'PLENA CONFIANÇA EM DEUS"

10/06/2011 17:22

  

                               CONFIAVA EM DEUS: GEORGE MÜLLER

Certa vez fui corrigido por um irmão por ter usado a frase bíblica: "Havia naqueles dias gigantes na terra" (Gênesis 6:4) ao fazer alusão a certos irmãos de uma geração passada. Sem contestar a interpretação d'ele de Gênesis 6, não me arrependo da expressão. Quem olha para o início do assim chamado "Movimento dos Irmãos" no século 19 pode facilmente verificar que entre aqueles servos de Deus havia gigantes espirituais. Quando considero aquele grupo de irmãos, muitas vezes tem sido comentado que três deles exemplificam as virtudes cardeais da fé, a esperança e o amor (1 Cor. 13:13). Lógicamente, estes irmãos tinham outras virtudes (e algumas falhas também).

 

Falando de amor, logo vem a mente Robert Cleaver Chapman (1803 - 1902). Dizem que certa vez alguém lhe endereçou uma carta da seguinte maneira: "Robert C. Chapman, Universidade do Amor, Inglaterra". Foi entregue a ele pelos correios na remota cidade de Barnstable onde residia!

 

John Nelson Darby (1800 - 1882) era aquele que foi grandemente responsável por ressuscitar a grande verdade do arrebatamento pre-milenial e a qualquer momento da Igreja de Deus. Grande esperança e grande verdade!

 

O terceiro irmão era um homem conhecido mundialmente pela sua fé e assunto do nosso estudo.

 

Um jovem prussiano se encontra com o Senhor

 

George Müller estava perplexo. Nunca poderia ter imaginado que naquela noite de sábado de novembro de 1825 estaria assistindo a uma reunião dos crentes.

 

Nascera na Prússia (hoje parte da Alemanha) a 27 de setembro de 1805. Tinha vivido vinte anos bem longe das coisas de Deus, embora fosse estudante de teologia na Universidade de Hälle e estivera destinado ao ministério da Igreja Luterana. Vivia uma vida libertina e pecaminosa. Já tinha sido preso uma vez e em outra ocasião ficou doente como resultado direto dos excessos que praticara.

 

Todavia, nesta noite de inverno, quando percebeu, já estava entrando na casa de Sr. Wagner. Mais cedo fora convidado para assistir aquela reunião. Sem saber porque, aceitara o convite. Ao entrar chegou a pedir desculpas ao Sr. Wagner pela sua presença naquele grupo. Jamais esqueceu da resposta que recebeu: "Venha em qualquer ocasião que quiser. Casa e coração estão abertos para você".

 

A reunião começou. Todos se assentaram e cantaram um hino. Depois um se ajoelhou e fervorosamente pediu a bênção de Deus sobre o encontro. Jorge ficou impressionado. Um capítulo da Palavra de Deus foi lido e, devido a uma proibição do governo contra pregações em casas particulares, um sermão foi lido também. Depois de cantarem outro hino o dono da casa terminou em oração. Uma reunião das mais simples, mas, sem dúvida, o poder do Espírito de Deus estava presente, pois foi naquela noite que o jovem estudante Jorge Müller encontrou-se com Jesus Cristo e começou sua nova vida, uma vida que se tornou em bênção para milhares.

 

Redescobridor de Princípios Bíblicos

 

Depois da sua conversão, George se dedicou inteiramente ao serviço do Senhor.

 

Desejava ser missionário, e com esta finalidade, no início de 1829 mudou-se para Londres, onde se ligou à "Sociedade de Londres para a Promoção do Cristianismo entre os Judeus" (gostavam de nomes compridos naquela época!) No mesmo ano encontrou se com Anthony Norris Groves (1795 - 1853), um dentista da cidade de Exeter, que abandonara tudo para servir ao Senhor na Pérsia (hoje Iraque), sem salário fixo e sem estar ligado a nenhuma sociedade missionária, dependendo unicamente de Deus para sua direção e sustento. Através dos seus estudos nos Atos dos Apóstolos, Jorge chegou à conclusão que Groves tinha razão. Em janeiro de 1830 Jorge deixou a sociedade missionária. No mês seguinte foi convidado para se tornar pastor de uma igreja evangélica na cidade de Teignmouth. Se casou com Maria Groves, irmã de Antônio, que por quarenta anos foi-lhe uma companheira e ajudante fiel no trabalho de Deus.

