" A VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO " Parte 2

16/08/2011 11:09

 História da Igreja - Parte 2

 

A VIDA DA IGREJA

A Igreja do primeiro século comumente se compunha de pequenos grupos de crentes espalhados por diferentes pontos do vasto Império Romano. Esses grupos se compunham de pessoas pertencentes às mais diferentes classes sociais, que iam desde o mais simples escravo até ao mais nobre e rico dos homens.

O Governo da Igreja

As igrejas primitivas eram autônomas, com governo próprio, que decidiam os seus negócios e resolviam os seus problemas. Os cristãos, insistentemente afirmavam que pertenciam à Igreja Universal, pois todos eram Um em Cristo, porém, nenhuma organização, como convenção, por exemplo, exercia controle sobre as demais congregações espalhadas por toda a parte.

Os primeiros apóstolos eram amados e respeitados como líderes espirituais, pela vida santa que manifestavam, e, de modo especial, em virtude da vivência que tiveram com Cristo. Por essa razão exerciam relativa autoridade sobre a Igreja, principalmente ao que tange à doutrinas, como se verifica na decisão tomada quanto aos cristãos gentios e a lei judaica, no Concílio de Jerusalém, registrado no capítulo 15 do livro de Atos dos Apóstolos. Paulo exercia autoridade sobre as igrejas da sua época em virtude da sua posição de apóstolo e do seu trabalho de fundação e extraordinário cuidado em favor dessas mesmas igrejas.

Além dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres ( Ef 4: 11), o Novo Testamento trata ainda de outra natureza de ministério comum à Igreja Primitiva. Diz respeito aos negócios humanitários e filantrópicos das congregações. Este era exercido pelos diáconos - homens de excelentes qualidades espirituais e morais. Eles dedicavam-se ao serviço de atendimento aos necessitados materialmente, enquanto que os demais membros do ministério se davam aos encargos da pregação e do ensino.

A Comunhão da Igreja

Um ponto marcante na vida da Igreja Primitiva, ponto que distingüia os cristãos dos pagãos, era a comunhão que os unia. Desse modo eles estavam presos uns aos outros pela mesma fé e pelo mesmo amor. Enfim, eram unidos em todos os apectos da vida cristã. Eles tratavam-se como "irmãos" e "irmãs" na fé em Cristo. Olhavam com especial cuidado os órfãos, as viúvas, os anciãos desamparados e os enfermos.

Não havia diferenças sociais dentro dessas igrejas. Escravos e senhores eram igualados diante de Cristo. As mulheres, antes marginalizadas pela sociedade pagã a que pertenciam, alcançaram posição de honra e de influência. Dentre tantas mulheres notáveis desse período da história da Igreja, podemos destacar Dorcas, da cidade de Jope. Era uma serva do Senhor que empregou todo o seu tempo trabalhando em benefícios dos necessitados, notadamente as viúvas e os órfãos. Podemos ainda nos lembrar de Febe, fiel cooperadora da igreja em Cencréia. Ela sempre esteve na vanguarda do serviço do Mestre ( Rm 16: 1,2 ).

O Gozo da Igreja

Os cristãos primitivos tinham gozo no amor de Deus o Pai; na comunhão do Cristo ressureto; no perdão total dos pecados e na certeza da vida eterna. Desconheciam, pois, as tristezas e horrores de uma vida morna, vazia e sem sentido, bem como o desespero que oprimia a muitos que os cercavam. Essas qualidades espirituais e morais dos cristão primitivos, ornavam e embelezavam o Evangelho, constituindo-se numa poderosa recomendação para o Cristianismo, promovendo o seu desenvolvimento.

