" CONHECENDO O OUTRO CONSOLADOR" Parte 1

18/08/2011 10:45

 Espírito Santo

Introdução:

Deus age fora do mundo, criando-o, governando-o e sustentando-o e, não obstante, também está no mundo. Para um fim especial, em um designado período de tempo, identificou-se com a raça humana na pessoa de Cristo, o Filho eterno. Tendo este propósito sido executado, Deus o Filho retirou-se para o seu trono celestial a completar sua obra. Isto tornou necessária a presença de Deus no mundo, a fim de guiar e solidificar a obra que Jesus começou durante o seu ministério terrestre. Para este fim, o Espírito Santo veio e habita entre os homens. Que é que cremos acerca do Espírito Santo?


I – A Personalidade do Espírito Santo:


Antes que possamos propriamente estudar a obra do Espírito Santo, mister se torna procurar entender o Espírito mesmo.


1.) A importância deste conceito:


É de primaria importância para cada cristão, saber se o Espírito Santo é uma pessoa divina a ser adorada, servida e amada, ou se é apenas uma influencia ou poder emanado de Deus. É um erro muito comum falar dele como se não fosse uma pessoa. Se ele é uma pessoa divina, e não o reconhecemos como tal, negamos-lhe o culto que lhe é devido e ao mesmo tempo roubamo-nos a nós mesmos de muitos dos ricos tesouros da vida cristã. Freqüentemente, o que nos preocupa é que possamos ter mais do Espírito Santo, que possamos ser mais cheios da sua presença, como um balão se enche de gás. Mas, se bem entendemos a personalidade do Espírito, nossa preocupação será de nos submetermos a ele como o mestre ao qual a vida do aluno deve estar inteiramente sujeita.


2.) O testemunho da Bíblia:


Os característicos do Espírito, na Bíblia, são os de uma pessoa. São eles, principalmente, conhecimento, sentimento e vontade. “O Espírito penetra todas as coisas, ainda mesmo as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (I Co 2:10,11). Aqui é atribuído conhecimento ao Espírito de Deus. É segundo este mesmo modo de pensar que Paulo fala da “intenção do Espírito” (Rm 8:27)
Em Romanos 15:30, Paulo exorta os seus irmãos, “pelo amor do Espírito”, a combaterem com ele em oração. O Espírito nos ama do mesmo modo que Deus o Pai nos ama. Quão gratos devemos ser a Deus pela presença do Espírito Santo a nos prender pelos laços do amor.


O Espírito também, como pessoa, exerce vontade, “repartindo particularmente a cada um como quer” (I Co 12:11), ou seja, segundo o seu propósito.
Mas ainda, como uma pessoa, ele é sensível ao tratamento que se lhe dá. Fica ofendido quando não é tratado com justiça (Ef 4:30). Como a mãe fica magoada quando um filho procede mal, ou o professor fica sentido quando um aluno não aprende a lição, assim o Espírito sofre profundo desapontamento e tristeza quando não andamos como devíamos andar, Pedro repreendeu Ananias por ter mentido ao Espírito Santo (At 5:4). Ninguém mente a uma coisa, mas a uma pessoa. Quando alguém tem estas características na sua conduta, dizemos que é uma pessoa e não meramente como uma influência.


3.) O testemunho da experiência cristã:


Qual é, porém, a evidência da experiência cristã acerca do Espírito Santo? Nossas relações para com ele têm sido pessoais. Há alguns anos, em um dos cultos matutinos, um homem fez sua profissão de fé em Jesus Cristo e manifestou desejo de se unir a igreja. Antes do culto, dissera ao pregador que queria ser um bom cristão e um membro leal da igreja, porem não podia servir a Cristo na igreja enquanto uma situação irregular na família não fosse esclarecida. Passou então a relatar sua dificuldade. Explicou como se iniciara e como estava afetando a vida da igreja. Finalmente, ele disse: “Agora, pastor, eu quero regularizar minha situação. Vou entrar para a igreja confiando no Senhor para resolver minha dificuldade”. Respondi-lhe: que somente o Espírito de Deus poderia solucionar aquilo. Ele trabalha por meio de homens, mas só Ele pode mudar os corações e fazer o amor ocupar o lugar do ódio. O homem concordou e no fim do culto o povo de Deus foi chamado a orar para que o Espírito de Deus se dignasse a fazer sua obra nos corações do povo da comunidade.