 

Durante o tempo que passou em Teignmouth fez um estudo intensivo nas Escrituras e chegou a certas conclusões que pôs em prática em sua vida e na vida da igreja. A primeira decisão foi ser batizado como crente (Atos 8:37); doutrina esta que anteriormente não aceitara por estar influenciado pelo ensino luterano. Neste mesmo ano iniciou a Ceia do Senhor todos os domingos (Atos 20:7), dando liberdade para todos os irmãos participarem em oração e leitura da Palavra de Deus (1 Cor. 14:26). Mais no fim do ano, ele e a sua esposa resolveram não guardar dinheiro para necessidades não previstas, e assim passaram a depender inteiramente do Senhor. Seria este o padrão para o resto da sua vida.

 

No ano de 1832, George foi convidado pelo seu amigo HenryCraik (1805-1866) para ajudá-lo num novo trabalho na Capela Betsaida, situada na cidade de Bristol. Sentiu que era a vontade do Senhor que aceitasse e em maio de 1832 os Müllers se mudaram para Bristol.

 

Começando com 7 irmãos em 1832, no fim de 1834 a igreja já se encontrava com mais de 200 em comunhão e em 1866 mais de mil. Até 1898, quando Müller faleceu, existiam 7 igrejas em Bristol formadas daquela primeira igreja. Hoje, mesmo em dias de declínio espiritual, tem 16 igrejas na cidade que podem traçar a sua historia de volta para o trabalho iniciado por Müller e Craik. Pode ser argumentado que estas igrejas deviam o seu impulso inicial a um processo de "crescimento por transferência" e não por evangelismo pioneiro. Olhando para a situação da Inglaterra na segunda metade do século 19, não há como negar este fato, embora muitos também ouviram o Evangelho, creram , foram batizados e acrescentados à comunhão da igreja local. O que de mais interessante aconteceu em Bristol foi o progresso da prática nestas igrejas de princípios bíblicos para a igreja local. Podemos ressaltar duas coisas importantes:

 

A primeira é a autonomia administrativa da igreja local, sem existir controle denominacional. A assembléia deve ser governada pelos seus próprios anciãos sob o controle direto do Espírito Santo. Em segundo lugar, qualquer irmão que demonstrava ter um dom espiritual (seja o dom de pregação, o dom pastoral ou qualquer outro) era encorajado a desenvolver seu dom na igreja. Foi este ensino bíblico que causava (e continua causando) muita crítica entre uma classe clerical que confundiu dom com diploma. De fato, este entendimento do ensino da Palavra de Deus leva à abolição da idéia que uma igreja deve ser doutrinada e dirigida por um homem só, que possui o título de "o pastor".

 

O que importava para George Müller, Henry Craik e os demais irmãos em Bristol era a obediência à Palavra de Deus e não a continuação de qualquer tradição meramente humana, mostrando ao mesmo tempo o amor de Cristo para com todos os irmãos.

 

Um pai para o desamparado

 

No ano de 1834, George fundou a Instituição para o Conhecimento das Escrituras no País e no Estrangeiro, com o fim de ajudar na fundação de escolas, na circulação das Escrituras e no sustento de missionários. Dois princípios básicos foram adotados: não buscariam a ajuda de descrentes e não contrairiam débito algum. Esta instituição continua até hoje e tem sido ricamente abençoado por Deus.

 

Com o passar dos anos, aumentou a fé do servo de Deus através de sua vida de oração e contínua leitura da Palavra de Deus. Em novembro de 1835, começou a orar em relação à fundação de um orfanato. No dia 05 de dezembro ele escreveu no seu diário: "Esta noite, ao ler as Escrituras, fiquei impressionado com estas palavras: 'Abre bem a tua boca, e ta encherei' (Salmo 81:10). Até hoje não tinha orado acerca dos meios e pessoas necessários para o orfanato. Agora, sendo dirigido a aplicar este texto à obra do orfanato, me ajoelhei e pedi ao Senhor mil libras e pessoas capazes de cuidar das crianças". Uma reunião pública foi realizada quatro dias mais tarde. Em 11 de abril de 1836 o orfanato foi aberto numa casa alugada com dinheiro suficiente e com ajudantes à altura.