A Crença da Igreja

A Igreja Primitiva não adotou declarações formais de fé. O chamado " Credo dos Apóstolos " apareceu somente no século II. Por isto, para conhecermos o que criam os primitivos cristãos, precisamos recorrer ao texto do Novo Testamento. Fazendo isto é que sabemos que eles:

1- Criam em Deus Pai, em Jesus Cristo o Filho, e também no Espírito Santo. Isto é, eles tinha consciência da presença da Trindade divina a inspirá-los na adoração e no serviço cristãos;

2- Criam que os pecados, uma vez confessados e abandonados, eram completamente perdoados;

3- Do ensino de Jesus, que pregava o amor a todos os homens, faziam a base do seu viver moral diário.

4- Aguardavam a volta de Jesus para executar o julgamento final sobre os ímpios e conduzir ao céu todos os que O seguissem;

5- Criam na ressurreição dos mortos e na intercessão de Cristo em favor do crente em suas fraquezas;

6- Todos os seus pensamentos sobre a vida espiritual tinham como centro a pessoa de Jesus Cristo.

A IGREJA PERSEGUIDA

Nunca faremos uma justa apreciação das conquistas da Igreja ao longo dos século se esquecermo-nos que elas foram alcançadas em meio à mais feroz perseguição. A partir de Nero ( 54 - 68 d.c ), o governo romano hostilizou tremendamente o Cristianismo. É que apesar do governo permitir a livre prática de diferentes religiões, o Cristianismo não era considerado uma religião, já que os cristãos devotavam suprema lealdade a Jesus Cristo, e só secundariamente às autoridades. Isto era mau aos olhos dos imperadores que impunham o Estado imperial como poder supremo e tinham a religião como uma forma de patriotismo.

Os deuses reconhecidos pelo Estado imperial eram cultuados com o objetivo de beneficiarem o governo e a nação. Assim, qualquer adepto de outra religião deveria prestar reverência aos deuses nacionais ao mesmo tempo em que observava o seu próprio culto. Mas neste particular, o Cristianismo era exclusivista, isto é, era a religião de um só Deus, e submissa a um só Senhor. Além disso, os cristãos declaravam a inutilidade dos deuses adorados pelo povo do Império e pelos próprios imperadores. De modo algum adoravam aos deuses romanos, apesar das ordens do Estado. Jamais colocariam César em igual posição, ou acima de Cristo.

Diante disso, podemos entender que aos olhos do governo romano o cristianismo abraçava um ensino desleal e perigoso para o Estado e para a sociedade. Por isso os cristãos foram acusados de anarquistas, sacrílegos, ateus e traidores.

As autoridades usavam de todos os meios para pôr à prova a lealdade dos cristãos, os quais eram trazidos a juízo e obrigados a participar das cerimônias da religião do Estado, da adoração das estátuas de Roma e dos imperadores. Quando os cristãos se recusavam a prestar esse culto, as autoridades os consideravam traidores. Era bastante alguém confessar: " sou cristão ", para tal testemunho constituir desobediência ao Estado.

Diante desse quadro desastroso, mais tarde confessou Tertuliano que os cristãos foram perseguidos pelo Império não por adorarem a Cristo, mas por adorarem só a Cristo.

EXTENSÃO DA IGREJA

Entre o ano 100 d.c. e o reinado de Constantino, o Cristianismo alcançou considerável progresso. É certo que nem tudo nos tem sido dado conhecer a respeito do assunto, principalmente por ter sido esse período em que a Igreja sofreu grande perseguição. Além do mais, boa parte da expansão do Cristianismo durante esse período, teve lugar não só através da obra de missionários dedicados exclusivamente à tarefa da evangelização, como também através de testemunhos de comerciantes, soldados e escravos que por uma ou outra razão viajavam pelas mais diferentes regiões do Império.

O Cristianismo se Impõe

O Cristianismo chegava a cada província de maneira humilde e obscura, mas logo crescia, tornava-se forte, e acabava por se impor como um organismo vivo em todos os segmentos da vastidão do Império. Em 313 d.c., o Cristianismo já era religião dominante na Ásia, região muito importante do mundo de então, como também na Trácia e na longíqua Armênia. A Igreja se constituíra numa influência civilizadora muito poderosa em Antioquia da Síria, na costa da Grécia e Macedônia, nas ilhas gregas, no norte do Egito, na província da África, na Itália, no sul da Gália e na Espanha.

