APOLOGIA ÀS DOUTRINAS DE CRISTO

 Calvinismo, Arminianismo e a teologia da Expiação
A pergunta é: 
 
Por quem Cristo morreu? Somente pelos eleitos ou por todos?
 
A Natureza da Expiação
 
Antes de abordar o assunto, devo referir-me brevemente à natureza da expiação. Como a maioria dos calvinistas, os arminianos reformados creem na “visão da satisfação penal” da expiação. Esta é uma expiação verdadeiramente “vicária” – substitutiva. Jesus verdadeiramente sofreu na cruz a penalidade pelos nossos pecados. Ele suportou a ira de Deus em nosso lugar. 2Co 5.21 diz, “Ele o fez pecado por nós”. Ele foi punido na cruz pelos nossos pecados, embora ele não tenha cometido nenhum pecado.
Digo isto porque existe uma corrente histórica do Arminianismo que ensina, na verdade, o que é chamado de “visão governamental” da expiação, desenvolvida por um dos seguidores posteriores de Armínio chamado Hugo Grotius. Grotius dizia que Jesus morreu para sustentar o governo justo de Deus do mundo. Nesta perspectiva, a expiação é um testemunho de que o pecado exige perdão, não punição; Jesus morreu pelos nossos pecados, mas não para suportar a pena dos nossos pecados. Eu recomendo um capítulo no livro do Sr. Forlines, The Quest for Truth[2] (A Busca pela Verdade), sobre este assunto.
 
Razões para Crer na Expiação Universal
 
O Arminianismo insiste que Jesus morreu por cada pessoa na história do mundo: que Deus tanto amou o mundo, e não apenas os eleitos, que deu o seu único Filho pelos pecados do mundo. Isso às vezes é chamado de expiação ilimitada, expiação universal ou expiação geral. (Os batistas calvinistas costumavam ser chamados de “batistas particulares”, enquanto todos os batistas arminianos costumavam ser chamados de “batistas gerais”.)
A expiação universal se encaixa nas declarações bíblicas de que Deus quer a salvação de todos, especialmente 2Pe 3.9 e 1Tm 2.4. Seria estranho, na verdade, se Deus realmente quisesse ou desejasse a salvação de todos, mas enviasse o seu Filho para morrer somente pelos eleitos! Faz muito mais sentido que Deus tenha providenciado uma oportunidade para todos, visto que Ele deseja a salvação de todos.
A expiação universal é logicamente exigida pelas passagens que fazem referência à condenação de pessoas por quem Cristo morreu, especialmente 1Co 8.11 e Rm 14.15. Esses dois textos lidam com o mesmo problema: por um comportamento descuidado pode-se ameaçar o bem-estar espiritual de um irmão ou irmã em Cristo. E isso aumenta o perigo de que alguém por quem Jesus morreu possa finalmente perecer. Nesse caso, é claro que ele não morreu apenas pelos eleitos.
A propósito, isto está relacionado com a teologia da apostasia. Se uma pessoa regenerada realmente pode apostatar e se perder, então alguém por quem Cristo morreu pode perder-se. Se Jesus não morreu pelo apóstata, ele nunca poderia ter sido salvo em primeiro lugar!
A expiação universal se encaixa no fato que a Bíblia oferece salvação a todos e nos obriga a pregar o evangelho a todos.
Que a Bíblia apresenta a oferta como universal é evidente em todas as passagens que dizem “quem quiser”, como Ap 22.17 e Jo 3.14, 15; compare Jo 12.32: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim”.
Que a Bíblia nos ordena a pregar o evangelho – apresentar esta oferta – a todos é igualmente claro em passagens como Mc 16.15. Rm 1.14-16 mostra que Paulo plenamente percebia isto como sua obrigação, visto que “o evangelho é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”.
Os calvinistas não negam que a Bíblia oferece a salvação a todos e que somos responsáveis por pregar a oferta do evangelho a todos. Porém, eu acho que eles não conseguem ser logicamente consistentes aqui: a salvação não pode ser verdadeiramente oferecida a alguém por quem Cristo não morreu. Suponha que eu diga a uma criança paralítica, “Se você apenas estender a sua mão para pegar, darei este doce a você”. Isso me soa mais como zombaria do que uma “oferta”!
A expiação universal se encaixa melhor no fato que os incrédulos são culpados, na Bíblia, não apenas por seus pecados mas pela sua rejeição de Cristo e da salvação oferecida nele pelo evangelho. Considere Jo 3.18 ou 1Jo 5.10, 11, como exemplos. Nesta última referência, o ponto é que aquele que não crê, rejeitou, na verdade, o testemunho do próprio Deus, tornando-o um mentiroso. E qual é esse testemunho? Que ele nos deu a vida eterna em seu Filho. Mas se Jesus não morreu por aqueles que finalmente não creem nele, então Deus não deu testemunho de que ele proporcionou a vida eterna a eles e eles não rejeitaram o testemunho de Deus!
A Bíblia claramente culpa os pecadores por rejeitar o evangelho. Isso deve significar que a oferta é genuína, que Jesus realmente morreu por eles.
A expiação universal explica melhor aquelas escrituras que falam da provisão de Deus como correspondendo às necessidades humanas. A melhor passagem aqui é Rm 3.22-25, onde Paulo fala da justiça que está disponível, pela fé em Jesus Cristo, a todos e sobre todos os que creem. Ele corrobora esta afirmação com rigorosa lógica dizendo:
– Porque não existe diferença
– Porque todos pecaram e estão afastados da glória de Deus
– Sendo justificados gratuitamente pela sua graça através da redenção que está em Cristo Jesus.
A frase “sendo justificados gratuitamente pela sua graça através da redenção que está em Cristo Jesus” modifica o mesmo “todos” que Paulo diz “todos pecaram”. Todos pecaram; todos têm acesso à justificação com base na obra redentora de Cristo. A provisão corresponde à necessidade.
Finalmente (no livro eu cito nove argumentos), a Bíblia claramente ensina que Jesus morreu por todos e não apenas por um número escolhido. Considere 1Jo 2.2; 1Tm 2.6; Hb 2.9; Jo 3.16-18, 2Co 5.14, 19; Rm 5.18, Tt 2.11. Como o Dr. Vernon Grounds ironicamente disse: “É preciso talento exegético… para esvaziar estes versículos de seu significado óbvio”.
 
Argumentos Calvinistas
 
Você precisa conhecer algumas coisas que os calvinistas dizem em oposição.
Os calvinistas apontam para os versículos que dizem que Jesus morreu pelo seu povo ou pela igreja e os interpretam como significando que ele morreu somente pelo povo escolhido de Deus. Estes incluem Mt 1.21; Jo 15.13; Jo 10.15, Ef 5.23-26; At 20.28; Tt 2.14; e outros.
Nós cremos em ambos os grupos de versículos: ele morreu por nós e ele morreu por todos. Se ele morreu por todos, isso nos inclui.
Considere Gl 2.20: Paulo diz que Jesus “me amou e se entregou por mim”. Obviamente, isso não significa que Jesus não se entregou por ninguém mais. Da mesma forma, os versículos que falam de Jesus morrendo por nós, pela igreja, pelo povo de Deus, não significam que ele não morreu por ninguém mais.
Os calvinistas geralmente alegam que “todos” – nas passagens que dizem que Jesus morreu por todos – não significa realmente cada uma ou todas as pessoas na história do mundo. Ao invés disso, elas querem dizer que Deus quer a salvação dos eleitos entre todos os povos, classes e grupos étnicos na sociedade: Deus ama e salva os eleitos, sejam eles judeus ou gentios, de uma nação ou de outra, ricos ou pobres, jovens ou velhos.
Eu penso que essas tentativas deixam de lidar de forma séria com esses versículos, e para concluir quero enfatizar 1Jo 2.2.
1Jo 2.2
Este versículo é um bom exemplo da última razão, acima, para a expiação universal: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro”.
O que João quer dizer com “mundo”? Ele usa esta palavra 23 vezes nesta breve carta, indicando consistentemente o próprio oposto do povo de Deus. Considere 2.15-17; 3.1, 13; 4.1-5; 5.4, 5, 19. O povo de Deus e “o mundo” são dois povos diferentes, hostis entre si. Certamente João usa “mundo” em 2.2 da mesma maneira e não como uma referência ao restante dos eleitos no mundo.
As outras passagens nesta carta onde “nós” ou “nos” se encontra em comparação com “o mundo”, como aqui em 2.2, também torna isso claro. Há quatro dessas passagens: 3.1; 4.5, 6; 5.4, 5 e 5.19: “Nós somos de Deus, e o mundo inteiro jaz no maligno”. Isto estabelece o ponto acima de qualquer argumentação. “Nós” e “o mundo” são dois reinos diferentes. Mas não devemos ter orgulho: Jesus morreu não somente por nós, mas por aqueles que nos odeiam; não somente por nós, mas por aqueles que estão nas garras do maligno. Não somente por nós, mas pelo mundo ímpio que o rejeitou.
E é, portanto, nossa responsabilidade dizer a esse mundo que ele morreu por eles.
 
[1] Nota do Tradutor: Robert E. Picirilli. Grace, Faith, Free Will, Contrasting Views of Salvation: Calvinism and Arminianism (Graça, Fé e Livre-Arbítrio, Contrastando Visões da Salvação: Calvinismo e Arminianismo) (Nashville: Randall House, 2002).
[2] Nota do Tradutor: F. Leroy Forlines. The Quest for Truth: Answering Life’s Inescapable Questions (A Busca pela Verdade: Respondendo as Questões Inevitáveis da Vida) (Nashville: Randall House, 2001).
                      O Livro da Vida e a salvação
          

Muita discussão tem sido feita sobre se um salvo pode ou não pode perder a salvação, se ele pode ou não pode ter seu nome riscado no livro da vida. Deixarei essa discussão para depois. Por hora, cabe abordarmos a questão sobre quando que estes nomes são escritos no livro, que é o que nos interessa neste capítulo sobre a predestinação.

Para os calvinistas, é óbvio que Deus escreve desde antes da fundação do mundo, pois ele os predestina antes da fundação do mundo. Calvino, por exemplo, disse enfaticamente que nós “não devemos duvidar que Deus tenha registrado os nossos nomes antes que o mundo fosse feito”[1]. Já para os arminianos, isso ocorre somente a partir do momento da conversão do indivíduo, não porque Deus não saiba que ele irá se converter, mas porque ele respeita as livres decisões do homem, que pode escrever sua própria história[2].

A pergunta que fica é: a Bíblia diz que os nomes começam a ser escritos no livro desde a fundação do mundo (arminianismo) ou antes da fundação do mundo (calvinismo)? O apóstolo João nos responde a isso, no Apocalipse:

“A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, ainda que é” (Apocalipse 17:8)

Comentando este texto, o pastor Ciro Sanches disse:

“Há uma enorme diferença entre antes da e desde a. No grego, o termo apo significa ‘a partir de’. Segue-se que a expressão ‘desde a fundação do mundo’ denota que os nomes dos salvos vêm sendo inseridos no livro da vida desde que o homem foi colocado na terra fundada, criada por Deus (Gn 1), e não que haja uma lista previamente pronta antes que o mundo viesse a existir”[3]

Se os nomes começam a ser escritos no livro da vida desde a fundação do mundo, isto é, a partir daquele momento, então eles não foram já previamente escritos antes dele, como cria Calvino e como creem os calvinistas. E se os nomes dos salvos não são escritos antes da fundação do mundo, então eles não foram definidos por Deus na eternidade, em uma predestinação e escolha arbitrária de indivíduos.

Antes da fundação do mundo foi definido que quem cresse em Cristo seria salvo (eleição corporativa), e não quem individualmente creria. Individualmente falando, o nome de cada pessoa só é escrito quando ela se converte, porque nada foi definido de antemão a respeito dela.

[1] Sermão sobre a Eleição, p. 7. Disponível em:

[2] Lembremos mais uma vez que a presciência de Deus não é causativa. O que causa os acontecimentos são as escolhas do homem. Por isso, embora Deus saiba quem irá ser salvo e quem irá se perder, ele decide escrever os nomes no livro somente a partir do momento da conversão de cada um, que é quando de fato alguém passa a ser salvo.

