" O QUE DEUS UNIU O HOMEM NÃO SEPARE. SERÁ QUE ESTE CONSELHO DE JESUS ESTÁ SENDO COLOCADO EM PRÁTICA PELOS SEUS DISCÍPULOS ? " Parte 1

14/10/2011 11:44

 

Perspectiva bíblica diante do aumento do divórcio entre os evangélicos - Parte 1
 
Julio Severo
 
O número de divórcios vem crescendo dramaticamente na sociedade. Esse crescimento mostra que muitos casais o consideram uma opção importante quando um casamento não vai bem.
No Brasil, um de cada quatro casamentos acaba em divórcio e nos Estados Unidos o problema atinge quase metade dos casamentos. Mas o que impressiona mais é que estudos mostram que os cristãos são tão vulneráveis ao divórcio quanto qualquer outra pessoa.
Todos os anos, milhares de cristãos decidem, por diversos motivos, terminar seu casamento. Um estudo realizado pelo Barna Research Group revela que o índice de divórcio entre os cristãos americanos está realmente um pouco mais elevado do que entre os que não são cristãos.
Entre os adultos que não são cristãos, 24 por cento estão atualmente ou já estiveram divorciados. Em comparação, 27 por cento dos crentes que acham que nasceram de novo estão nessa mesma situação.
Essa tendência prejudica o testemunho dos cristãos na sociedade.
Há a informação de que até os ateus estão, com alegria, utilizando o mesmo estudo para anunciar que quem não crê em Deus tem o índice mais baixo de divórcio.[1]
Embora pareça uma opção aceitável no caso de um casamento infeliz e tumultuado, o divórcio sempre deixa cicatrizes numa família. Filhos de pais divorciados muitas vezes desenvolvem depressão e ansiedades profundas de si mesmos, suas famílias e seus relacionamentos com os pais e amigos. O divórcio torna as crianças novas quietas e deprimidas e os adolescentes, revoltados, agressivos e até mesmo vulneráveis à delinquência e às drogas. Pesquisas também mostram que pessoas separadas e divorciadas sofrem mais sentimentos de infelicidade, solidão e doenças crônicas e agudas do que as pessoas casadas ou solteiras. [2]
Não há dúvida de que o divórcio é um mal que vem crescendo no meio das igrejas. Não há cristão que não conheça casal dentro da igreja se separando ou já separado. Os exemplos incluem até evangélicos em posição de liderança.
Não é fácil lidar com tudo o que está relacionado com o divórcio e o recasamento. Até mesmo estudiosos da Bíblia têm muita dificuldade para debater essas questões num nível teológico. Portanto, não é sem razão que haja opiniões e interpretações variadas. Tudo o que sabemos sobre os sentimentos de Deus é que ele declarou: “Odeio o divórcio”. (Ml 2:16) Fica
então uma pergunta intrigante:
Por que está aumentando entre os evangélicos algo que Deus odeia? Por isso, existe uma necessidade de abordar o assunto da forma mais bíblica possível e da forma mais próxima dos sentimentos de Deus, a fim de que mais casamentos possam ser preservados. Cabe, é claro, principalmente à liderança adquirir um conhecimento bíblico adequado a fim de aplicá-lo para proteger seus rebanhos das tendências que estão destruindo os casamentos no mundo.
Portanto, o estudo presente foi preparado para enriquecer nosso conhecimento sobre o assunto com uma visão breve no Novo Testamento (NT). O objetivo não é tratar dos complexos problemas que ocorrem depois que um casal evangélico já seguiu a tendência de divórcio ou recasamento. Tudo o que se pretende é chegar a uma perspectiva da Palavra de Deus que seja útil para os casais evangélicos, antes que eles pensem em seguir essa tendência.
 
O que a Bíblia diz?
 
O que o NT ensina sobre o divórcio? É comum hoje entender que em Mateus 19:9 Jesus permite o divórcio somente em situações de infidelidade conjugal. Mas, se essa interpretação for correta, como é que ficam os casos envolvendo violência doméstica e abandono?
Essa passagem na verdade trata de um problema relativamente comum entre os judeus daquela época: divórcio e recasamento. Geralmente, o judeu queria o divórcio a fim de poder se casar novamente.
O Antigo Testamento (AT) permitia essa possibilidade por razões mais amplas do que a infidelidade conjugal. É por isso que os apóstolos pareceram decepcionados com a posição “restritiva” de Jesus.
Contudo, Jesus tinha um jeito especial de lidar com situações complicadas. Quando os líderes religiosos judeus trouxeram uma mulher apanhada no ato de adultério diante de Jesus, a atitude dele foi extremamente inteligente. Em vez de se mostrar contra ou a favor, ele lhes deu uma resposta que os conduziu a uma profunda reflexão do estado de vida de cada um deles: “Quem estiver sem pecado, jogue a primeira pedra”. (Cf. Jo 8:2-11)
Na passagem sobre o divórcio, Jesus agiu da mesma forma, numa situação igualmente complicada. Ele respondeu aos líderes religiosos judeus de um modo que pudesse levá-los a refletir mais no que é o casamento diante de Deus. Ele disse: “Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério”. (Mt 19:9 NVI)
 
Os outros Evangelhos também citam a mesma passagem, mas não fazem nenhuma referência ao trecho em que Jesus menciona “exceto por imoralidade sexual”:
Em Marcos, Jesus diz: “Todo aquele que se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério contra ela”. (Mc 10:11 NVI)
Em Lucas, Jesus diz: “Quem se divorciar de sua mulher e se casar com outra mulher estará cometendo adultério, e o homem que se casar com uma mulher divorciada estará cometendo adultério”. (Lc 16:18 NVI)
Por que parece haver tal contradição nas declarações de Jesus nos Evangelhos? Por que Mateus resolveu tratar do assunto de modo diferente? Enquanto em Marcos e Lucas Jesus parece ser categoricamente contra o recasamento, em Mateus ele mostra que há uma situação especifica em que um homem ou mulher pode se divorciar e casar novamente. Em outras palavras, somente a imoralidade sexual permite essa possibilidade. Como explicar essa diferença de ensino?