Informativos para Conhecimento

CRACK
A melhor forma de prevenção contra as drogas é a informação. 
Esta deve ser clara, objetiva e fundamentada cientifi camente. A prevenção passa por toda a sociedade, nela incluídas escolas, famílias, poder público, organizações não governamentais, etc.
 
Este material visa colaborar para ampliar a discussão sobre o tema e trazer informação sobre o grave problema do uso do crack, além de alertar sobre a urgência de medidas efetivas e a ampliação do fi nanciamento público para a concretização
destas medidas.
 
A droga é algo que já existe há muito tempo. Neste sentido, o consumo de substâncias que alteram o estado de consciência é fenômeno cultural, que ocorre em diversos contextos (social, econômico, ritual, religioso, estético, psicológico,
cultural). Não há sociedade livre de drogas. O que há são diferentes fi nalidades quanto ao uso. A busca de experiências de prazer é apenas uma delas.
O uso de crack, no Brasil, vem crescendo de modo avassalador. Vale lembrar que o álcool e o tabaco também são largamente utilizados por crianças e adolescentes.
 
Entre estes, aqueles que são moradores de rua, vivenciam agravos relativos ao uso, não só físicos, como psíquicos e sociais.
A questão que se aborda é com o fi m de saber como atender na rede pública de saúde os usuários de crack das regiões mais vulneráveis das cidades. A necessidade de se aproximar desta população e criar relações de confi ança requer um trabalho territorial intersetorial, com forte investimento na formação dos profi ssionais envolvidos. É certo também que o contínuo combate à miséria e a melhoria das políticas públicas no campo social são fatores primordiais na prevenção ao abuso de todas as drogas.
 