[3] ZIBORDI, Ciro Sanches. Depois de salvo, alguém pode ter o nome riscado do livro da vida? Disponível em:

Extraído do livro “Calvinismo X Arminianismo: quem está com a razão?”,  Banzoli, cedido pela comunidade de arminianos do Facebook

 

 

               O sal perde o sabor e o crente a salvação?

 “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens” (Mateus 5.13)

“O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros” (Marcos 9.50)

As palavras acima deixam claro que é possível que o sal perca seu sabor, de modo que não possa mais ser restaurado. Obviamente, Jesus não estava preocupado com o sal, mas estava fazendo uma analogia com os crentes, que ele disse que são “o sal da terra” (Mt.5:13), Mas, ao invés de dizer que este sal nunca poderá perder seu sabor ou deixar de ser salgado (o que indicaria logicamente a perda da salvação), ele diz exatamente o contrário, confirmando, mais uma vez, que uma vez salvo não é, necessariamente, salvo para sempre.

O termo “restaurar” nos mostra que a referência é a pessoas que uma vez foram salvas, pois se o texto estivesse falando de falsos convertidos que nunca foram salvos de verdade ele nunca teria empregado a palavra “restaurar”, que induz ao fato de que já foram transformados uma vez. Eles não poderiam “perder” o sabor se já não tivessem tido o sabor. Se Jesus estivesse falando de falsos convertidos, ele não teria dito que eles eram o sal da terra, mas que pareciam ser o sal da terra. Mas o texto transmite a ideia de algo real, de alguém que realmente foi salvo uma vez.

Além disso, o mundo não é “sal”, e nem pode ser considerado “bom”, como Jesus disse em relação ao sal (Mc.9:50). O sal é, então, claramente uma figura dos crentes fieis. Mas Jesus também disse que esse sal pode perder o seu sabor e nunca mais ser restaurado, que não servirá para nada e que será jogado fora e pisado pelos homens (Mt.5:13).

Isso é nitidamente um retrato da condenação de pessoas que se perderam. É difícil imaginar que Jesus estivesse dizendo que pessoas ainda salvas não servissem para nada, não pudessem ser restauradas e seriam pisadas pelos homens. Isso a Bíblia sempre fala em relação aos descrentes, nunca aos crentes. Em Malaquias, por exemplo, Deus disse:

“Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha, e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo. E pisareis os ímpios, porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que farei, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 4:1-3)

Os que são “pisados”, portanto, se refere aos ímpios que serão condenados no juízo. Jesus não estava inventando ou acrescentando nada que já não tivesse sido claramente dito por Deus acerca dos ímpios e que era muito bem conhecido pelos judeus. Eles sabiam perfeitamente que o “pisados pelos homens” era uma referência à condenação dos ímpios descrita em Malaquias, onde exatamente esta mesma linguagem havia sido empregada.

Portanto, por consequência lógica essa associação demonstra que o “sal” não apenas “perde uma recompensa”, mas incorre na mesma condenação dos ímpios, e isso só pode ocorrer por ter perdido a salvação, já que ele realmente era um “sal da terra” antes, e não um falso convertido. A possibilidade da perdição foi aberta, então ela pode acontecer.

Extraído do livro “Calvinismo X Arminianismo: quem está com a razão

 

                               Calvinismo: um decreto horrível

                                                          

“Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la” (TOMÁS DE AQUINO)

Eu sempre fui ensinado, desde criança, que o calvinismo era um erro teológico. Mas isso foi só até a época em que eu passei a estudar melhor o assunto. Depois que comecei a ler os escritos de Calvino, descobri que eu estava enganado. Não, o calvinismo não era apenas um erro teológico: era um ensino terrível e assombroso, como o próprio Calvino admitiu, quando disse: “certamente confesso ser esse um decretum horribile”[1].

Por que Calvino chamou sua doutrina do decreto divino de “horrível” ou “espantosa”? Porque ele sabia que, se levada às suas consequencias irredutíveis, sua doutrina transformaria Deus em um mostro moral que predestina todos os acontecimentos maléficos da humanidade, que faz dos seres humanos marionetes nas mãos de um Criador que faz acepção de pessoas, que só ama os eleitos e que não deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade.

Um deus que predestina alguns para a salvação e outros para um tormento eterno. Que criou seres pré-ordenados a sofrerem eternamente. Que criou o mal e que ordenou o pecado. Que determinou cada evento que aconteceria neste planeta, inclusive esposas que seriam espancadas por seus maridos, crianças estupradas por pedófilos, genocídios, Holocausto, tortura, assassinato. Um deus que, como disse Olson, “só pode ser temido e mal pode ser diferenciado do diabo”[2]. E o pior: que faz tudo isso para a sua glória!

Como disse Dave Hunt:

“Todos os argumentos dos calvinistas possuem um propósito: provar que Deus não ama a todos, isto é, provar que Cristo não morreu por todos, provar que Deus não é bondoso com todos. E que, na verdade, Ele se agrada em mandar multidões para o inferno. Que amor é este?”[3]

Além disso, a teologia calvinista nos leva a outros problemas. Por exemplo: por que eu oraria para um descrente ser salvo? Se ele foi predestinado por Deus para ser salvo (e essa predestinação é fatalista e a graça é irresistível), então não há qualquer necessidade de eu orar para que esse descrente seja salvo, pois ele será salvo de qualquer jeito. Mas, se ele não foi predestinado (o que significa que ele foi predestinado para a perdição), então qualquer oração que eu faça por ele será completamente inútil, pois ele já estaria pré-ordenado para ir para o inferno e não haveria nada que alguém pudesse fazer para reverter isso. Ou seja: a oração seria inútil de um jeito ou de outro.

A mesma coisa se aplica a missões: para que sair daqui para pregar o evangelho na África ou na Ásia em países perseguidos se aqueles que foram predestinados serão salvos de qualquer jeito? E, se não foram predestinados, não será a minha pregação que irá mudar isso. Ou seja: a oração e a pregação seriam completamente inúteis, sem sentido lógico de existir – de acordo com o método calvinista.

Por outro lado, se Deus não determinou tudo o que irá acontecer – embora saiba tudo o que irá ocorrer –, então a oração e evangelização são absolutamente necessárias. Então vidas podem ser salvas se orarmos, e perder-se pela falta de oração. Então almas podem ser ganhas para Cristo se formos pregar onde Cristo não é pregado – vidas essas que poderiam não ser salvas se não fôssemos pregar. Isso dá sentido à vida cristã. Faz com que a prática do evangelho não seja algo inútil e sem razão de ser. Ou, para ser mais claro, isso é ser arminiano.

Calvinistas admitem tudo isso? Nem todos. Eles disfarçam isso em meio à sua teologia, mascarada sob o nome de “soberania divina”. Assim, eles pretendem dizer que todos aqueles que não creem no calvinismo não creem na soberania de Deus ou na graça soberana. Fazem verdadeiros espantalhos da teologia arminiana[4], comparando-a ao pelagianismo, ao semipelagianismo e ao romanismo[5]. Tudo isso para encobrir as conclusões que se chegam através de sua própria teologia.

Como disse Jerry Walls:

“O debate entre calvinismo e arminianismo não tem sua ênfase na liberdade, mas na bondade de Deus. O arminiano defende, em primeiro lugar, não a liberdade humana, mas a bondade divina, que o calvinista parece afogar em nome da soberania”[6]

Aqui um calvinista poderia alegar: “Mas você está fazendo um espantalho da doutrina calvinista. Ela não ensina isso!”. De fato, muitos calvinistas, quando refutados por arminianos, se defendem dizendo que “o calvinismo não ensina isso”. Em um debate televisivo, o pastor presbiteriano Welerson Alves Duarte disse: “Muitas críticas e argumentos que nós ouvimos contra o calvinismo, na verdade não tratam de calvinismo. Um espantalho é criado e conceitos que nenhum calvinista defende são apresentados como se fosse calvinismo, e então fica fácil argumentar contra a outra parte”[7].

Para evitar que um calvinista use tal argumento contra este livro, dizendo que certa afirmação não representa o que é crido no calvinismo, farei questão de expor mais de duas centenas de citações de Calvino e outras centenas de citações de outros autores calvinistas famosos ao longo de todo o livro.

Uma análise meticulosa nos escritos de Calvino nos mostra claramente que ele era muito mais “calvinista” do que se imagina, e que os calvinistas extremados têm razão em se dizerem os verdadeiros seguidores da sua doutrina. Embora muitos hoje tentem suavizar os ensinos de Calvino, o próprio Calvino não suavizou sua doutrina nem um pouco, mas foi bem aberto em dizer, por exemplo, que o assassino mata os inocentes por um decreto de Deus:

“Imaginemos, por exemplo, um mercador que, havendo entrado em uma zona de mata com um grupo de homens de confiança, imprudentemente se desgarre dos companheiros, em seu próprio divagar seja levado a um covil de salteadores, caia nas mãos dos ladrões, tenha o pescoço cortado. Sua morte fora não meramente antevista pelo olho de Deus, mas, além disso, é estabelecida por seu decreto”[8]

Ou então que Deus deseja os roubos, os adultérios e os homicídios:

“Mas, replicarão, a não ser que ele quisesse os roubos, os adultérios e os homicídios, não o haveríamos de fazer. Concordo. Entretanto, porventura fazemos as coisas más com este propósito, ou, seja, que lhe prestemos obediência? Com efeito, de maneira alguma Deus não no-las ordena; antes, pelo contrário, a elas nos arremetemos, nem mesmo cogitando se ele o queira, mas de nosso desejo incontido, a fremir tão desenfreadamente, que de intento deliberado lutamos contra ele”[9]

Ou então que o único motivo pelo qual os crimes acontecem é pela administração de Deus, e que os próprios homicidas e malfeitores são meros instrumentos nas mãos de Deus para praticar tais atos horrendos:

“Os crimes não são cometidos senão pela administração de Deus. E eu concedo mais: os ladrões e os homicidas, e os demais malfeitores, são instrumentos da divina providência, dos quais o próprio Senhor se utiliza para executar os juízos que ele mesmo determinou. Nego, no entanto, que daí se deva permitir-lhes qualquer escusa por seus maus feitos”[10]

Ou então que Deus lança os infantes a uma morte eterna por causa de um decreto horrível, porque assim lhe pareceu bem:

“De novo, pergunto: donde vem que tanta gente, juntamente com seus filhos infantes, a queda de Adão lançasse, sem remédio, à morte eterna, a não ser porque a Deus assim pareceu bem? Aqui importa que suas línguas emudeçam, de outro modo tão loquazes. Certamente confesso ser esse um decretum horribile. Entretanto, ninguém poderá negar que Deus já sabia qual fim o homem haveria de ter, antes que o criasse, e que ele sabia de antemão porque assim ordenara por seu decreto”[11]

Ou então que Deus não só permite, mas incita os ímpios às maldades contra nós:

“A suma vem a ser isto: que, feridos injustamente pelos homens, posta de parte sua iniquidade, que nada faria senão exasperar-nos a dor e acicatar-nos o ânimo à vingança, nos lembremos de elevar-nos a Deus e aprendamos a ter por certo que foi, por sua justa administração, não só permitido, mas até inculcado, tudo quanto o inimigo impiamente intentou contra nós”[12]

Ou então que o pecado dos ímpios provém de Deus:

“Que os maus pequem, isso eles fazem por natureza; porém que ao pecarem, ou façam isto ou aquilo, isso provém do poder de Deus, que divide as trevas conforme lhe apraz”[13]

Ou então que a própria Queda de Adão foi preordenada por Deus:

“A Queda de Adão foi preordenada por Deus, e daí a perdição dos réprobos e de sua linhagem”[14]

Ou então que essa Queda e a condição depravada do ser humano ocorreram pela vontade de Deus:

“Quando perecem em sua corrupção, outra coisa não estão pagando senão as penas de sua miséria, na qual, por sua predestinação, Adão caiu e arrastou com ele toda sua progênie. Deus, pois, não será injusto, que tão cruelmente escarnece de suas criaturas? Sem dúvida confesso que foi pela vontade de Deus que todos os filhos de Adão nesta miserável condição em que ora se acham enrodilhados”[15]

Ou então que o homem caiu (no pecado) porque Deus assim achou conveniente:

“Além disso, sua perdição de tal maneira pende da predestinação divina, que ao mesmo tempo há de haver neles a causa e a matéria dela. O primeiro homem, pois, caiu porque o Senhor assim julgara ser conveniente. Por que ele assim o julgou nos é oculto”[16]

Se você não concorda com esses ensinos absolutamente repudiáveis, você pode ser qualquer coisa, menos um calvinista – ainda que pense que é um[17].