À tarde, o pregador tomou o seu carro e dirigiu-se para o interior, em direção ao lar perturbado do homem acima referido. Parou um pouco no carro antes de chegar à casa a que se dirigia, orando para que o Espírito de Deus o guiasse. Depois seguiu e em poucos minutos chegava ao ponto designado. Quando cumprimentou a família, era evidente que a obra já tinha sido efetuada. Não havia mais necessidade alguma de argumentar para persuadir. Os corações tinham já sido mudados, a amargura que existia tinha desaparecido. Não havia mais perturbação.


Ora, não tinha havido agente humano que tivesse ido adiante do pregador e, não obstante, era fora de duvida que alguma pessoa estivera tratando com aquela família. O Espírito tinha estado ali. Até hoje há uma lembrança viva daquela experiência com o Espírito efetuando a obra que somente uma pessoa divina podia executar. E desde então o autor nunca mais pensou no Espírito senão como uma pessoa.


II – A Divindade do Espírito Santo:


Cremos que o Espírito Santo é Deus? A sua divindade não é tanto questionada, como é negligenciada.


1.) A significação da doutrina:


Deve ficar gravado em nossa consciência que a presença conosco do Espírito Santo significa que o Deus onipotente, eterno, onisciente, onipresente está à mão para nos guiar. Não obstante, muitas vezes o tratamos como alguma coisa de que podemos usar ou negligenciar, segundo a nossa conveniência e necessidade. Se Cristo entrasse em vossa casa, que faríeis? Se ele vos pedisse para auxiliá-lo a efetuar um milagre, acederíeis? Se vos pedisse para gastar o dia convosco, concordaríeis? Objetaríeis, porventura, alegando que tinha já o vosso plano para aquele dia, e que poderíeis mais tarde falar com ele sobre o assunto? E não é assim que freqüentemente tratamos o Espírito Santo? E ele é tão realmente Deus como Cristo e está tão realmente presente conosco como Cristo com os seus discípulos.


Há anos passados, um famoso médico da Europa achava-se em Chicago, para uma ligeira visita. Uma senhora rica escreveu-lhe, pedindo que fosse a sua casa, tratar de um de seus filhos que se achava enfermo. Ele estava muito preocupado com muitas coisas que tinha a fazer no pouco tempo de que dispunha e parecia-lhe que não seria possível atender aquele chamado. Mas a mãe confiava que ele fosse e esperou. Era costume dele, após o lanche, dar um ligeiro passeio, tendo ficado combinado com o motorista que fosse ao seu encontro, caso ameaçasse um temporal.


De tarde, quando andava pela cidade, caiu um temporal que o obrigou a encostar-se sob a cobertura da entrada de um palacete e tocou a campainha. Era justamente a residência da senhora que o mandara chamar. A dona da casa, porem, não conhecendo o visitante nem tendo perguntado quem ele era, ofereceu-lhe uma cadeira para sentar sob a cobertura e fechou novamente a porta. O seu motorista chegou logo depois ali com o carro e levou-o para o hotel. Quando aquela senhora leu nos jornais do dia seguinte que o medico famoso tinha sido apanhado por uma tempestade e procurara refugio na sua casa, ficou desapontada. Oh! Se ela o reconhecesse! Esta é a grande tragédia de muitas pessoas que necessitam de Deus. Não reconhecem o Espírito Santo como Deus.


2.) O testemunho da Bíblia:


As Escrituras Sagradas sempre falam do Espírito Santo como Deus. Esteve presente na criação e participou dela. Jo exultava porque o Espírito de Deus o criara e lhe dera vida (Jo 33:4). A narrativa de Gênesis fala da presença do Espírito na criação. (Gen 1:2)
Ao dar sua comissão aos discípulos, Jesus incorporou o Espírito com ele na Trindade – “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Nestes, como em muitos outros exemplos, ele nos é apresentado como Deus.


3.) O testemunho da experiência:


Uma vez mais a nossa experiência concorda com o testemunho da Escritura. Sabemos que ele nos comunica o dom da vida eterna, como Jesus mesmo disse em João 6:63. Aquilo que ele faz em nós – perdão e regeneração e toda a experiência cristã – ele executa como Deus operando em nós. Mesmo que não tivéssemos declarações inequívocas e claras das Escrituras, acerca da divindade do Espírito Santo, ainda diríamos que aquele com quem nos relacionamos na experiência cristã é o próprio Deus.