Era menos forte em outras partes do Império, inclusive a Britânia. Era fraco, naturalmente, nas regiões mais distantes, como na Gália central e do norte.

Em todas essas regiões, a Igreja alcançou e conquistou para suas fileiras povos das mais variadas línguas, civilizações e costumes, que não faziam parte da civilização greco-romana. O Cristianismo já se mostrava mais envolvente e abrangente do que qualquer outra tradição cultural.

Não só os limites do Império foram alcançados pelo Cristianismo, mas até o leste da Síria e a Mesopotâmia receberam influência poderosa do Evangelho.

O Cristianismo introduziu-se em todas as classes sociais. Passara o tempo em que só se encontravam cristãos entre as classes paupérrimas e iletradas. Bom número de pessoas das classes mais altas e ricas vieram a integrar a Igreja. Era um grande número de cristãos que serviam como funcionários da corte imperial e entre os elementos mais importantes do governo. Não obstante haver na Igreja forte opinião de que o Cristianismo era incompatível com a profissão de soldado, eram muitos os cristãos que serviam no exército durante o século II. Era grande o número de soldados cristãos no exército de Diocleciano. Muitos homens de apurada cultura tornaram-se discípulos de Cristo. A classe mais poderosa no Cristianismo era, porém, constituída de artesãos, pequenos negociantes e proprietários de pequenas áreas de terra.

Meios de Crescimento da Igreja

Um dos meios de crescimento da Igreja nessa época, foram os diversos escritores literários do Cristianismo, que eram chamados " apologistas ". Aliás, isto afirma que, entre os elementos de projeção na sociedade, a Igreja vinha conquistando alguns intelectuais. Dentre os apologistas de maior expressão nessa época podemos destacar os nomes de Justino, Orígines e Tertuliano.

Justino escreveu vário livros, através dos quais explicou a verdade cristã como meio e respostas às indagações pagãs. Ele foi, pois, considerado um dos pioneiros do Cristianismo da metade do primeiro milênio da história da Igreja.

Tertuliano era advogado cartagenês. Era dotado de qualidades extraordinárias, de pensamento agudo, de linguagem vigorosa e elegante. Alimentava profundo interesse e zelo por Cristo e seus ensinos, o que dera-lhe forte influência sobre os opositores do Cristianismo em sua época.

O grande mestre Orígenes contribuiu efetivamente para a expansão do Cristianismo, tornando-o conhecido através dos bons livros que escreveu expondo as verdades evangélicas.

Devemos afirmar, porém, que a maior parte da obra que contribuiu poderosa e decididamente para espalhar a mensagem de Cristo foi realizada pelos cristãos idividualmente. Por suas vidas, especialmente pelo seu amor fraternal e também pelo amor aos descrentes; pela vida consagrada e cheia do Espírito Santo, pela fidelidade e coragem sob as perseguições, e pelo testemunho oral da história do Evangelho. Esses desconhecidos servos de Cristo trouxeram aos pés do Salvador a quase totalidade dos que foram ganhos para o reino de Deus.

PRIMEIRAS PERSEGUIÇÕES

A Igreja, desde a morte do seu fundador, sofreu perseguições, ora com maior intensidade, ora com menor. Geralmente essas perseguições eram provocadas pelos judeus fanáticos e nunca por uma autoridade romana. Até os gentios se levantaram algumas vezes contra os seguidores de Cristo. Antes do ano 64, não encontramos nenhuma referência histórica indicando as autoridades romanas como responsáveis por perseguições aos cristãos.