[1] Institutas, 3.23.7.

[2] OLSON, Roger. Teologia Arminiana: Mitos e Realidades. Editora Reflexão: 2013, p. 142.

[3] David Hunt. Que amor é este? A falsa representação de Deus no calvinismo. Parte 1/2. Disponível em:

[4] Um “espantalho” é quando se pretende refutar uma tese contrária pervertendo aquilo que é realmente ensinado pela oposição. Por exemplo: o arminianismo crê na soberania de Deus, mas um calvinista afirma que os arminianos não creem na soberania divina e, em seguida, passa a provar biblicamente que Deus é soberano. Ele não está refutando a verdadeira teologia arminiana, mas está batendo em um espantalho montado por ele mesmo, já que os arminianos creem na soberania divina, e, portanto, argumentar em favor dela não refuta nada da verdadeira teologia arminiana.

[5] Iremos abordar estes conceitos com mais profundidade no capítulo seguinte do livro.

[6] Jerry L. Walls. Jerry Walls on Reformation, Free-will and Philosophy. Disponível em: . Acesso em: 09/01/2014.

[7] Pr. Welerson Alves Duarte. Se a predestinação calvinista não é correta, como entender Romanos 9? Disponível em: . Acesso em: 09/01/2014.

[8] Institutas, 1.16.9.

[9] Institutas, 1.17.5.

[10] Institutas, 1.17.5.

[11] Institutas, 3.23.7.

[12] Institutas, 1.17.8.

[13] Institutas, 2.4.4.

[14] Institutas, 3.23.7.

[15] Institutas, 3.23.4.

[16] Institutas, 3.23.8.

[17] Essas são apenas algumas citações de um todo muito maior que iremos passar ao longo de todo este livro. Elas nos mostram que Calvino não tinha qualquer receio em dizer abertamente aquelas coisas que seus seguidores calvinistas de nossos dias dizem que são “espantalhos”, porque, em muitos casos, eles mesmos se escandalizam com a teologia do verdadeiro Calvino, pois sabem que é absurda se levada a sério.

Extraído do livro “Calvinismo X Arminianismo: quem está com a razão?”, cedido pela comunidade de arminianos do Facebook

 

O que acontece entre a morte e o Juízo Final?

      

Mateus 16.28: Quando virá o Reino de Deus?

O Templo de Salomão

O “in dubio pro reo” de Deus

Uma oração para as missões mundiais

cemiterio00003

O que acontece depois da morte?

Em Hebreus 9.27 está escrito que aos seres humanos está ordenado morrerem uma vez. Depois disso, vem o juízo. Mas isso não quer dizer que, imediatamente após a morte, as pessoas são levadas a um julgamento. O que acontece entre a morte e o Juízo Final?

Embora a vida após a morte ainda seja um mistério para nós, a Bíblia fornece-nos detalhes importantes a respeito do estado intermediário. Todas as pessoas, ao morrerem — salvas ou perdidas —, ficam sob o controle de Deus (Ec 12.7; Mt 10.28; Lc 23.46). Os salvos em Cristo são levados ao Paraíso, no Céu (Fp 1.23; 2 Co 5.8; 1 Pe 3.22). E os ímpios vão para o Hades (hb. sheol), que não é a sepultura, e sim um lugar de tormentos (Sl 139.8; Pv 15.24; Lc 16.23).

Nos tempos do Antigo Testamento, Paraíso e Hades ficavam na mesma região. Eram separados por um abismo separador intransponível (Lc 16.19-31). Ao morrer, o Senhor Jesus desceu em espírito a essa região e transportou de lá os salvos para o terceiro Céu (cf. Mt 16.18, Lc 23.43, Ef 4.8,9; 2 Co 12.1-4). Quanto aos ímpios, permanecem no Hades (uma espécie de ante-sala do Inferno), o qual não deixa de ser “um inferno”, um lugar de tormentos para a alma (Lc 16.23).

Conquanto, em algumas passagens da Bíblia, o vocábulo grego hadestenha sido traduzido para “inferno”, o Hades e o Inferno final não são o mesmo lugar. O Inferno final é chamado de Lago de Fogo (Ap 20.14,15 [gr.limnem ton puros]); de “fogo eterno” (Mt 25.41 [gr. pur to aiõnion]); de “tormento eterno” (Mt 25.46 [gr. kolasin aiõnion]); e de Geena (Mt 5.22; 10.28; Lc12.5).

Diferentemente do Hades, o Inferno final está vazio. O seu povoamento começará quando Cristo voltar em poder e grande glória e lançar o Anticristo e o Falso Profeta no Inferno (Zc 14.4; Ap 19.20). Em seguida, os condenados do Julgamento das Nações irão para “o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”, “o tormento eterno” (Mt 25.41,46). Mais tarde, será a vez do Diabo e seus anjos conhecerem o lugar para eles preparado (Ap 20.10). E, finalmente, após o Juízo Final, todos os ímpios estarão reunidos no Inferno final (Ap 20.15; 21.8).

Em Apocalipse 20.13 está escrito que o mar dará os mortos que nele há. E Jesus também afirmou que “vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz” (Jo 5.28). Onde quer que estiverem, os pecadores ressuscitarão para comparecer diante do Trono Branco. Segundo a Palavra de Deus, a morte (gr. thanatos) e o inferno (gr. hades) darão os seus mortos, os quais, após o Juízo Final, serão lançados no Lago de Fogo.

O vocábulo “morte”, em Apocalipse 20.13,14, tem sentido figurado. Trata-se de uma metonímia (figura de linguagem expressa pelo emprego da causa pelo efeito ou do símbolo pela realidade), numa alusão a todos os corpos de ímpios, oriundos de todas as partes da Terra, seja qual for a condição deles. Há pessoas cujos corpos são cremados; outras morrem em decorrência de grandes explosões, etc. Todas terão os seus corpos reconstituídos para que, em seu estado tríplice (pleno), espírito + alma + corpo (cf. 1 Ts 5.23), compareçam perante o Juiz.

Entretanto, para que os ímpios compareçam ao Juízo Final em seu estado pleno, acontecerá a reunião de espírito, alma e corpo, os quais se separam na morte. Daí a menção de que “a morte” e também “o inferno” darão os seus mortos (Ap 20.13). Aqui, “inferno” é hades, também empregado de forma metonímica. A “morte” dará o corpo. E o “Hades”, a parte que não está neste mundo físico, isto é, a alma (na verdade, alma + espírito).

Com base no que foi dito acima, podemos entender melhor a frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” (Ap 20.14). Isso denota que os corpos e as almas dos perdidos — que saíram do lugar onde estavam e foram reunidos na “segunda ressurreição”, a da condenação (Jo 5.29b) —, depois de ouvirem a sentença do Justo Juiz, serão lançados no Inferno propriamente dito, o Lago de Fogo.

Segue-se que a frase “a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo” tem uma correlação com o que Jesus disse em Mateus 10.28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno [geena] tanto a alma como o corpo” (ARA). Ou seja, as almas (“o Hades”) e os corpos (“a morte”) serão lançados no Geena.

E quanto aos que têm morrido salvos, em Cristo? Graças a Deus, nenhuma condenação há para eles (Rm 8.1). Serão julgados também, é evidente, logo após o Arrebatamento da Igreja, mas apenas para efeito de galardão (Rm 14.10; Ap 22.12). Depois da ressurreição dos que morreram em Cristo, nunca mais haverá morte, o último inimigo a ser vencido (1 Co 15.26).

Apesar de já se encontrarem na presença de Deus, os salvos mortos em Cristo ainda não estão desfrutando do gozo pleno preparado para eles. Isso só acontecerá depois da ressurreição (1 Co 15.51). Seu estado agora é similar ao daqueles mártires que morrerão na Grande Tribulação (Ap 6.9-11). Esta passagem e a de Lucas 16.25 indicam que, no Paraíso, os salvos são consolados, repousam, estão conscientes e se lembram do que aconteceu na Terra (Ap 14.13). Contudo, após o Arrebatamento, estarão — no sentido pleno — “sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17).

Em 1 Tessalonicenses 3.13 está escrito: “que sejais irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, com todos os seus santos”. Isso significa que os santos, de todas as épocas, que estão com o Senhor, no Paraíso, virão com Ele, no Arrebatamento da Igreja. Como assim? O espírito e a alma (ou espírito + alma) deles se juntarão aos seus corpos, na Terra, para a ressurreição, num abrir e fechar de olhos (1 Co 15.50-52).

Consolemo-nos com essas palavras (1 Ts 4.18). Aleluia! “Ora, vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).

 

                                Verdadeiramente: Estamos nos últimos dias.....

                                                  A Igreja do Orgasmo

                                             

“Seita do Orgasmo”

A Igreja Madonna do Orgasmo, que tem centenas de seguidores, deu um importante passo em direção ao reconhecimento oficial na Suécia, quando uma corte disse que ela tinha o direito de registrar-se como uma comunidade de fé.

Inicialmente um órgão público da Suécia recusou o registro alegando que o nome da igreja poderia ofender os cristãos. Mas o fundador da igreja, Carlos Bebeacua, ganhou a apelação na corte administrativa local. O órgão público ainda pode apelar contra a decisão, do contrário será obrigada a registrar a igreja que foi fundada no início dos anos 90 e tem Carlos como Cardeal auto-proclamado.

Carlos teve a idéia de criar a igreja depois que a sua pintura “A Madonna do Orgasmo” levou a protestos na Feira Mundia de Sevilha, na Espanha, em 1992.

Para Carlos “O orgasmo é Deus, o orgasmo deve ser adorado”. “O orgasmo é o principal sentimento de luxúria e não deve ser limitado à ejaculação. Você pode alcançá-lo através da arte ou ao olhar uma paisagem enquanto pensa ‘Uau!’”

A igreja tem apenas sacerdotes mulheres e suas escrituras são chamadas de Catequismo do Orgasmo. O livro pregado é o do sexo.

Durante as cerimônias as sacerdotes lêem versos, comem frutas e bebem suco. Sexo não é o foco, mas também não é proibido.“Nunca aconteceu e eu não seu como nós reagiríamos que acontecesse.”

Ele diz que as alegações de que sai igreja só se interessa por orgias e sexo alegando que o propósito é ajudar as pessoas a ver orgasmos como uma metáfora de amor pela vida.

“Não há nada perigoso sobre o que dizemos, somos inofensivos. Nós apenas temos as nossas dúvidas com relação às religiões estabelecidas”, ele disse.

Fonte:

http://hypescience.com/igreja-madonna-do-orgasmo

 

                                  Graça preveniente

                   

Uma das melhores contribuições de John Wesley para a teologia foi a sua compreensão de graça preveniente. Em termos gerais, esta é a graça que “vem antes” – a graça que precede a ação humana e reflete o coração de Deus em buscar a sua criação. Ela testifica ser Deus o iniciador de cada relação com a criação. A graça preveniente é um ensino ortodoxo afirmado pela igreja histórica, porém ela torna-se distintamente wesleyana em seu alcance e escopo. Para John Wesley, a graça preveniente é acessível a todos de modo que não há um “homem natural” deixado num estado puramente caído, sem uma medida de graça restauradora de Deus. Além disso, a graça preveniente tem um sentido salvífico. Isto significa que o Espírito de Deus não trabalha apenas para restaurar certas faculdades da humanidade ou para limitar o pecado humano, mas em última análise, direciona as pessoas para a obra de Cristo. Esta é uma das marcas que posiciona Wesley aparte de Agostinho e de João Calvino. Embora não deva ser confundida com a graça justificadora, a graça preveniente ultrapassa a graça comum reformada, uma vez que ela envolve toda a obra preparatória do Espírito para sua aceitação do Evangelho.

