" BUSQUEMOS A SANTIDADE, SEM A QUAL NINGUÉM VERÁ A DEUS "

15/10/2011 12:02

 

VOLTANDO SEU CORAÇÃO PARA A SANTIDADE

 

SANTIDADE PESSOAL

 

Quão pouco conhecimento têm aqueles que acham a santidade insípida. Quando alguém encontra a verdadeira santidade, descobre que é irresistível! Se somente 10% da população mundial possuísse essa qualidade, o mundo todo não seria salvo e feliz em menos de um ano?

C. S. Lewis

 

O professor de teologia entrou na sala para a última aula em sua carreira de cinqüenta anos. Como de costume, a grande audiência se alvoroçou, cheia de expectativa pela disciplina intitulada “A vida de Santidade”. Entretanto, durante o semestre, uma tendência de debates e argumentações tinha arruinado a aula. Alguns alunos insistiam que santidade significava uma coisa, outros discordavam, argumentando que era outra coisa. Uma facção afirmava que a santidade deve ser vivida de uma forma, enquanto que outras facções alegavam que é impossível alcançar a santidade. Apesar de seus cinqüenta anos de experiência docente, o velho professor não era capaz de mudar a atitude dura e as divisões que surgiram entre os alunos. Para onde olhava dentro da sala, via pequenos grupos isolados.

Tinha acontecido o que mais temia. Não importava o que ele dizia sobre santidade, surgiram grupos teológicos conflitantes que argumentavam uns com os outros, de modo dogmático e rude, a ponto de acabarem se separando física e emocionalmente. Cada grupo repetia incansavelmente versículos. Ninguém cedia, ou chegava a ouvir realmente os versículos ou opiniões do grupo oponente. Durante praticamente todo o semestre, o professor tentou transpor aquela atitude de julgamento e de espírito independente, mas não obteve sucesso. Depois de refletir durante vários dias, dentro do seu gabinete, buscando uma possível solução, ocorreu-lhe uma última idéia. Era um plano arriscado, mais talvez fosse necessário para a cura.

Naquele dia, em vez de iniciar a aula como fazia sempre, o professor lentamente escreveu uma única palavra no meio do quadro negro: “Tronco”; ficou olhando para ela, atraindo a atenção de toda a classe.

Voltou-se, encarou os alunos e falou, medindo bem cada palavra: “Esta aula será a mais desafiadora de toda a graduação. Façam grupos pequenos e, por favor, definam esta palavra e relacionem todas as razões por que crêem que sua definição está correta. Não discutam suas opiniões com os outros grupos, nem me façam nenhuma pergunta. Daqui a dez minutos, um representante do grupo lerá a resposta encontrada”. O professor fez uma longa pausa. “Quero avisar desde já que há somente uma resposta correta para esta questão; as respostas serão fundamentais na sua nota final”. Com essa revelação sóbria, o professor virou-se e saiu da sala com calma e firmeza de volta a seu gabinete. O canto de seus lábios levantou-se num leve sorriso, enquanto ele descia o corredor, perguntando-se sobre as discussões que deviam estar em andamento na sala de aula.

Passaram-se os dez minutos. Quando o ponteiro do relógio marcou os dez minutos, o professor entrou na sala, abriu o livro de notas, fitou a sala e perguntou se algum grupo queria começar. Não houve resposta. A confusão reinava no lugar mais improvável de toda a universidade: na sua sala de aula. O professor aguardou durante um tempo que pareceu uma eternidade. “Bem, se não há voluntários, esta opção está cancelada. Por favor, coloquem o nome de todos os membros do grupo no final do papel com a resposta e passem adiante”.

Houve um murmúrio de protesto no fundo da sala: “Isso não é justo! Alem disso, o que ‘tronco’ tem a ver com a santidade pessoal?” Sem dar qualquer atenção às reclamações, o professor voltou-se para o quadro e acrescentou duas palavras na frente de “tronco”: “O grande”. Olhou novamente para a classe.