Nero, O Perseguidor

Nero, porém, viria quebrar essa linha de procedimento mantida pelos seus antecessores. Embora nos primeiros anos de seu reinado, o evangelho gozasse de relativa liberdade, possuindo até seguidores entre os altos funcionários do império e até mesmo entre os membros da própria casa imperial, no ano 55, Nero começou a sua escala de violência. Nesse ano, por ocasião de uma festa, Nero envenenou Britânico, seu irmão adotivo. No ano 60 mandou matar Agripina, sua própria mãe. Ordenou a morte de Otávia, sua esposa, para casar-se com Pompéia.

Perseguição aos Cristãos

No verão do ano 64, com o fim de reedificar Roma, Nero fez lançar fogo a um bairro da cidade, acusando então os cristãos como responsáveis por tão grosseiro crime. O que os cristãos sofreram em decorrência dessa falsa acusação, é narrado pelo célebre historiador Tácito:

" Em primeiro lugar foram interrogados os que confessaram; então, baseados nas suas informações, uma vasta multidão foi condenada, não tanto pela culpa de incendiários, como pelo ódio para com a raça humana. As mortes foram mais crueis pelo escárnio que as acompanhava. Alguns foram vestidos de peles e despedaçados pelos cães; outros morreram numa cruz ou nas chamas; ainda outros foram queimados depois do pôr do sol, para assim iluminar as trevas. Nero mesmo cedeu os seus jardins para o espetáculo, deu uma exibição no circo e vestiu-se de cocheiro; ora associando-se com o povo, ora guiando o próprio carro. Assim, ainda que fossem culpados ( o que não eram ) e merecendo a pena mais dura, tinha-se compaixão deles, pois parecia que estavam sofrendo a morte não para beneficiar o Estado, mas para satisfazer a crueldade de um indivíduo ". ( Anais, XV, 44 ).

Período de Maiores Perseguições

Temos afirmado que as grandes perseguições sofridas pelo Cristianismo nos três primeiros séculos da sua História, principalmente a partir do ano 64, foram movidas principalmente palas autoridades do Império Romano. A Igreja foi alvo de maiores perseguições no período que vai de Nero ( ano 64 d.c.) até Diocleciano ( ano 305 d.c.), como passaremos a mostrar.

Nero- No ano 64 d.c., ocorreu o grande incêndio que distruiu grande parte da cidade de Roma, na época a capital do Império Romano. O povo suspeitava que o próprio Nero tivesse feito isso, no entanto, para desviar as atenções voltadas para ele, acusou os cristãos de haverem provocado o incêndio, e por isso foram punidos duramente. Milhares deles foram mortos da maneira mais cruel. Entre eles, o apóstolo Paulo.

Domiciano- ( 96 d.c.). Esse imperador foi o autor de uma das maiores perseguições aos cristãos. Perseguiu e matou a muito deles sob a acusão de que eram ateus, por se recusarem a participar do culto ao imperador. Essa perseguição foi breve, porém violenta em extremo. Cristãos aos milhares foram mortos em Roma, na Itália, entre eles, Flávio Clemente, primo do próprio imperador. A sua esposa, Flávia Domicila, foi exilada. No governo de Domiciano o apóstolo João foi exilado na ilha de Patmos.

Trajano- ( 98 d.c.). Foi um dos melhores imperadores, mas achou que devia manter as leis do Império, mantendo o Cristianismo como religião ilegal. A Igreja era tida como uma sociedade secreta, o que as leis imperiais proibia. Não molestava os cristãos, porém, quando eram acusados, sofriam sérios castigos. Entre os que morreram durante o seu governo, estavam Simão, irmão de Jesus, bispo de Jerusalém, o qual foi crucificado no ano 107 d.c., e, Inácio, segundo bispo de Antioquia, o qual foi levado para Roma e lançado vivo às feras, no ano 110 d.c.

Adriano- ( 117 - 138 d.c.). Perseguiu os cristãos, mas com moderação e brandura. Entretanto, Telésforo, pastor da igreja em Roma, e muitos outros cristãos sofreram martírio. Apesar das perseguições nesse tempo, o Cristianismo alcançou marcante progresso em número de membros, riquezas, saber e influência na sociedade.