A base para a obra preveniente de Deus como iniciador está firmemente enraizada na Escritura. A narrativa da Escritura testemunha um Deus que chama e busca as pessoas. Ele chamou Adão no jardim quando ele estava se escondendo da vergonha do pecado (Gn 3.9), quando Abraão partiu da casa do seu pai em Harã (Gn 12.4), e quando Moisés apascentava o seu rebanho (Ex 3.4). Jacó e Israel foram escolhidos para abençoar a terra por causa de uma promessa feita a Abraão, não porque eles eram significativos (Rm 9). O Novo Testamento está repleto de passagens que atestam o caráter de Deus como iniciador amoroso, especialmente como é revelado em Jesus Cristo. Lucas 19.10 diz: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” Só podemos amar, porque ele nos amou primeiro, e isso ele fez quando ainda éramos fracos (Rm 5.6; 1Jo 4.10,19; Jo 6.44). Se deixados por nós mesmos, e aqui se deve pensar no “homem natural” teórico de Wesley, seríamos absorvidos no pecado que leva a expressar a autodestruição e a separação eterna de Deus.

A boa notícia é que Deus agiu em Cristo e opera por meio de seu Espírito em trazer-nos a salvação. A teologia da graça preveniente de Wesley nos ensina que Deus está operando muito antes dos evangelistas da igreja, despertando o coração das pessoas para se tornarem as pessoas que ele pretende. Sua referência favorita era, talvez, João 1.9, que diz: “Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens.” (NVI) Percebe-se que Wesley leva a sério a universalidade das bênçãos oferecidas por Cristo e efetuadas pelo Espírito Santo (veja também Jo 12.32; Tt 2.11-14). Essa graça especial é a que Paulo fala em Atos 17.26-27, onde o propósito da providência de Deus na história é fazer com que as pessoas venham a buscá-lo e a conhecê-lo. Desta maneira, a graça preveniente é a presença de Deus no tempo e no espaço – em todos os lugares e em todos os tempos – preparando o mundo para ouvir o Evangelho.

Para John Wesley, a graça que vem antes é irresistível no sentido de que ela se aplica a bênçãos universais. Ela “não espera pelo chamado do homem”, e ao fazê-lo o seu alcance é para todas as pessoas. Ela é salvífica no sentido em que ela é toda a obra preparatória do Espírito para graça justificadora, e assim o seu alcance está levando as pessoas à salvação. Para ter certeza, a graça preveniente levanta questões importantes sobre outros temas, como o destino dos não evangelizados e a teologia das religiões. Estes temas merecem uma análise mais aprofundada. No entanto, a universalidade dessa graça comporta bem com o caráter amoroso de Deus, que é fundamental para a teologia de Wesley e, certamente, para a Escritura também.

Fonte: http://evangelicalarminians.org

 

                                    Santo Agostinho e sua influência

                 

Como é que Agostinho pode ter tido tanta influência não só sobre católicos, mas também sobre muitos protestantes? 

É assustadora a quantidade de heresias introduzidas ou potencializadas por Agostinho:

1) que Maria teria nascido e vivido sem pecado,
2) que existe um purgatório,
3) que os sacramentos salvam,
4) e que não há salvação fora da Igreja Católica,
5) que a autoridade do Papa e da Igreja estão acima daquela da Bíblia,
6) que é correto perseguir e matar os hereges, tornando-se, assim, uma espécie de pai da Santa Inquisição,
7) que Deus predestinou uns para o céu e outros para o inferno e
8) que sexo é pecado até mesmo dentro do matrimônio,
9) que o pecado é transmitido hereditariamente através das relações sexuais,
10) e a ideia de que o pecado está na carne e que o homem só pode ser liberto do domínio do pecado quando se libertar da carne através da morte, ideia de influência gnóstica e que os calvinistas costumam também endossar, o que implica em dizer que a morte é mais poderosa do que Jesus, pois somente ela nos libertará do domínio do pecado.

Mas não é isto que o Apóstolo Paulo ensina em Romanos 6 e que também encontramos em inúmeras outras passagens bíblicas que falam do novo nascimento que nos confere um novo coração que nos capacita a vencer o pecado. Como é, então, que um teólogo equivocado destes pode tido também tanta influência sobre os protestantes?

Como é que se deu a influência de Agostinho sobre o protestantismo? 

Bem, como a queixa principal de Lutero era contra a cobrança de taxas para conceder o perdão aos pecadores, ele busca convencer o Papa apoiando-se não apenas nas Escrituras, mas também em um renomado teólogo católico que é o Santo Agostinho, cujos ensinos favorecem a ideia da salvação pela graça e não pelas obras. Tal simpatia por Agostinho acaba abrindo brecha para a aceitação de algumas de suas demais teses, como a predestinação. E o reformador Calvino segue como discípulo de Agostinho até mesmo no que diz respeito a perseguição e morte dos hereges.

Creio que o contexto de Lutero e Calvino explicam um pouco o apego deles aos ensinos de Agostinho, o que dava uma base sólida para os protestantes dentro da própria tradição católica.

Armínio e Wesley se levantam para combater a doutrina da predestinação (fatalista), mas mantém que a salvação é produto da graça e não das obras, demonstrando que não é preciso admitir a predestinação para defender a salvação pela graça. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. (…)”

 

                     O programa da Nova Era

 

olho_vermelho

Existe o perigo de que o pensamento da Nova Era pode levar alguns cristãos a desenvolver uma paranóia com relação a qualquer coisa que pareça estar associada ao movimento, especial­mente no que se refere às teorias de conspiração. Mas como diz a velha piada: “Só porque você é paranóico não significa que eles não o estejam realmente perseguindo!”

O programa político da Nova Era é perigoso por ser baseado num conceito monístico panteistico do mundo. Como tal, o pro­grama político da Nova Era é anti-teísta e anti-cristão.

Mark Satin, autor de Neiv Age Politks (Política da Nova Era), diz:

A consciência planetária reconhece nossa identificação com toda a humanidade e de fato, com toda a vida, em toda a parte, e com o planeta como um lodo. O destino da humanidade, após seu longo período pre­paratório de separação e diferenciação, é o de finalmente tornar-se um… Essa unidade está a ponto de ser expressa politicamente num governo mundial que unirá nações e regiões em transações que ultrapassam a sua capacida­de individual.

O profeta da Nova Era, David Spangler, escreve:

Certamente a política da sinergia reinterpretará o rela­cionamento da humanidade para com a natureza, para com o uso de recursos naturais, para com os seus rela­cionamentos com animais e plantas, e para com tudo que compõe o ambiente… Num grupo e num grupo de grupos onde a percepção da separação seja desfeita e substituída por uma percepção de identificação, de unidade, e de cooperação e boa vontade dinâmicas, todo o espectro da política internacional e nacional como as conhecemos deve desaparecer e ser transformado em algo bem irreconhecível pelos padrões de hoje.

O monismo e o panteísmo são a base metafísica sobre a qual repousa o movimento Nova Era. Toda transformação cultural importante repousa sobre uma mudança nos conceitos do mundo. Lewis Mumford observa a importância dessa nova ideologia. Ele diz que “toda transformação do homem, exceto talvez aquela que produziu a cultura neolítica, repousou sobre uma base metafísica e ideológica — ou antes, sobre despertamentos e intuições mais profundos, cuja expressão racionalizada assume a forma de um novo quadro do cosmos e da natureza do homem”. 

Unidade das Religiões

A nova base ideológica do programa político da Nova Era ê a unidade de todas as religiões. Embora permitindo que várias religi­ões existam, ela entende que cada religião ensina a mesma verdade central: a humanidade é divina. O cristianismo é reinterpretado a essa luz (os adeptos da Nova Era o chamam de “cristianismo esotérico”). A unidade das religiões é absolutamente necessária quando se pretende que a “identificação da humanidade” se torne realidade.

Robert Muller, assistente do Secretário Geral das Nações Uni­das recentemente aposentado, comentou sobre a unidade de todas as religiões:

Pela primeira vez na história, descobrimos que este planeta em que vivemos é um só. Agora nos resta des­cobrir que somos também uma só família humana, e que temos de transcender todas as diferenças nacionais, lingüísticas, culturais, raciais e religiosas que têm for­mado a nossa história. Temos a oportunidade de escre­ver uma história completamente nova.

Relacionado a isso está o conceito de ecumenismo profundo de Matthew Fox. Escreve ele:

Ecumenismo profundo é o movimento que desencadea­rá a sabedoria de todas as religiões mundiais: hinduísmo e budismo, islamismo e judaísmo, taoísmo e xintoísmo, cristianismo em todas as suas formas, e as religiões nativas e religiões de deusas no mundo todo. Esse de­sencadear de sabedoria contém a última esperança para a sobrevivência do planeta que chamamos de lar.

Essa sabedoria de todas as religiões é vista como centralizada em torno de uma verdade essencial: a divindade do homem. Com relação a essa verdade essencial, David Spangler escreve:

O que está procurando emergir é um corpo de pessoas que são nutridoras e que são mui literalmente o que Jesus chamou de “sal da terra”, mas que são assim conscientemente, espiritualmente, aceitando sua divin­dade sem tornar-se envaidecidas por ela, e agindo den­tro da esfera de sua influência para externalizar essa mesma divindade nos outros… Elas são as que dão vida, e estão formando a base para o governo do futuro. 

Unidade de Governo

O programa político da Nova Era é também perigoso por ser alicerçado numa falsa confiança no potencial humano e não na dependência da orientação divina. O Cristo Cósmico que tudo permeia enche cada homem de potencial.

Muitos adeptos da Nova Era crêem que o Cristo cósmico trabalhou em eras passadas na vida de grandes indivíduos a fim de efetuar mudança no mundo. O Cristo cósmico pode de igual maneira trabalhar através de todos os seres humanos hoje. Matthew Fox escreve:

O fato de Cristo ter-se encarnado em Jesus exclui o Cristo de encarnar-se em outros — Lautzu ou Buda ou Moisés ou Sara ou a Sojourner Truth (Verdade Peregrina) ou Gandi ou eu ou você? Exatamente o oposto é que ocorre. De fato, a carta de Paulo aos Gálatas fala em Cristo ter-se encarnado nele: “Já não vivo, mas Cristo vive em mim” (Gaiatas 2:20). Paulo desafia os destinatários de sua carta a deixarem “que Cristo seja formado em vós” (4:19) e a serem “filhos de Deus” (3:26).

O programa político da Nova Era é perigoso por não reconhecer valores morais absolutos baseados na Palavra de Deus. Todos os valores morais são determinados subjetivamente. Tudo é relativo. A relatividade de todos os valores morais é ensinada em escolas através de programas de “novos conceitos de valores”.

O programa da Nova Era que se refere a um governo mundial único é perigoso por ser baseado no desejo do homem em alcançar unidade com o homem agindo como a única autoridade. O pro­grama político não reconhece a autoridade de um Deus soberano e onipotente. Douglas Groothuis observa:

No programa da Nova Era, eles precisam colocar o tijolo de uma nova Babel, proclamando uma ordem cuja uni­dade e direção final se opõem ao Criador (ver Gênesis 11:1-9). Os antigos entusiastas da ordem mundial em Gênesis tentaram impor a “tese apóstata de identifica­ção e igualdade finais a toda a humanidade” a fim de construir uma “ordem mundial única e introduzir o paraíso independente de Deus” (Rushdoony 1979). É isso que a Nova Era está tentando fazer hoje, e sua tentativa é igualmente vã. Todas as torres de Babel são construídas em vão, independentes da pedra fundamen­tal de Jesus Cristo.

O governo globalizado que é uma parte do programa político da Nova Era defende uma forca policial planetária para a segurança. Apenas aqueles que aderem a um conceito monístico e panteístico do mundo teriam permissão para controlar essa força policial.

A organização Cidadãos Planetários está patrocinando atual­mente uma “Comissão Independente sobre Alternativas para a Segurança Mundial”, que arregimenta vários peritos em paz, desarmamento e sistemas para projetar um “sistema de segurança global operacional, crível e não ameaçador”.