A atenção a usuários de crack no Sistema Único de Saúde (SUS) está fundamentada nos referenciais de atenção em rede, acesso universal e intersetorialidade.
Ressalte-se a gratuidade de qualquer atendimento, que se constitui também direito da família, de todos os seus membros. Aliás, é muito importante a participação dos familiares no tratamento, independentemente da adesão ou não do usuário de
crack. A porta de entrada na rede de atenção em saúde, segundo o Ministério da Saúde, deve ser a Estratégia de Saúde da Família e os Centros de Atenção Psicossocial, Álcool e outras Drogas (CAPSad). Além disso, a articulação com as políticas
públicas de ação social, educação, trabalho, justiça, esporte, direitos humanos, moradia, também constitui importante estratégia.
10      Perguntas e respostas para entender o CRACK 
1 O que é crack ?
É uma substância psicoativa euforizante (estimulante), preparada à base da mistura da pasta de cocaína com bicarbonato de sódio. Para obtenção das pedras de crack também são misturadas à cocaína diversas substâncias tóxicas como gasolina, querosene e até água de bateria. A pedra de crack não é solúvel em água e não pode ser injetada. Ela é fumada em cachimbo, tubo de PVC ou aquecida numa lata. Após ser aquecida em temperatura média de 95ºC, passa do estado sólido ao
de vapor. Quando queima, produz o ruído que lhe deu o nome. Pode ser misturada com maconha e fumada com ela.
A merla, também conhecida como mela, mel ou melado, preparada de forma diversa do crack, apresenta-se sob a forma de uma base e também é fumada.
Utilizada predominantemente no Distrito Federal, a merla é extremamente tóxica e acarreta sérias complicações médicas.
2 Quais seus efeitos imediatos?
Ao ser fumado, é absorvido pelo pulmão e chega ao cérebro em 10 segundos.
Após a “pipada” (ato de inalar a fumaça), o usuário sente grande prazer, intensa euforia, sensação de poder, excitação, hiperatividade, insônia, perda de sensação de cansaço e falta de apetite. O uso passa a ser compulsivo, pois o efeito dura apenas de 5 a 10 minutos e a “fi ssura” (vontade) em usar novamente a droga torna-se irresistível, incontrolável.
Segue-se repentina e profunda depressão e surge desejo intenso de uso repetido imediato. Assim, serão usadas muitas pedras em seguida para manter o efeito estimulante.. 
3 Como causa dependência?
Por ser fumado, expande-se pela grande área da superfície do pulmão e é absorvido em grande quantidade pela circulação sanguínea. O efeito é rápido e potente, porém passa depressa, o que leva ao consumo desenfreado.
4 Quais as consequências do uso em médio e longo prazo?
Físicas: Danos ao pulmão, associado a fortes dores no peito, bronquite e asma; aumento da temperatura corporal com risco de causar acidente vascular cerebral; destruição de células cerebrais e degeneração muscular, o que confere
aquela aparência esquelética do usuário frequente. Inibição da fome e insônia severa.
Além disso, os materiais utilizados para a confecção dos cachimbos são muitas vezes coletados na rua ou no lixo e apresentam risco de contaminação infecciosa, gerando potencial elevação dos níveis de alumínio no sangue, de modo a aumentar os danos no sistema nervoso central. São comuns queimaduras labiais, no nariz e nos dedos dos usuários.
Psicológicas: Fácil dependência após uso inicial. Grande desconforto durante abstinência gerando depressão, ansiedade e agressividade contra terceiros. 
Há diminuição marcante do interesse sexual. A necessidade do uso frequente acarreta delitos, para obtenção de dinheiro, venda de bens pessoais e familiares, e até prostituição, tudo para sustentar o vício. A promiscuidade leva a grave risco de se contrair AIDS e outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis). O usuário também apresenta com frequência atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranóia (“nóia”), colocando em risco a própria vida e a dos outros.
Sociais: Abandono do trabalho, estudo ou qualquer outro interesse que não seja a droga. Deterioração das relações familiares, com violência doméstica e frequente abandono do lar. Grande possibilidade de envolvimento com criminalidade.
A ruptura ou a fragilização das redes de relação social, familiar e de trabalho normalmente leva a aumento da estigmatização do usuário, agravando sua exclusão social. É comum que usuários de crack matem ou sejam mortos.
5 Quem é o usuário de crack?
Por muito tempo a dependência química foi considerada uma doença masculina; aspectos sociais e culturais que propiciavam mais acesso masculino às drogas levavam a crer que eles seriam mais suscetíveis. No entanto, atualmente, o consumo de substâncias ilícitas e álcool é indiscriminado entre mulheres e homens adultos
e adolescentes. No caso do crack, implicam-se no uso até mesmo crianças de várias idades.
Também acreditava-se anteriormente que seu uso era mais intenso nas classes de baixa renda, porém, hoje, a utilização do crack já ocorre em todas as classes sociais. As populações mais vulneráveis, entre elas, moradores de rua, crianças e adolescentes constituem importante grupo de risco.
6 Quais são os sinais para reconhecimento do uso de crack?
• abandono de interesses sociais não ligados ao consumo e compra de drogas; 
• mudança de companhias e de amigos não ligados ao consumo desta;
• visível mudança física, perda de pelos, pele ressecada, envelhecimento precoce; 
• comportamento deprimido, cansaço, e descuido na aparência, irritação e agressividade com terceiros, por palavras e atitudes; • difi culdades ou abandono escolar, perda de interesse pelo trabalho ou hábitos anteriores ao uso do crack;
• mudança de hábitos alimentares, falta de apetite, emagrecimento e insônia severa;
• atitudes suspeitas, como telefonar para pessoas desconhecidas dos familiares com freqüência e “sumir de casa” sem aviso constantemente;
• extorsão de dinheiro da família com ferocidade;
• mentiras frequentes, ou, recusa em explicar mudança de hábitos ou comportamentos inadequados.
7 Pode ser associado ao uso de outras drogas?
É comum que usuários de crack precisem de outras substâncias psicoativas no período das chamadas “brisas”, ou seja, no período imediato após uso do crack.
Nesse momento, acabando o efeito estimulante, há grande mal-estar, sendo usados álcool, maconha ou outras substâncias para redução desta péssima sensação.
O sofrimento psíquico decorrente do uso do crack induz o usuário a múltiplas dependências.
8 Que atitudes podem agravar a situação do usuário?
No início do uso da droga, o indivíduo ilude-se, imaginando que “com ele vai ser diferente”, que “não vai se tornar um viciado”. Mesmo quando progride para a dependência, continua acreditando que “para quando quiser” e não percebe que, na realidade, não quer parar nunca. Pelo contrário, quer sempre mais.
A atitude de negação da doença pela família também é muito nociva. Ela não deve sustentar mentiras para si mesma, amenizando a gravidade da situação e acreditando que o usuário deixará de usar o crack com o tempo ou sem ajuda de terceiros.
Pessoas que são dependentes de álcool ou tabaco, apesar de serem drogas lícitas, devem entender que, para criticar o outro por se tornar dependente do crack, precisam antes corrigir em si mesmas estes hábitos, pois, do contrário, não
têm alcance, como exemplo a ser seguido ou ouvido.
9 Quais as atitudes que podem ajudar?
Se você é pai, mãe ou tem alguém que lhe é querido, sob suspeita de uso do crack, principalmente, em faixa de idade vulnerável, como crianças e adolescentes, procure manter bom relacionamento, com o suposto viciado, que garanta abertura para diálogo. O melhor é buscar saber de sua vida, com quem está, os lugares que frequenta, seu desempenho no trabalho ou na escola. Observe se ocorrem mudanças bruscas de comportamento. A manutenção do vínculo afetivo é muito importante, tanto para a detecção do problema, quanto para solução no tratamento.
Necessário que haja atenção quanto ao ambiente escolar e à vizinhança.
Oriente seu filho ou ente querido a se afastar de pontos de venda de droga ou dos frequentadores desses locais. 
Adolescentes comumente apresentam comportamento destemido e sentem-se desafi ados a se aproximar do perigo para ter a ilusão de que estão acima do bem e do mal.
Como adulto, deixe claro que sua autoridade é fruto não apenas de amor, mas de capacidade de entender o mundo atual e saber diferenciar o que destrói e o que constrói, em oposição à sedução do trafi cante.
Os agentes do tráfi co procuram ser simpáticos e amistosos para com sua população alvo.                                                                 Ensinam gíria própria e não destoam da imagem da moda seguida pelo público que eles visam.
O Disque-Denúncia no seu Estado ou Município pode ser utilizado para denunciar traficantes.
10 Quais as possibilidades de tratamento?
Inicialmente é necessária uma avaliação do paciente, para saber sobre o efetivoconsumo de crack. A partir deste perfi l, ele deverá ser encaminhado ao ambientee ao modelo de atenção adequado. Deve ser verifi cado o grau de dependência e ouso nocivo, assim como a intenção voluntária de busca de ajuda para o tratamento.

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