Antonino, o Pio- ( 138 - 161 d.c.). Este imperador de certo modo favoreceu o Cristianismo, mas sentiu que devia manter a lei que tratava da ilegalidade de um culto que não se reconhecia o valor dos deuses do Império. Houve, contudo, nesse período, muitos máritires, entre os quais se destaca Policarpo, discípulo do apóstolo João e um dos mais famosos Pais da Igreja.

Marco Aurélio- ( 161 - 180 d.c.). Como fez Adriano, Marco Aurélio considerava a manutenção da religião oficial do Império uma necessidade política. Mas num ponto foi diferente de Adriano: estimulou a perseguição aos cristãos. Foi cruel e bárbaro; o mais sangüinário depois de Nero.Milhares de cristãos foram decapitados e lançados às feras, entre os quais Justino, um dos mais famosos apologistas da Igreja. Sua ferocidade foi demasiada no sul da Gália. Diz-se que a tortura que os cristãos sofriam, sem darem qualquer demonstração de medo, era quase que inacreditável.

Sétimo Severo- ( 193 - 211 d.c.). Foi muito pesada a perseguição sofrida pela Igreja durante este governo. Os cristãos do Egito e norte da África, foram os que mais sofreram. Em Alexandria, muitos mártires eram diariamente queimados, crucificados ou degolados, entre os quais Leônidas, pai de Orígenes. Em Cártago, na África, Perpétua, senhora nobre, e sua filha escrava, Felicidade, foram mortas estraçalhadas pelas feras.

Maximino- ( 235 - 238 d.c.). Nesse período, muitos destacados líderes cristãos morreram. Orígenes só escapou porque conseguiu esconter-se, em tempo.

Décio- ( 249 - 251 d.c. ). Esse imperador decidiu resolutamente destruir o Cristianismo. Sua perseguição estendeu-se por todo Império e foi muito violenta. Multidões pereceram sob as mais cruéis torturas em Roma, no norte da África, no Egito e na Ásia Menor. A respeito dessa época, disse Cipriano: " O mundo inteiro está devastado ! "

Valeriano- ( 253 - 260 d.c.). Revelou-se mais severo do que Décio. Visava destruir o Cristianismo completamente. Nesse tempo, muitos líderes cristãos ilustres foram executados, entre eles, Cipriano, bispo de Cártago.

Diocleciano- (284 - 305 d.c.). Sob esse governo aconteceu a última perseguição imperial e a mais servera de todas. Estendeu-se por todo o Império. Durante os dez anos os cristãos foram caçados como feras pelas cavernas e florestas, queimados, lançados às feras, mortos pelos métodos mais cruéis. Foi um esforço diabólico determinado a abolir o Cristianismo.

AS ACUSAÇÕES CONTRA OS CRISTÃOS

O que nessa época se dizia acerca dos cristãos pode ser classificado em duas categorias: os rumores populares e as críticas por parte da classe culta.

Os Rumores Populares

Os rumores populares contra o Cristianismo baseavam-se em algo que os pagãos ouviam dizer ou viam os cristãos fazer, e então o interpretavam erroneamente. Por exemplo, os cristãos se reuniam no primeiro dia da semana para uma refeição comunitária, à qual só eram admitidos os batizados. Além disso, os cristãos se chamavam " irmãos " entre si. Partindo disso, muitos pagãos passaram a crer que os cristãos se reuniam para orgias em que se davam uniões incestuosas. Segundo os rumores, os cristãos comiam e bebiam até embriagarem-se, e então apagavam as luzes e davam vazão as paixões carnais.

Rumores outros totalmente irracionais de práticas religiosas absurdas, circulavam entre os pagãos concernentes aos cristãos. A mente doentia e pervertida dos pagãos e a inimizade que devotavam aos cristãos, abrigava tais rumores.