A fonte dessa unidade é relativamente clara. Muitos envolvidos na política da Nova Era estão claramente baseando suas decisões e ações em revelações ocultistas. Por exemplo, muitos aderem ao que escreveu Alice Bailey. Ela fala com freqüência do “Plano” e dos “Mestres da Sabedoria”. Seriam estes os que supostamente atin­giram o mais alto nível de consciência, e se tornaram guias da evolução espiritual da humanidade. Esses mestres encontram-se supostamente ocupados em levar a cabo, na Terra, o “Plano”.

World Goodtvill (Boa Vontade Mundial) é um grupo para in­fluenciar os legisladores cujo objetivo é revelar o “Plano” confor­me detalhado nos muitos livros de Alice Bailey. Esse é um dos diversos grupos inspirados em Bailey patrocinados pelo Trust Lucis.

O globalismo que é parte do programa político da Nova Era eqüivale a uma forma de idolatria. Ele exalta o planeta bem como a humanidade como senhores soberanos. Groothuis comenta:

O internacionalismo idolatra deve ser rejeitado pelos cristãos. Cristo é Senhor; nem as nações nem o planeta são soberanos. O governo global, ou o que poderia ser cognominado de “estado cósmico”, deve ser rejeitado como idolatria, visto o humanismo cósmico entronizar o homem no lugar de Deus.

Perigos do Movimento Nova Era para a Igreja

Redefinindo o Problema: Pecado

O programa político da Nova Era é perigoso porque ignora completamente o maior problema do homem — o pecado— bem como a provisão de Deus para esse problema — a expiação subs­titutiva de Jesus Cristo. Douglas Groothuis escreve:

O cristão acredita que o realismo político deve começar com a percepção de que o homem é pecador; os adeptos da Nova Era depositam esperança no potencial huma­no, visto como bom e confiável. Os adeptos da Nova Era atribuíram o pecado à ignorância, crendo que podemos nos livrar dessa ignorância quando aceitamos a ilumi­nação do panteísmo.

O cristão vê essa iluminação como uma falsificação enganosa. A única maneira pela qual a consciência pessoal ou política pode ser despertada é primeiro vendo a realidade do pecado e a necessidade de redenção atra­vés de Jesus Cristo. Todos os desvios ao redor da cruz de Cristo se chocam nas rochas brutais da realidade. O cristão faminto e sedento de justiça política olha para Deus como Senhor, Legislador e Juiz, não para uma divindade íntima. Os cristãos servem ao Salvador, não a si mesmos. Eles consultam as Escrituras em busca de instrução política.

O pecado é redefinido no pensamento da Nova Era. O mal é relativo. David Spangler escreve:

O homem detém a responsabilidade final pela redenção do que viemos a chamar de “energias maléficas”, que são simplesmente energias usadas fora de tempo ou fora de lugar, ou não adequadas às necessidades da evolução. [A ética da Nova Era] não é baseada em… conceitos dualistas de “bem” e “mal”.

Mark Satin, adepto da Nova Era, nos diz que “num estado espiritual, a moralidade é impossível”.

A Obra de Cristo na Cruz

Benjamim Creme rejeita o cristianismo ortodoxo por apresen­tar “um quadro impossível para a maioria das pessoas pensantes de hoje aceitarem Cristo como o filho unigênito de Deus, sacrifi­cado por seu Pai amoroso para salvar a humanidade dos resultados de seus pecados; como um sacrifício de sangue tirado diretamente da velha e desgastada dispensação judaica”. 

Salvação

A salvação na Nova Era é uma operação progressiva. As pessoas precisam trabalhar para se livrar de seu carma mau, reencarnando de vida em vida. Escreve Shirley MacLaine:

Se você for bom e fiel em sua luta nesta vida, a próxima será mais fácil.

David Spangler escreve que “o homem é seu próprio Satanás da mesma forma que é sua própria salvação”.

Desvios Sutis

Criador e Criação

Existe o perigo de o pensamento da Nova Era toldar a distinção entre o Criador e a criação — especialmente a dos seres humanos como criaturas — nas mentes dos crentes biblicamente iletrados. Esse perigo é baseado na natureza monística do pensamento da Nova Era, que trata tudo como parte de uma grande alma que é deus.

Mark Satin, autor de New Age Politics (Política da Nova Era diz:

A consciência planetária reconhece nossa identificação com toda a humanidade e na realidade com toda a vida, em toda a parte, e com o planeta como um todo.

O engano é sutil. Kenneth Copeland, embora condenando a seita Nova Era, pode estar defendendo uma idéia oculta da Nova Era. Ele pregou:

Deus é Deus. Ele é um Espírito… E ele lhe foi conferido quando você nasceu de novo. Pedro disse isso com muita clareza. Disse ele: “Somos participantes da natu­reza divina.” Essa natureza é viva, eterna em absoluta perfeição, e isso foi conferido, injetado em seu homem espiritual, e você tem isso conferido a você por Deus, da mesma forma que você conferiu a seu filho a natureza da humanidade.

Essa criança não nasceu como baleia. Nasceu como um ser humano… Ora, você não tem um ser humano, tem? Você é um ser humano. Você não tem um deus em si. Você é um deus.

Earl Paulk, outro pregador cristão, escreve a mesma coisa, declarando que somos pequenos deuses:

Da mesma forma que cães têm cãezinhos e gatos têm gatínhos, assim Deus tem pequenos deuses… Enquanto não compreendermos que somos pequenos deuses e começarmos a agir como pequenos deuses, não podemos manifestar o Reino de Deus.

M. Scott Peck, em seu livro The Road Less Traveled (A Estrada Menos Trilhada), nos diz que estamos crescendo na direção da divindade:

Pois não importa quanto possamos gostar de contornar o assunto, todos nós que postulamos um Deus amoroso e de fato pensamos sobre isso eventualmente chegamos a uma única e aterrorizante idéia: Deus quer que nos tornemos como ele (ou ela). Estamos crescendo rumo à divindade. Deus é o alvo da evolução. É Deus que é a fonte da força evolucionária, e Deus que é o destino… 

Visualização e Imaginação Direcionada

Existe o perigo de alguns crentes serem desviados pelo ensina­mento de visualização, imaginação direcionada, da Nova Era. A visualização bíblica é a meditação sobre Cristo e submissão à sua orientação conforme revelada na Escritura. Mas o Pastor Cho, líder da maior igreja cristã do mundo, expressou algumas idéias próximas à meditação da Nova Era em seu livro The Fourth Dimension (A Quarta Dimensão):

Precisamos aprender… a visualizar e sonhar a resposta como estando completa quando nos dirigirmos ao Se­nhor em oração. Devemos sempre tentar visualizar o resultado final quando oramos. Dessa forma, com o poder do Espírito Santo, podemos incubar aquilo que desejamos que Deus faça para nós…

C. S. Lovett, enquanto advoga a meditação, confirma que a visualização a que se refere é a mesma usada pelas seitas:

Você ficaria chocado em saber que o poder curador de Deus está disponível através de sua própria mente e que você pode ativá-lo pela fé!… Se você tivesse ACESSO DIRETO à sua mente inconsciente, poderia comandar que QUALQUER ENFERMIDADE fosse curada num instante… PARECE CIÊNCIA MENTAL? Admito que sim. É verdade que as seitas descobriram algumas das leis curadoras de Deus e as usam para atrair as pessoas às suas teias… Mas deixe-me perguntar: deveria a cura ser negada a crentes nascidos de novo simplesmente porque certas seitas se aproveitam dessas leis?

Norman Vincent Peale chama a visualização (a meditação da Nova Era) de “pensamento positivo levado um passo adiante”.

Mas a imaginação direcionada pode nos expor a falsos cristos ou anjos de luz (2 Coríntios 11:14). Douglas Groothuis adverte:

Um exercício de visualização esmerado poderia induzir um estado alterado de percepção muito convidativo a rebeldes demoníacos. Shakti Gawain, por exemplo, diz que a “visualização criativa” pode facilmente apresen­tar-nos a “espíritos-guias”, daqueles que ficariam em­polgados em nos conhecer.

Precisamos também reconhecer que a imaginação do homem está atingida pela queda. Gênesis 6:5 diz: “Viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.” A visualização pode ser perigosa, mas como a Nova Era não crê na degradação do homem, ela se torna mais perigosa ainda. 

Confissão Positiva e Pensamento Positivo

Existe o perigo de o pensamento da Nova Era desviar alguns cristãos através da confissão positiva ou pensamento positivo. O perigo vem na forma do ensinamento que diz ser o homem um “pequeno deus” e assim ter o poder de falar criativamente, trazen­do o bem ou o mal à existência mediante a sua palavra. A confissão positiva produz o “bem” e a confissão negativa cria o “mal”.

Gloria Copeland relatou sua metodologia para comprar a casa que desejava:

Comecei a ver que eu já tinha autoridade sobre aquela casa e autoridade sobre o dinheiro de que precisava para comprá-la. Falei: “Em nome de Jesus, assumo autorida­de sobre o dinheiro de que preciso. (Bradei a quantia específica.) Ordeno-lhe que venha a mim… em nome de Jesus. Espíritos ministradores, vão e façam com que ele venha…” (Por falar em anjos… quando você se torna a voz de Deus na terra ao colocar as palavras dele em sua boca, você põe os anjos para trabalhar! Eles são ajudan­tes altamente treinados e capazes; sabem como fazer para que o trabalho seja executado.)

O Dr. Robert Schuller, dirigindo-se a uma grande platéia de ministros da Unity em treinamento, falou:

Creio que a responsabilidade nesta época é a de “tornar positiva” a religião. Ora, isto provavelmente não atinge muito a vocês, pois sendo gente da Unity, vocês são positivos. Mas falo muito a grupos que não são positi­vos… mesmo aos que chamaríamos de fundamentalistas, que tratam constantemente de palavras como pecado, salvação, arrependimento, culpa, e esse tipo de coisa. 

Sincretismo

Existe o perigo de que o pensamento da Nova Era possa levar alguns crentes a desenvolver tendências sincretistas com relação às outras religiões do mundo. Isso se deve ao fato de os adeptos da Nova Era ensinarem que todas as religiões contêm a mesma verdade central — o homem é divino. Matthew Fox, teólogo católico, foi claramente sincretista nas porções dos seus escritos sobre o “Ecumenismo Profundo”, das quais tirei citações anterior­mente neste capítulo. 

A Deusa em Todos

Há o perigo de que o pensamento da Nova Era leve algumas pessoas a adquirirem um conceito feminino da divindade, a aban­donarem totalmente a imagem bíblica de Deus. A Bíblia apresenta Deus com características tanto femininas quanto masculinas, mas as imagens masculinas são muito mais fortes do que as femininas. Perder de vista essa verdade faria dele menos do que é, reduzindo seu poder e autoridade, e tornando-o sinônimo das deusas do sexo que o Antigo Testamento condenou.

O autor da Nova Era, Matthew Fox, escreve:

A religião e a cultura que reprimem e distorcem o maternal também reprimirão a antiga tradição de Deus como Mãe, e da deusa em cada pessoa. Jesus veio para restaurar essa responsabilidade à cultura patriarcal e militarista de seus dias…

A crucificação de Jesus foi o resultado lógico desse assalto frontal ao patriarcado.

Meditação Oriental

Há o perigo de que o pensamento da Nova Era leve alguns cristãos a transformar a meditação bíblica em formas orientais de meditação.

Um escritor cristão propõe a meditação numa forma que se aproxima dos padrões orientais. Escreve ele:

Em sua imaginação, permita que seu corpo espiritual, brilhante de luz, se eleve de seu corpo físico… subindo através das nuvens e até à estratosfera… cada vez aprofundando-se mais no espaço exterior, até que nada haja além da presença cálida do Criador eterno.

Abandono dos Alicerces Morais

Existe o perigo de o pensamento da Nova Era enfraquecer a estrutura moral da igreja, porque os valores absolutos morais são negados pelos adeptos da Nova Era. Tudo é relativo. Os “novos conceitos de valores”, técnica acerca da qual muitos pais cristãos nada sabem, permite às pessoas escolher sua própria base moral a partir da qual tomar decisões.

