mensagem aos toxicômanos e alcoólatras e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.
 
GÁLATAS 6, 2 – TIAGO 1, 22/26 – I PEDRO 1, 22/25 – MATEUS 28, 18/20.

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