“Depois de pensar melhor, decidi atenuar minha atitude anterior e dar-lhes mais uma chance. Sigam as mesmas instruções. Quero avisá-los de novo: há somente uma resposta correta e sua resposta valerá para a nota final”. Com essas palavras, a sala quase explodiu de frustração. O professor, porém, saiu em silêncio da sala, sem olhar para trás, voltando para sua segurança no final do corredor. Dez longos minutos se passaram até que retornou, novamente pedindo um voluntário. Dessa vez, alguns dos alunos mais ardorosos nos debates baixaram a cabeça, sentindo a decepção nos olhos do querido professor. Novamente os papéis foram recolhidos e empilhados sobre a mesa, em cima dos anteriores, deliberadamente perto do livro de notas.

Pela terceira vez, o professor virou-se para as palavras escritas no quadro, e acrescentou mais duas: “O grande tronco se movia”. Colocou o ponto final com ênfase exagerada.

“Pensei bem e resolvi dar-lhes uma terceira oportunidade. Sigam as mesmas instruções. Lembrem-se: há somente uma resposta correta e as respostas serão de grande peso na nota final de vocês”. Fez uma pausa e acrescentou: “Ah, sim, por causa da importância desta resposta em seu futuro teológico, depois que terminarem de responder, por favor, discutam as descobertas com os outros grupos, para que sejam consideradas todas as perspectivas”.

Ao sair da sala, o professor franziu a testa. “Como os alunos se sairão nesta tarefa, considerando as atitudes defensivas e dogmáticas que demonstraram nas discussões sobre santidade ao longo de todo o semestre?”, pensou. Desta vez, virou à direita depois de sair da sala de aula, dirigindo-se ao andar de cima, onde ficava a cabine de som. Queria observar os resultados de seu plano em primeira mão.

A sala estava em caos, com cada estudante expressando sua frustração. Ouvia-se o som dos debates e das discussões por toda a sala, não somente entre os grupos, mas também dentro deles. Vozes e braços subiam e desciam. Finalmente, depois de quinze minutos de debate. Pela última vez, entrou na sala. Nunca sentira tamanha divisão numa sala de aula. Tampouco sentira tamanha responsabilidade para lidar imparcialmente com uma questão. Dirigindo-se à classe, começou a desafiar o pensamento de seus alunos. Primeiro, pediu a todos os grupos que relacionassem no quadro o significado da palavra “tronco”. Foram relacionadas quatro definições: (1)Parte mais grossa das árvores ; (2)parte do corpo humano; (3)origem de família, raça; (4)termo usado em telecomunicação. A seguir, o professor perguntou se tinham mudado de opinião durante as discussões. Quase todos admitiram que tinham mudado de idéia pelo menos uma vez. O professor repetiu mais uma vez que havia somente uma resposta certa e perguntou se algum grupo tinha tanta certeza da resposta a ponto de arriscar a nota do semestre. Ninguém se moveu. “Por que não arriscam? Não têm certeza de que sabem a resposta?”

Os alunos quase gritaram em coro: “Não, porque não temos todas as informações necessárias!”

Lentamente, o professor assentiu e virou-se para o quadro. Com grande cuidado, tocou o ponto que colocara no final da frase e num movimento dramático moveu o giz para baixo, transformando o ponto numa vírgula. Ainda virado para o quadro, virou o rosto par ver o efeito da sua ação inesperada. Então, terminou a frase: “O grande tronco se movia, com a violência das chibatadas”.

Houve um murmúrio na sala. Nenhum grupo tinha acertado. Com o primeiro sorriso do dia, o professor fez uma pergunta crucial:

- Agora, quantos arriscariam a nota do semestre na resposta? – Todos ergueram a mão. – Que fator aumentou tanto sua confiança?