Cristianismo Esotérico

Devido à semelhança na terminologia, alguns cristãos podem ser desviados pelos ensinamentos do “cristianismo esotérico”‘, a sabedoria espiritual limitada a uma elite de poucos conhecedores. Essa é uma reinterpretação mística que a Nova Era faz do cristia­nismo ortodoxo (esotérico). Douglas Groothuis comenta como o movimento Nova Era vê o cristianismo esotérico:

O verdadeiro evangelho do Um é tido como a face esotérica do cristianismo. O cristianismo esotérico é o substituto ocidentalizado e é desprovido de autentici­dade espiritual, expressando o que Wilber chama de “mentalidade do modo médio”. O cristianismo esotérico está afinado com “a filosofia perene” do Um que se manifesta em todas as tradições religiosas. O Cristo da Nova Era se posiciona contra o cristianismo ortodoxo.

Desvios Doutrinários aos Quais Ficar Alerta

Uma das maiores ameaças à igreja é a confusão doutrinária causada pelo pensamento da Nova Era. Visto os adeptos da Nova Era usarem muitas palavras cristãs, a confusão parece provável porque muitos cristãos não estão cientes de que palavras boas foram radicalmente redefinidas com maus sentidos.

A Doutrina da Revelação

Os adeptos da Nova Era acreditam na revelação contínua de Deus. Eles crêem que “a Palavra de Deus [é] revelada em todas as eras e dispensações. Nos dias de Moisés, foi o Pentateuco; nos dias de Jesus, o Evangelho; nos dias de Maomé, o mensageiro de Deus, o Corão; nos dias de hoje, o Bayan.”

Benjamim Creme descreve a maneira pela qual recebe suas revelações da Nova Era;

Ela desce sobre mim e chega até ao plexo solar e um tipo de cone é formado, assim, de luz. Existe também um transbordamento emocional. E a sobreposição mental que produz a conexão para que eu possa ouvir, intima­mente, as palavras.

A Natureza de Deus

Deus é transformado numa soma impessoal de toda a existên­cia. Benjamim Creme escreve:

Deus é a soma total de tudo que existe no total do universo não manifesto e manifesto.

Spangler propaga a idéia, escrevendo:

Deus é uma consciência universal, uma vida universal, até onde nossa finidade possa expressá-lo.

A Singularidade de Jesus Cristo

Creme coloca Cristo em pé de igualdade conosco, declarando que Cristo é divino “exatamente no sentido em que somos divi­nos”. Mas o mesmo espírito de Cristo habita em “Hércules, Hermes, Rama, Mitra… Krishna, Buda e no Cristo”. Todos esses eram “homens perfeitos em seu tempo, todos filhos de homens que se tornaram Filhos de Deus por terem revelado sua divindade inata”.

Shirley MacLaine nos diz que Cristo foi bom, mas não neces­sariamente divino:

Cristo foi o ser humano mais adiantado que jamais andou neste planeta.

A Diferença Entre Deus e o Homem

Deus é feito a alma todo-abrangente do universo, e o homem é feito um deus porque contém parte de deus. Benjamim Creme escreve:

Um dos principais ensinamentos do Cristo [é] o fato do Deus imanente, imanente em toda a criação, na huma­nidade e em toda a criação, de forma que nada mais hã além de Deus. E todos nós somos parte de um grande Ser. O homem é um deus emergente, e assim requer a for­mação de modos de amar que permitirão a esse Deus florescer.

Pecado e Salvação

A necessidade de sacrifício e expiação, uma universalidade cultural, é vista pela Nova Era como um remanescente antiquado do pensamento judaico. Benjamim Creme rejeita o cristianismo ortodoxo por apresentar “um quadro impossível para a maioria das pessoas pensantes de hoje aceitarem Cristo como o filho unigènito de Deus, sacrificado por seu Pai amoroso para salvar a humanidade dos resultados de seus pecados; como um sacrifício de sangue tirado diretamente da velha e desgastada dispensação judaica”.

David Spangler escreve que “o homem é o seu próprio Satanás, assim como o homem é a sua própria salvação”.

A Doutrina da Ressurreição

A ressurreição que aguardamos é substituída pelo ciclo contínuo de reencarnação na Nova Era. James Sire escreve:

A reencarnação é a incorporação sucessiva da alma numa série de diferentes corpos mortais; a ressurreição é a transformação do corpo mortal da própria pessoa num corpo imortal.

Groothuis contrasta os dois:

A reencarnação é considerada como um processo contí­nuo, ao passo que a ressurreição é um evento único e final. Ademais, o Senhor soberano controla o tempo e tipo de ressurreição; ao passo que uma lei impessoal de carma ou a própria alma desencarnada é o agente ativo no caso da reencarnação.

Extraído do livro “Como Entender a Nova Era” de Walter Martin

Por quem Cristo morreu?

cruz2

Declarações a respeito da morte de Cristo (ou termos equivalentes) por certas pessoas ou grupos de pessoas, principalmente empregando a preposição grega hyper, são comuns no Novo Testamento. A maioria destas, são expressas com respeito àqueles que foram salvos e fazem parte do povo de Deus. Há um exemplo de Paulo dizendo que Cristo morreu por ele pessoalmente (Gl 2.20); qualquer indivíduo crente é aquele por quem Cristo morreu (Rm 14.15). Mais frequentemente é dito que Cristo morreu “por nós” (Rm 5.82; 2 Co 5.21; Gl 3.13; Ef 5.2; 1 Ts 5.10; Tt 2.14; 1 Jo 3.16; cf. 1 Co 15.3 e Gl 1.4 [nossos pecados]), ou por “todos nós” (Rm 8.32). Em inúmeros lugares Jesus diz que ele dá a vida por “vocês”, ou seja, os seus discípulos (Lc 22.19, 20; 1 Co 11.24) ou um escritor pode dizer ao seu público cristão que Cristo morreu por eles (1 Pe 2.21; cf. por implicação 1 Co 1.13).

Outros textos afirmam que Cristo morreu pela “igreja” (Ef 5.25) ou pelas “ovelhas” (João 10.15) ou pelo povo ou nação (João 11.50, 51, 52; 18.14; cf. Hb 2.17). Neste último grupo de textos há o duplo entendimento de que Caifás esteja pensando em Jesus ser condenado à morte para o bem do povo judeu como um todo (evitar represálias Romanas se houvesse uma revolta messiânica), enquanto que João vê nisso uma profecia de sua morte em um senso salvífico.

Alguns textos afirmam que Cristo morreu por “muitos” (Mc 10.45; 14:24; Mt. 20.28; 26.28; cf. Hb. 2.10; 9:28), mas este termo é substituído por “você” em alguns paralelos (Lc 22.19 f.; 1 Co 11.24) ou por “todos” (1 Tm. 2.6) ou por “nós” (Tt 2.14). O termo “todos” também aparece em 2 Co 5.14, 15a, 15b; Hb. 2.9.

Finalmente, uma série de textos enfatizam que Cristo morreu pelos pecadores, os ímpios (Rm 5.6, 8; 1 Pe 3.18).

O que podemos tirar desses textos? O conceito de morrer por outros (que foi muito conhecido no mundo antigo é expresso usando linguagem baseada em Isaías 53. As palavras de Jesus na Última Ceia são direcionadas aos discípulos presentes (“vocês”), e esta aplicação torna-se generalizada quando pregadores e escritores dirigem-se aos crentes cristãos lembrando-lhes que Cristo morreu por “nós (todos)” ou por “vocês”.

Jesus veio para o povo de Deus existente, os judeus, a fim de trazer salvação a eles. Os judeus, apesar de serem o povo escolhido por Deus, são pecadores e precisam ter seu pecados removidos (Lc 2.10; cf. Mt 1.21). A oferta está aberta a todos, mesmo que nem todos a aceitem. Portanto, Jesus morre para o povo, ou seja, o povo judeu como um todo (João 11.50-52); mas ao mesmo tempo é reconhecido que o âmbito da sua morte se estende para o mundo como um todo (João 1.29).

Dentro deste contexto, é natural Jesus dizer que ele morre por aqueles que já são seus discípulos e amigos (João 15.13 f.), mas isso não anula os dizeres onde sua morte também é entendida de forma mais ampla, pelo povo ou pela nação. A figura do pastor deve ser tratada com cuidado. Quando Jesus aborda o tema do bom pastor que está disposto a morrer pelo bem estar das ovelhas, o quadro é de um pastor arriscando sua vida contra um animal selvagem atacando as ovelhas que já constituem o seu rebanho (Jo 10.12; cf 1. Sm 17.34-37). A realidade é um tanto quanto diferente, já que Jesus morre por causa do pecado e ele recebe a sua vida de volta. O material das parábolas não faz mais do que ilustrar o princípio da morte vicária. Não seria sensato, portanto, pressionar a parábola além da conta e afirmar que Jesus morreu somente por suas ovelhas, como se o pastor adquirisse o rebanho morrendo por ele. É claro que as ovelhas são dadas a ele pelo Pai, mas isso não diz nada sobre o alcance de sua morte. Forçar a linguagem e dizer que Jesus possui futuras ovelhas, por quem ele morre, certamente vai além do horizonte do imaginário. Mais provavelmente, o pensamento é primariamente do povo Judeu como o rebanho de Deus, do qual a continuação é dependente do vir a Cristo; mas há também outras ovelhas não deste aprisco, por quem presumivelmente ele também dá a sua vida. A parábola não exclui as declarações de âmbito mais amplo encontradas em outras partes do mesmo evangelho. Há certamente uma distinção feita entre “minhas ovelhas” e seus oponentes judeus que não são “minhas ovelhas”. Mas seria forçar demasiadamente a metáfora extrair dela a existência de um limite já fixado entre ovelhas de Jesus e outras ovelhas, principalmente sabendo que Jesus ainda está incentivando as pessoas a crerem nele (João 10.38).

Quando é declarado Jesus ter comprado a igreja pelo seu sangue (At 20.28) ou ter amado a Igreja e se entregado por ela (Ef 5.25; aqui a igreja é equivalente a “nós” em Ef. 5.2), a metáfora é aquela do resgate de pessoas (cf. Ap 5.9 f.), e é usada confessionalmente por aqueles que se beneficiaram do que Cristo fez. Aqui, o amor é para futura noiva, e é violentar o imaginário dizer que isso significa que Cristo morreu apenas para um grupo limitado de pessoas que estão destinados a ser a noiva.

Atos 20.28 é uma declaração sobre a importância de cuidar da igreja de Deus, cujo valor é visto no fato dele tê-la comprado com seu próprio sangue. A morte de Jesus leva à redenção da igreja, mas está fora do horizonte da metáfora, da maneira como ela é usada aqui, perguntar se isso implica que Deus decidiu secretamente quem pode fazer parte da igreja e quem é excluído dela.

Finalmente, em Rm 8.32-35, Deus entregou Jesus “por todos nós”, que são “aqueles quem Deus escolheu”, mas esta é a linguagem confessional, falada por aqueles a quem Deus admitiu entre os eleitos. Novamente, nada do que está declarado implica que Deus tenha limitado o escopo da morte de Jesus a este grupo. Em suma, essas passagens sugerem que Deus criou uma nova comunidade pelo morte de seu Filho e o ingresso de alguém nesta comunidade lhe dá um lugar entre aqueles por quem Cristo morreu. A pessoa que está dentro, pode confessar: “o Filho de Deus me amou e se entregou por mim”; comunidade sabe que Cristo morreu pelos nossos pecados.

Em 2 Co 5.14f. Paulo afirma que um morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Os defensores da expiação limitada insistem que “todos” não pode significar “todos, sem exceção” aqui, uma vez que implicaria universalismo, devido a declaração de que “todos morreram”.

Temos aqui o mesmo problema que em Rm 5.18, onde “assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens”; e em 1 Co 15.22: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo”. Em ambos os textos, estamos certamente diante do caso de que o primeiro “todos” refere-se a “todos sem exceção” (cf. Rm 3.23), e seria extraordinário se o segundo “todos” significasse qualquer outra coisa. A segunda parte de ambos os textos refere-se à disponibilidade de vida a todos que se tornará uma realidade para eles desde que creiam. Se assim for, estes textos tratam sobre a suficiência universal da morte de Cristo (uma doutrina aceita por Berkhof com base em outros textos). Por conseguinte, temos exemplos de que “todos” significa “todos sem exceção” em textos relativos à disponibilidade de salvação. A importância disso é que nós não precisamos tomar declarações sobre “todos” para se referir a “todos com exceção daqueles não pré-escolhidos”, e tal interpretação é de fato injustificada.

