O corpo do ex-ditador Muammar Kadhafi foi sepultado na madrugada desta terça-feira, cinco dias após sua morte. O enterro foi realizado num local secreto no deserto da Líbia, de acordo com fontes do Conselho Nacional de Transição (CNT), o governo provisório líbio.

O CNT teria confirmado na véspera que o corpo de Kadhafi e de seu filho Muatassim, que foram mortos tentando fugir de Sirte, cidade natal do coronel, iriam ser enterrados de forma simples com a presença de clérigos muçulmanos. O corpo do ex-chefe militar do regime, Abu Bakr Yunis Jaber, que também morreu no ataque, foi enterrado junto com eles.

Segundo fontes do Conselho Militar, três dirigentes religiosos partidários de Kadhafi oraram e realizaram uma cerimônia religiosa antes dos sepultamentos.

O pai e dois filhos do ex-ministro da defesa estavam presentes.

Os cadáveres estavam no chão de um frigorífico desde o dia do ataque e os três corpos foram retirados de lá para ficarem expostos à visitação pública na cidade de Misrata na segunda, de acordo com a TV Reuters.

Os líbios disseram que “queriam ter certeza” de que o ditador que estava no poder desde 1969, tinha mesmo morrido. Os corpos já estavam em decomposição.

Poucos líbios se importaram com que maneira eles foram mortos, ou porque ficaram tanto tempo expostos, contrariando a lei islâmica que faz sepultamentos no prazo de um dia.

Alguns estrangeiros, aliados do novo regime líbio, se mostraram desconfortados com a forma em que Kadhafi foi tratado depois de sua captura e morte, e temem que os novos líderes do governo não respeitem os direitos humanos na passagem do país para a democracia.

O enterro teria sido demorado por causa das divergências entre facções que compõe o CNT, que decidiu que os corpos deveriam ser enterrados em local secreto para evitar peregrinações de partidários do antigo regime.