O aluno mais velho da classe, que raramente falava, resumiu o pensamento de todos:

- Finalmente temos todos os elementos necessários para a resposta. Antes tínhamos apenas uma palavra, e estávamos errados. Depois, conhecíamos apenas alguns fragmentos e ainda estávamos errados. Quando você escreveu “se movia”, muitos mudaram de opinião, pensando que finalmente tinham a resposta. Somente quando você escreveu a frase completa, soubemos toda a verdade.

O professor concordou. Sabia que a classe estava prestes a aprender uma lição estratégica.

- Bom. Deixe-me fazer uma pergunta: Quantos de vocês estão errados em suas respostas anteriores?

A resposta foi em coro:

- Todos!

- É verdade, todos estavam errados. Apesar dos intensos debates, todos estavam errados! Apesar de muitos estarem convictos de sua posição, não tinham as informações necessárias para se sentirem seguros. Não podemos ser dogmáticos sobre alguma coisa, a menos que tenhamos todas as informações.

Virando-se para o quadro, o professor acrescentou:

- Agora quero perguntar o que significa outra palavra.

O professor apagou a frase e escreveu a palavra “santidade” no lugar de “tronco”. Um lampejo de compreensão atravessou a sala. Naquele momento, tocou o sinal do término da aula. O professor largou o giz e disse:

- Certifiquem-se de que possuem todas as informações antes de tomarem uma decisão. Sorriu e caminhou para a porta. O único som que se ouvia eram os aplausos dos alunos, cujos corações tinham sido tocados pela verdade.

Em sua busca pela santidade, você sabe para onde está indo e o que está procurando? Você saberá quando alcançou seu alvo – não do seu ponto de vista, mas aos olhos de Deus? Afinal, santidade não é uma idéia humana, é uma idéia sobrenatural, vinda diretamente do trono de Deus.

Se está um pouco incerto, talvez decida ficar mais um pouco depois da aula. Lamento informá-lo de que o velho e sábio professor não está por perto… Você tem aqui apenas um homem que gosta de caminhar “através da Bíblia”...

 

I. SANTIDADE SIGNIFICA “SEPARAÇÃO”

 

O primeiro passo na busca é entender claramente o que Deus quer dizer com “santidade”. Esta palavra tem sido definida das formas mais variadas por indivíduos e denominações – envolvendo muita bagagem emocional, como o professor experimentou. O conceito básico de santidade, porém, é inquestionável, e é exposto pela primeira vez na Bíblia no episódio da sarça ardente: “Então disse [Moisés] consigo mesmo: Irei lá e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima? Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés, Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui! Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Exôdo 3:3-5”

Terra santa? Como a “terra” pode ser santa? Se Moisés pegasse um punhado de terra “profana” e comparasse com aquela, teria visto alguma diferença? Se na semana anterior tivesse passado por ali com seus rebanhos, a terra já seria santa? Ou se Moisés tivesse levado daquela terra para sua tenda, estudando seus grãos minuciosamente, teria descoberto alguma alteração na sua natureza, ou veria que se tratava da mesma velha terra do deserto? Desde que nada mudou na natureza da terra, por que o Senhor a classificou como “santa”?

1. A santidade pode estar na mente daquele que crê

Se você tivesse um daqueles enormes dicionários hebraicos ao alcance da mão, como eu tenho, descobriria rapidamente as respostas. Descobriria logo que a base do conceito de santidade está na palavra “separação”. A terra tornou-se santa simplesmente porque Deus a separou como o único local onde se revelaria a Moisés. Num sentido, todo o restante do deserto permaneceu profano porque Deus não escolheu outro local para sua conversa. Se Deus tivesse se movido alguns metros para o norte e falado de lá, aquela parte do deserto seria santa.

Amplie um pouco sua compreensão da santidade por meio de uma ilustração hipotética. Imagine que, depois de uma das grandes festas realizadas pelo rei Salomão, um dos sacerdotes chegasse em casa e dissesse à esposa: “Querida, preciso de uma nova faca sagrada para o templo. Nenhuma das que tenho lá tem um bom corte; você se importa se eu levar uma das nossas?” No momento em que o sacerdote a dedicasse ao serviço do Senhor, aquela faca comum se tornaria uma faca santa do templo.