Isso indica como devemos encarar as afirmações em 2 Co 5.14f. Uma vez que Cristo morreu por todos, segue-se que os seres humanos devem viver para ele e não para si mesmos. Da mesma forma, em 2 Co 5.18-21, Paulo está escrevendo sobre uma reconciliação do mundo, que se tornará uma realidade para aqueles (“nós”) que crerem. Deus realmente já não leva mais em consideração as ofensas do mundo contra ele, mas esta oferta de reconciliação torna-se uma realidade apenas para aqueles que respondem a ela, e que não aceitam a graça de Deus em vão.

Estamos, desta forma, encorajados em aceitar o sentido natural de várias declarações. Quando Paulo diz que Cristo morreu pelos ímpios (Rm 5.6, 8), ele está sem dúvida pensando especificamente em seus leitores, pois ele quer argumentar que, se Cristo morreu por eles enquanto eles ainda eram fracos, ímpios pecadores, muito mais agora ele vai livrar do juízo aqueles que foram justificados. Mas não há nenhuma razão para qualificar de forma rígida “o ímpio”, dizendo que este se refere apenas aos “ímpios pré-escolhidos” que creram ou ainda crerão. Declarações que Cristo morreu por “nós” não carregam a implicação de que ele não morreu por ninguém mais.

Há reconhecidamente poucas asserções evangelísticas endereçadas àqueles que ainda não são salvos, que afirmem que Cristo morreu por todos ou por “vocês” que ainda não são salvos. Mas isto é facilmente explicado pelo fato de que o ensino do Novo Testamento é dirigido àqueles que já são crentes e pelo fato de que exemplos de pregações evangelísticas são poucos. No entanto, quando Paulo resume o evangelho que ele proclamou em Corinto como “Cristo morreu por nossos pecados” (1 Co 15.3), este é certamente o caso do pregador incluindo seu público não salvo com ele em uma declaração inclusiva. Isso mais certamente não é uma declaração de que ele morreu apenas pelos pecados daqueles que já são crentes. Declarações semelhantes em outros lugares (1 Ts 5.10) eram, sem dúvida, parte do kerygma (pregação).

Não adianta dizer que estas declarações têm a ver apenas com a “suficiência” ou “disponibilidade” (termo de Grudem) da morte de Cristo, já que a linguagem utilizada é exatamente a mesma daqueles textos que se referem a morte de Cristo por “nós” crentes. E como pode a expiação ser suficiente para todos se ela foi limitada a alguns?

O uso de “mundo”

Devemos agora considerar o uso do termo “mundo”. Este tema é especialmente encontrado em João e 1 João. Jesus veio trazer salvação para o mundo (João 1.29, 3:16; 4:42, 6.33, 51; 12.46f.; 1 João 2.2; 4.14). O fato de que o termo nem sempre inclui todas as pessoas não resolve a questão do que ele significa nos textos cruciais. É um termo flexível. Pode referir-se ao mundo ou ao universo em que as pessoas vivem ou ao mundo e suas pessoas, com a ênfase no anterior. Pode ser usado hiperbolicamente. Significa principalmente o mundo dos seres humanos, em vez de natureza inanimada.

O comentário de Strange de que, passagens referindo-se ao “mundo” não significam cada indivíduo, mas referem-se ao lado cósmico da expiação e da renovação da criação, é bastante estranho e incapaz de comprovação. João 3.16 certamente não é uma declaração sobre o aspecto cósmico da expiação e da renovação da criação. Trata-se do amor de Deus pela humanidade, cujo propósito é especificamente afirmado ser para que os crentes não pereçam, mas tenham vida eterna. Não há qualquer dica aqui de preocupação com outras coisas que não o mundo dos seres humanos. A longa tradição que trata este texto como um convite à fé e à salvação indica como ele foi planejado para ser entendido.

Ademais, o texto não faz sentido se o significado real (secreto) for: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho [para morrer por algumas pessoas deste mundo] para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Tal paráfrase falha em dois aspectos: (a). Ela qualifica o amor de Deus pelo mundo de forma que uma afirmação que mostra estar expressando a magnitude do amor divino é severamente diminuída em validade. (b). Ela implica que você não pode crer, a menos que você seja um daquele limitado grupo por quem Cristo morreu.

O termo “mundo” em si realmente não significa “um grupo limitado de pessoas dentro do mundo”. Carson acertadamente aponta que Deus pode condenar os pecados das pessoas enquanto ele ainda as ama e chora por todas aquelas que estão sob sua condenação e não se arrependerão. “Ele pronuncia condenação terrível em razão do pecado do mundo, enquanto ainda o ama de tal maneira que o presente que ele deu ao mundo, o oferecimento de seu filho, continua a ser a única esperança para o mundo”. É certamente impossível ler isso de tal forma que o “oferecimento de seu Filho” seja a esperança de apenas alguns no mundo, um número limitado por quem Cristo veio. Em tal caso, certamente não é possível para Deus amar o mundo pelo qual ele não deu o seu Filho para morrer. Nós também enfrentamos novamente o problema de Deus tendo um desejo não realizado que Berkhof presumivelmente não está disposto a permitir. Paráfrases como “Deus amou o [algumas pessoas do] mundo que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que [Deus causou a] crer não pereça” são extremamente implausíveis. Jesus veio para salvar o mundo, para que o mundo pudesse crer.

A ideia é confirmada por outras referências em João que nos dizem que Cristo tira os pecados do mundo (João 1.29; cf. 6.51), que ele é a luz do mundo e seu salvador (8.12; 9.5; 4.42, 1 João 4:14), que veio salvar o mundo (12:47), e que ele quer que seus seguidores sejam um para que o mundo creia (17.21). O sentido natural de tais declarações é que Jesus oferece a salvação para quem ouve a mensagem em todo o mundo, embora ele saiba muito bem que nem todos irão responder positivamente à sua mensagem. Não é possível limitar “mundo” para significar “todos sem distinção, mas não todos sem exceção”; o sentido claro das palavras é que a salvação está disponível para todos e é oferecida a todos, e pode ser recebida por aqueles que crerem.

O texto de 1 João 2.2 indica que Cristo morreu por nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo. Embora tenha havido uma distinção no cap. 1 entre “nós” e “vocês” (1:5), isso desapareceu através dos  vs. 6-10 onde os leitores estão incluídos no “nós” do escritor, e este é manifestamente o caso em 2:1 f. Portanto, pode-se rejeitar que “nós” refere-se aos crentes judeus e o “mundo” refere-se aos pré- escolhidos entre os gentios. A frase adjunta é de enorme importância, pois mostra que a salvação não é limitada àqueles leitores que já a tinham recebido e que não havia preocupação com os que estavam fora da comunidade cristã. Além disso, ele enfatiza que o mundo inteiro está em vista. Comentaristas corretamente reconhecem que a morte de Jesus é “suficiente para lidar com os pecados de todo o mundo, mas que o seu sacrifício não se torna eficaz até que as pessoas creiam nele. Este é o sentido “natural” da texto e deve ser adotado a menos que haja razão para rejeitá-lo.

Problemas para os defensores da universalidade

A pena para o pecado é exigida duas vezes

Defensores da expiação limitada argumentam que, se Cristo morreu por todos, e então algumas pessoas são condenadas a sofrer a penalidade de seus pecados, isso é injusto, pois isso significa que a pena é paga duas vezes por seus pecados, uma vez por Cristo e uma vez por si mesmas.

A objeção baseia-se no pressuposto de que o ato de Cristo ter sofrido a condenação deve ser entendido da mesma maneira que o caso de uma situação humana; aqui, se o amigo da pessoa culpada sofreu a pena devida a ele (por exemplo, através do pagamento de uma multa em seu nome), então, seria injusto o tribunal exigir que a pessoa culpada também deve-se fazê-lo. Eu não sei o que aconteceria se a pessoa culpada protestasse e dissesse que não iria aceitar a ação feita em seu nome. É evidente que o tribunal não aceitaria dois pagamentos da multa, mas poderia respeitar a recusa da pessoa culpada em relação à oferta amigável. Mas este aspecto da analogia não pode ser forçado com respeito à morte de Cristo. Aqui, uma morte tem o potencial para livrar toda a humanidade da condenação, mas na verdade não o faz, a menos que o pecador esteja unido pela fé a Cristo e identificado com elePortanto, o ponto de vista que a morte de Cristo é suficiente para todas as pessoas, mas não se torna efetiva exceto para aqueles que aceitam a Cristo como seu substituto, é bom o suficiente. Mas dizer que a morte de Jesus é suficiente para todos, normalmente significaria que é uma morte para todos. No caso da pessoa que rejeita a Cristo, sua substituição em relação a eles é recusada.

O cumprimento dos propósitos de Deus

Objeta-se que, se Cristo morreu por todos, então o propósito de Deus não é realizado, pois a morte de Cristo pelas pessoas e a recepção real de salvação por elas são duas partes de um mesmo propósito indivisível. Mas Deus não pode ter propósitos que não são cumpridos.

Entretanto, mesmo na visão da expiação limitada, admite-se que Deus deve ter vontades que não são realizadas. As declarações de seu lamento com relação às pessoas não crerem, amarem e lhe obedecerem são evidências claras de que seus desejos não são cumpridos. Para contornar isso, Berkhof alega que o que “realmente” Deus quer e intenciona é algo diferente e oculto a nossa visão. Temos, portanto, de lidar com um Deus que engana a humanidade por dizer que ele deseja a salvação do ímpio, mas secretamente determinou não fazer nada no caso de alguns, passando por cima deles.

Mas não é claro nas premissas de Berkhof como é possível para um Deus perfeito ter vontades não realizadas. Para o Deus de Berkhof, ter desejos não realizados é certamente uma negação da sua perfeição. Além disso, a linha entre os desejos e propósitos é muito fina, e é duvidoso que se possa resolver o problema fazendo uma distinção entre propósitos não cumpridos (não é possível para Deus) e desejos não realizados (possível para Deus).

O fator crucial é que há mal no universo, e não há nenhuma maneira que Deus possa trabalhá-lo em seus propósitos e desejos de forma que tudo seja inteiramente como ele gostaria que fosse. Caso contrário, o mal seria totalmente superado, ou teríamos de dizer que Deus aceitou o mal como parte de seu propósito (o que seria extraordinário, dada a força de suas condenações disso nas Escrituras!). Mas, uma vez que se reconhece que Deus pode ter desejos e propósitos que não são cumpridos, então a ligação entre a expiação e a salvação real não precisa mais ser pressuposta.

A inseparabilidade da expiação e recepção de salvação

No entanto, devemos também questionar se existe uma ligação inseparável entre a compra e a concessão da salvação. Não há dúvida de que Deus providencia: (a). a expiação, através da qual a salvação é possível, e (b). os “meios da graça” através dos quais a salvação se torna uma realidade para o indivíduo. Isso não está em disputa, e isso significa que a salvação é do início ao fim uma obra de Deus. Mas, reconhecer estas duas disposições não é exatamente igual a dizer que elas são uma só, ou que são a mesma coisa, ou ainda que não se pode ter um sem a outra. Notamos que Berkhof afirma encontrar apoio para a estreita ligação entre expiação e a aplicação de seus efeitos no fato de que a obra do sacrifício de Cristo e sua intercessão são dois lados de uma mesma e única obra; já que a última é limitada àqueles realmente salvos, assim a primeira também é. Ele cita Jo 17:9, onde Jesus não ora pelo mundo, mas por aqueles que o Pai lhe deu. Entretanto, essa interpretação negligencia João 17.20, onde Jesus diz que a sua oração não é somente por eles, mas por aqueles que creriam nele através de sua mensagem, e seu pedido era em favor de que eles fossem um, para que o mundo pudesse crer que Deus o havia enviado. Essa é sem dúvida uma oração em favor do mundo.