Outra estranha opinião que alguns seustentavam, era que os cristãos adoravam um asno crucificado. Antes disso esses inimigos afirmavam que os judeus adoravam um asno. Depois transferiram essa opinião aos cristãos.

Os Rumores da Parte dos Intelectuais

Como foi dito no princípio, haviam outras acusações que se faziam contra os cristãos, não por pessoas simples, mas, cultas, muitas das quais tinham algum conhecimento das doutrinas cristãs. Sob deversas formas, todas estas acusações podiam ser resumidas no seguinte: os cristãos eram pessoas ignorantes, cujas doutrinas, pregadas sob um verniz de sabedoria, eram em realidade tolas e contraditórias. Em geral, esta era a atitude adotada pelos pagãos cultos e de boa posição social. Para eles os cristãos eram gente desprezível.

Na época do imperador Marco Aurélio, Celso, um autor erudito, compôs contra os cristãos um tratado chamado " A Palavra Verdadeira ". Neste, Celso expressa o sentimento dos que, como ele, se consideravam sábios e de cultura refinada.

Contra esse tratado, Orígenes escreveu a obra " Contra Celso ", a baixo está um pequeno fragmento da obra:

" Em algumas casas privadas encontramos pessoas que trabalham com lã e com trapos e como sapateiros, isto é, pessoas incultas e ignorantes. Diante dos chefes de família, esta gente não se atreve a dizer uma só palavra. Mas assim que conseguem ficar a sós com os meninos da casa, ou com algumas mulheres tão ignorantes como eles, começam a lhes dizer maravilhas...Os que deveras querem saber a verdade, que deixem a seus mestres e seus pais, e se juntem com as mulheres e os meninos às habitações das mulheres, ou à oficina do sapateiro, ou à selaria, e ali aprenderão a vida perfeita ."

O PERIGO DAS HERESIAS

O Diabo, inimigo maior da Igreja, lançou mão de duas armas aparentemente infalíveis, com o propósito de destruí-la : a primeira, a fúria incontida dos judeus incrédulos e, posteriormente, a perseguição movida pelas autoridades do Império Romano. O sangue derramado pelos cristãos era tal qual semente lançada em terra fértil. Quanto mais a Igreja era perseguida, mas crescia e se fortalecia. O Diabo lançou mão da sugunda arma, a proliferação de ensinos heréticos, visando minar a fé dos crentes e a doutrina das Escrituras.

As multidões que se convertiam ao Cristianismo não aderiam à fé cristã livres da bagagem cultural. Pelo contrário, cada qual trazia para dentro da Igreja suas próprias experiências e seus próprios conhecimentos. Esta variedade cultural num certo sentido foi de grande valor para a Igreja e, em todos os casos era sinal da universalidade do Evangelho. Mas, por outro lado, esta situação sugeria a liberdade para que alguns começassem a oferecer suas próprias interpretações da fé cristã, e, à medida que isto acontecia, algumas dessas interpretações divergiam radicalmente da fé cristã. Este perigo era ainda maior diante do fato de que o mundo da época era acentuadamente sincretista, isto é: havia uma grande mistura de cultos oferecidos a uma mesma divindade.

A medida que o tempo passava, foi possível verificar que muitas pessoas buscavam não uma doutrina única, mas um sistema que de algum modo combinasse todas as doutrinas, tomando um pouco de cada uma. Dessa miscelânea surgiu aquilo que hoje é a monolítica Igreja Católica Romana, com suas cerimônias, ora a identifica-las com o Cristianismo, ora com o paganismo.

O que estava em jogo, portanto, não era simplesmente tal ou qual elemento do Cristianismo, mas sim, a questão fundamental: tinha ou não a nova fé uma mensagem única, e em que sentido era única essa mensagem. Desse conflito de interesses surgiram heresias as mas absurdas, como o Gnosticismo, Marcionismo, o Arianismo e algumas outras que tiveram início nesse período e que deram muito trabalho para os Pais da Igreja combater.