A santidade pode descrever a “separação” na mente da pessoa com relação à faca, areia, uma cidade, ou muitas outras coisas. Chamo isso de “santidade mental”, desde que a separação ocorre somente no pensamento das pessoas. Por exemplo, além de a natureza da areia continuar a mesma, ninguém teria reconhecido aquela terra como “santa” se Deus não tivesse se revelado ali.

 

A santidade em nós é a cópia ou a transcrição da santidade de Cristo. Assim como a cera duplica cada detalhe do selo, e o filho tem a mesma aparência do pai, assim a santidade em nós é como a dele. Philip Henry

 

2. A santidade deve ser separação “de” e “para”, ou não é santidade

Santidade exige separação de uma coisa e separação para outra coisa. Pense sobre isso um instante e imediatamente se torna óbvio que não se pode ter uma sem a outra. Para que a faca se tornasse santa, tinha de ser separada da casa e separada para o templo. Novamente note que a natureza da faca não mudou para torná-la santa – somente a separação a tornou santa.

Santidade exige divisão. Até o momento de o sacerdote tirar a faca de sua casa, ela não poderia ser santa. Por que não? Porque estava com todas as outras facas, sem distinção. Antes de o Senhor escolher aquela parte do deserto para ali se revelar, ela não poderia ser chamada de santa. Santidade, então, exige afastamento. Santidade exige desconexão. Nesse sentido, para uma pessoa se tornar santa, tem de separar-se de algo, ou a santidade é impossível.

O segundo aspecto da separação requer que a faca se torne unida a algo. O sacerdote tirou-a da cozinha e colocou-a no templo. A santidade requer reconexão. A santidade requer adição. Novas pessoas, novas práticas ou novos alvos devem ser adicionados à sua vida, substituindo os antigos padrões profanos. Nós abandonamos nossos antigos caminhos profanos e buscamos os santos caminhos de Deus. Sem os dois aspectos da separação, a santidade bíblica não é possível. Separar “de”, sem separar “para” não representa a santidade bíblica. A santidade bíblica deve ter um “parar” seguido de um “começar”.

Aquele que crê deve fugir de algo e depois seguir atrás de algo. Note essas duas partes distintas em 2Timóteo 2:22: “Foge [separe-se], outrossim, das paixões da mocidade. Segue [separe-se para] a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.”

Sempre que uma pessoa buscar apenas a metade dessa equação, no final sua vida será abalada pela falta de equilíbrio e pelo engano. Em grande parte, a impressão negativa que as pessoas têm da santidade é resultado da ênfase exagerada em “fugir”. Santidade não é viver no mundo de “não”, mas abandonar o mundo de “não” para entrar no mundo do “sim!”

Se você não consegue olhar para trás em sua vida e identificar as áreas onde se separou ou se afastou, bem como as áreas onde acrescentou ou buscou, certamente neste momento está carecendo de santidade.

Por todo o Antigo e o Novo Testamento, o radical “santo” e todos os seus derivados são traduzidos por termos como separar, dedicar e consagrar. Qualquer que seja o contexto no qual sejam empregados, sempre estão fundamentados no conceito de “separação”.

O versículo-chave para nós é extraído de 1Pedro 1:15,16: “...segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”

Nesse versículo, vemos o chamado do Senhor para você, individualmente: o Senhor o chama para ser santo. Ele o convoca para se levantar da multidão, separar-se de e para ele, afastando-se de tudo aquilo que não é como ele, devotando-se totalmente a ele e à sua vida gloriosa. Em essência, a “santidade” prática para o cristão ocorre quando deixa para trás os padrões do mundo para tornar-se semelhante a Cristo, em seu caráter e conduta. Que seu coração se afaste de tudo aquilo que não é santo e busque tudo o que é.