Voluntários de uma ONG, na Grécia, que dá apoio psicológico a suicidas Klimaka, têm recebido quatro vezes mais chamadas conforme piora a crise financeira e econômica no país.

George Barcouris, aos 60 anos de idade, sentou em frente ao computador em seu apartamento há alguns dias e digitou a palavra “suicídio” no site de buscas Google porque estava desesperançoso quanto a sua vida, pois já não tinha mais emprego e estava certo de que o proprietário do apartamento iria despejá-lo por causa do atraso dos aluguéis. E sem o apoio de seus parentes e amigos começou a procurar na internet uma maneira mais fácil de dar fim a sua vida.

No entanto, a primeira resposta que encontrou foi o número de entidades gregas de prevenção ao suicídio Klimaka.

No mês passado, Andreas Loverdos, ministro da Saúde da Grécia, falou que o número de suicídios no país poderá ter subido 40% nos primeiros meses de 2011.

A psicóloga Eleni Bakiari, que trabalha para a Klimaka explica que “na realidade, é bem provável que os índices sejam bem mais altos”.

A maioria das pessoas que procura a entidade cita a insegurança econômica como principal motivo de sua aflição.

“Muitos dos que nos telefonam dizem que planejam dirigir seus carros do topo de um penhasco ou contra uma rocha para que tudo pareça um acidente. Dessa forma, suas famílias e a comunidade nunca saberão que foi suicídio”, conta Bakiari.

E não são apenas os desempregados que estão sofrendo, empresários de sucesso também têm sentido o impacto da crise financeira. A exemplo da empresa Vitamin Ad que rompeu com uma das maiores produtoras da Grécia e quando seu acordo foi abandonado, em meados de setembro, o diretor da empresa Michael Kriadis, se jogou da varanda de seu escritório, no quarto andar, e deixou mensagens para sua família e empregados.

Quando isso aconteceu, acredita-se que Vitamin Ad teria dívidas de aproximadamente 400 mil euros (US$ 976 mil). Os clientes, por sua vez, deviam cerca de 5 milhões de euros (US$ 12 milhões) à empresa.

Bakiari disse ainda, que “a Grécia costumava ter o menor índice de suicídios da Europa”.

Porém o governo não ofereceu nenhuma ajuda financeira adicional à Klimaka para melhorar a ajuda com serviços da ONG, por isso existem poucas chances de novas políticas de saúde para serem implementadas nesse período de cortes drásticos no país.

No escritório de Klimaka, George Barcouris salvou sua vida aceitando a proposta oferecida pela entidade de trabalhar voluntariamente na estação de rádio da ONG, em que as transmissões abordam temas sobre depressão e exclusão social. A Klimaka também prometeu ajudá-lo a resolver seu problema de moradia.

Agora ele sorri pela primeira vez ao dizer que se sente uma outra pessoa, útil e capaz de sair de casa pela manhã. “Sei que existe milhares na Grécia passando por experiências semelhantes à minha e quero dizer que nossos problemas são sociais, não mentais”, diz.