 

Foi apenas o início de um enorme empreendimento de fé. Desde o princípio Jorge recusou categoricamente fazer apelos, dependendo unicamente de Deus para o sustento das crianças. Uma vez por ano publicava um relatório das finanças do orfanato dando conta das ofertas recebidas. Através dos anos o orfanato passou por muitos apertos, mas jamais ficou sem a comida e sem as roupas necessárias. Tudo era providenciado por um bondoso Pai celestial. Houve anos em que o orfanato esteve em dificuldades financeiras na época de enviar o relatório. Nestas ocasiões, Jorge atrasava a sua publicação para não deixar transparecer as necessidades de dinheiro. Ele nunca fez dívidas e nunca usou finanças já designadas para certas finalidades a fim de cobrir outras necessidades.

 

O trabalho cresceu e outras casas foram alugadas. Em 1849 abriu-se a primeira casa própria do orfanato. Foi providenciado por Deus com acomodações suficientes para 275 crianças. Logo uma outra casa foi construída, depois uma outra, até possuírem cinco casas com acomodações para 2.500 crianças desamparadas, além dos ajudantes e empregados necessários.

 

Até 1898 mais de 10 mil crianças tinham passado pelo orfanato e mais de um milhão de libras esterlinas foi gasto nas despesas deste trabalho. Além disso, mais de 460.000 libras foram gastas nas atividades da Instituição para o Conhecimento das Escrituras. Todo este dinheiro o Senhor o providenciou por meio de ofertas (grandes e pequenas) do Seu povo. "Grande é a Tua fidelidade"       (Lamentações 3:23).

 

Viajante para Deus

 

Entre os anos de 1875 e 1892, George Müller e a sua segunda esposa fizeram muitas visitas em diversas países do mundo. Lembrando-nos que foi com 70 anos de idade quando ele começou a viajar e 87 anos quando terminou as suas viagens, consideramos isto extraordinário. Viajou mais de 320.000 km através de 42 países, incluindo Grã Bretanha, França, Alemanha, Itália, Suíça, Grécia, Rússia, Egito, Israel, Índia, China, Japão, Austrália, Nova Zelândia, os Estados Unidos e Canadá.

 

Estima-se que fez entre 5 e 6 mil pregações.

 

Tinha sete motivos para fazer estas viagens:

 

1. Para pregar o Evangelho.

2. Para levar os crentes à plena certeza da salvação.

3. Para levar os crentes de volta ao ensino da Bíblia.

4. Para promover o verdadeiro amor entre os irmãos.

5. Para fortalecer a fé dos crentes.

6. Para ensinar a separação do mundo.

7. Para estabelecer a esperança da vinda gloriosa do Senhor Jesus Cristo.

 

Sete ótimos motivos para impulsionar qualquer pregador!

 

O mui querido servo do Senhor passou seus últimos anos de vida em Bristol, pregando na região e ajudando no trabalho do orfanato. No dia 10 de março de 1898, com 92 anos de idade, foi chamado pelo Senhor, a quem servira por tanto tempo.

 

George Müller está com o Senhor há mais de 100 anos. Todavia o Deus de Müller ainda vive e ainda exige o melhor de cada um de nós.

 

Certa ocasião, quando alguém indagou a Jorge acerca do segredo do seu serviço, ele respondeu: "Houve um dia quando eu morri. Morri completamente. Morri para George Müller. Morri às suas opiniões, gostos e vontades. Morri ao mundo, a sua aprovação e a sua censura. Morri até à aprovação de meus irmãos e amigos. Desde então tenho procurado apenas ser aprovado por Deus."

 

No início do século 21, o Senhor Deus ainda procura adoradores e servos dispostos a pagar o mesmo preço. A tragédia das igrejas do Senhor nos dias de hoje, talvez seja pelo fato de haver tão poucos entre nós que se prontifiquem a oferecer o mesmo sacrifício         (Rom. 12:1).

 

 

VOCÊ ESTÁ DISPOSTO ?

 

Postado por Elio Loiola