A pregação do evangelho pressupõe uma distinção entre o que Deus tem feito em Cristo e a necessidade das pessoas responderem a isso, com o reconhecimento de que a resposta pode ser negativa. Em 2 Co 5.18-21 Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, mas isto é seguido por seus embaixadores colocando uma oferta diante das pessoas,  a qual elas são chamadas a aceitar para que possam, de fato, ser reconciliadas com Deus. Em nenhum lugar a linguagem de Paulo implica que a “suportação” do pecado seja meramente para aqueles a quem ele sabe que irão responder positivamente. Falta-nos quaisquer declarações que dizem que Cristo morreu apenas por uma parte da humanidade; aqui de fato ele estava reconciliando consigo o mundo, não contando ofensas contra “eles”, ou seja, as pessoas que estão incluídas em “o mundo”.

Berkhof argumenta ainda que “a expiação assegura o cumprimento das condições que devem ser satisfeitas, de modo a obter a salvação”. Mas os textos que ele cita não provam seu ponto. Dizer que Deus fornece os meios de aceitação, ou seja, a fé e do dom do Espírito, não requer que Deus, tendo dado Cristo pelos pecados do mundo, deva agir para salvar cada indivíduo.

Finalmente, existe o problema de textos que podem sugerir que alguns pelos quais Cristo morreu podem, eventualmente, não chegar à salvação. A referência em Rm 14.15 sobre a possibilidade de destruição do irmão por quem Cristo morreu é tomada por Berkhof para se referir a uma possibilidade que Deus não vai permitir que a aconteça. Se isso é assim ou não, Paulo foi claramente capaz de usar essa linguagem para fazer seu ponto, e ele não poderia ter feito isso se acreditasse que a morte de Cristo por alguém fosse infalível para levá-lo a salvação. Berkhof afirma que 2 Pe 2.1 e Hb 10.29 referem-se a crentes nominais não-eleitos, os quais diziam (falsamente) que Cristo os comprara. Este pode ser o caso, mas é baseado na pressuposição de que o pré-escolhido não pode cair e, portanto, é um argumento circular.

O mesmo ponto geral é também desenvolvido por Letham, que argumenta que seria inconsistente para Deus fornecer a expiação para todos e os meios da graça só para alguns. Isto, no entanto, não é auto-evidente. Em qualquer compreensão do assunto, há uma distância entre o que Deus quer que aconteça e o que é alcançado. As demonstrações de seu amor para o mundo e de seu desejo que nenhum pereça estão juntas ao fato de que alguns perecem. Este é o paralelo entre sua provisão de salvação para todos e o fato de que ela não é recebida por todos.

A ladeira escorregadia ao universalismo

Berkhof afirma que a universalidade da provisão leva logicamente à aceitação universal da salvação. Cristo removeu a culpa de todas as pessoas, portanto, ninguém pode perder-se. Mas isto é imputar àqueles que discordam dele o mesmo erro que ele comete, ou seja, que qualquer um por quem Cristo morreu é infalivelmente trazido à salvação final, e isso simplesmente não é verdadeiro se nós reconhecermos que há uma distinção entre a provisão e finalização. Aqui Berkhof argumenta em círculo.

Na verdade, o perigo do argumento universalista pode ser aplicado a ambas as linhas de pensamento e não é, portanto, um argumento que os calvinistas possam usar contra os arminianos.

Para os arminianos, existe o quebra-cabeça porque se Deus providenciou salvação para todos, ele não fez mais para assegurar que todos a recebam. A resposta arminiana é apelar para o mistério do pecado humano e da rebelião que permanece um enigma.

Para os defensores da expiação limitada, há a questão de por que Deus determinou definir limites tão restritos deixando de fora tantas pessoas. É compreensível que os opositores da expiação limitada pensem que a imagem de Deus que emerge da noção de uma expiação limitada é a de um Deus não muito atraente, cujas decisões são pautadas por capricho. Sua imagem como um Deus de amor foi colocada abaixo do seu direito de fazer o que quiser. Mas se ele é um Deus de amor, não deve ser o amor característico de tudo o que ele decide e faz?

Justiça e da misericórdia

Aqui, deve ser abordado um ponto que é levantado por vários estudiosos, incluindo particularmente Helm e Letham. Este é o argumento de que há uma diferença na “lógica” da justiça e misericórdia. “Justiça, por natureza, não pode ser compensada, mas deve ser aplicada por todos. Por outro lado, misericórdia é um dom gratuito, inesperado e imerecido, e por sua própria essência, não pode ser exigido como uma obrigação, mas em vez disso é exercido soberanamente por quem concedê-lo. Falamos da prerrogativa de misericórdia, mas da necessidade de justiça”.

Este argumento de que Deus não tem a obrigação de mostrar misericórdia para com todos e, portanto, é perfeitamente justo em condenar alguns enquanto demonstra misericórdia com os outros, é frequentemente utilizado, mas é falho.

Primeiro, a justiça e a misericórdia não podem ser rigidamente separadas uma da outra. Nós esperamos que a misericórdia seja exercida de forma justa. No contexto humano, a prerrogativa de misericórdia é geralmente usada quando há circunstâncias fundamentais que justificam a não exigência de uma pena ou algo melhor do que isso; portanto, uma mulher grávida pode ser sentenciada a um período mais curto de prisão do que outro criminoso. Ou uma anistia pode ser anunciada na crença de que esta será uma maneira mais eficaz de remover um grande número de armas ilegais de circulação ao invés de tentar detectar e punir os portadores. Pode haver algum grau contingente de injustiça (por exemplo, para pessoas que não conseguiram cumprir o prazo para a anistia), mas isso não afeta o princípio geral de que o exercício da misericórdia é feito por uma boa causa; a misericórdia exercida é justificada e não arbitrária. Portanto, a ideia de que Deus pode arbitrariamente exercer misericórdia para com alguns e não para com outros, deve ser considerada injusta. Um juiz que trata uma mulher grávida com misericórdia, mas não apresenta nenhuma para com outra em semelhante circunstância, não seria tolerado.

Segundo, devemos nos lembrar de que presumivelmente não há limites estabelecidos para a capacidade de provisão da misericórdia de Deus. Pode-se entender que, em uma situação humana, onde os recursos são limitados (por exemplo, a disponibilidade de fornecimento de uma droga que salva vidas), escolhas arbitrárias podem necessitar ser feitas tanto para os que recebem quanto para os que lhes é negado. Mas no caso de Deus, seguramente não há limites em seus recursos e, portanto, não há razão para ele ser forçado a fazer uma distribuição arbitrária da sua misericórdia. Se Deus pode mostrar misericórdia para alguns, ele tem a capacidade de mostrar misericórdia para com todos.

Terceiro, o ensino bíblico sobre a graça e a misericórdia mostra que elas são motivadas essencialmente pela necessidade, desgraça e desamparo dos aflitos (Mt 9.36; Mc 5.19; 10.47, Lc 6.35 f.; 7.13; 10.33) e pecadores (Lc 15.20; 2 Co 8.9; 1 Tm 1.13; Hb 2.17 f.; cf. Jn 3.10 – 4.03). Deus os vê em risco de extinção e, portanto, ele sente pena deles e age para salvá-los. A misericórdia mostrada por Deus não é algo arbitrário que surge exclusivamente a partir de seus próprios propósitos inescrutáveis; pelo contrário, ela é despertada por seu reconhecimento da necessidade de pecadores indefesos. É isso que explica a ação da graça de Deus em dar o seu Filho como Salvador e criar a Igreja para ser a embaixadora da salvação e reconciliação (cf. Ef 2.1-10).

Mas aqui nós enfrentamos a objeção que, de acordo com Paulo, a misericórdia de Deus é seletiva em sua aplicação. O apelo é feito a Rom. 9:6-24, onde parece que a misericórdia de Deus é mostrada para alguns e não para outros. O argumento geral de Paulo aqui é que as promessas de Deus não falham simplesmente porque o povo escolhido falhou em seguir o messias. No entanto, seu objetivo principal é enfatizar que a misericórdia é prerrogativa de Deus e não é a uma resposta às obras humanas (Rm 9.11f.., 16); consequentemente, não pode ser reivindicada como um direito ou como algo merecido por ninguém, mas continua a ser o ato de Deus em sua liberdade (Rm 9.15). Isto é ilustrado pela escolha de Jacó para ser o pai do povo escolhido, em vez de seu irmão Esaú; isso não depende de nada realizado por um ou outro para merecer o favor de Deus. Ao final da seção, Paulo declara que o propósito de Deus à luz de Cristo é “ter misericórdia para com todos” (Rm 11.32), no qual o pensamento é primariamente tanto de judeus como gentios, ambos como grupos que foram desobedientes e caíram sob juízo  as distinções anteriores entre Isaque e Ismael, e entre Jacó e Esaú são superadas no cumprimento dos propósitos de Deus. Se Paulo está trabalhando aqui com uma distinção entre os judeus, que foram escolhidos como povo de Deus e os gentios que não foram escolhidos, ele está dizendo que isso não é mais um barreira para os gentios receberem a misericórdia de Deus; e se há um endurecimento em parte de Israel no tempo presente, ele não é permanente. Consequentemente, o argumento histórico de Paulo de que as pessoas não podem reivindicar misericórdia com base em suas obras, não implica que a sua misericórdia é agora seletiva e arbitrária. Na verdade, o oposto é verdadeiro; se a escolha de Israel era em algum sentido vista como a exclusão arbitrária dos gentios, a redenção em Cristo para os judeus e Gentios termina com isso completamente. Ele antecipa a extraordinária entrada de gentios e judeus à salvação.

Não há dúvida que isso não resolve todos os nossos problemas. Ele não explica por que o evangelho não chegou e não alcança todas as pessoas, como se Deus não fosse capaz ou não quis evangelizar o mundo, apesar de sua ordem aos discípulos de ir por todo o mundo e fazer discípulos de todas as nações; se se objetar que isso não se refere a cada pessoa individualmente, mas apenas para as nações, o ponto ainda está de pé, pois muitas nações nunca ouviram o evangelho.

É impossível produzir uma teodicéia que responda a todas as nossas perguntas. O próprio Letham invoca este ponto quando tenta explicar a relação entre a particularidade e a universalidade da expiação. Isto significa que não podemos descartar tanto  a expiação limitada como os entendimentos de universalidade, alegando que qualquer um deles deixa-nos com perguntas. Pelo contrário, o objetivo deste artigo é insistir que devemos fazer justiça ao ensino da Escritura, e não produzir uma doutrina de Deus que não esteja em harmonia com o ensino bíblico. A doutrina da expiação limitada não faz justiça ao ensino bíblico; ela exige uma leitura forçada e não natural dos textos. A doutrina da universalidade trata os textos de uma maneira melhor, mesmo que isso não resolva todos os problemas.

Pregando para os réprobos

Finalmente, há o argumento apresentado pelos defensores da expiação limitada de que esta doutrina não é incompatível com a oferta bona fide do evangelho para aquele que não têm esperança de ser salvo, pois Cristo não morreu por ele. Berkhof argumenta em sua própria defesa:

(a). A oferta do evangelho é simplesmente uma promessa de salvação para aqueles que creem, sem revelar a vontade secreta de Deus.

(b). Qualquer oferta está condicionada à fé e ao arrependimento processado pelo Espírito Santo.

(c). A oferta de salvação não diz que Cristo fez expiação por todos e que Deus quer salvar cada um. Ela simplesmente diz que a expiação é suficiente para todas as pessoas, descreve a natureza da fé e do arrependimento que são necessários, e promete que aqueles que vierem com o verdadeiro arrependimento e fé serão salvos.

(d). A tarefa do pregador não é harmonizar a vontade secreta de Deus e sua vontade revelada, mas simplesmente pregar o evangelho indiscriminadamente.

(e). Deus pode adequadamente chamar os não-eleitos para fazer algo que seja do seu agrado.

(f). A pregação do evangelho serve para remover qualquer vestígio de desculpa dos pecadores cujo pecado culmina em se recusar a aceitá-lo.

Estes argumentos são falaciosos. O defensor da expiação limitada diz que a morte foi somente para os pré-escolhidos (e não realmente para “o mundo”), mas que poderia ter sido suficiente para um número maior, enquanto que o defensor da expiação ilimitada, diz que a morte foi em nome de todos, mas torna-se eficaz na liberação da condenação apenas para aqueles que a aceitam. Os defensores da expiação limitada precisam ter uma morte que é suficiente para todos de modo que aqueles que rejeitam a Cristo realmente o fazem para algo que lhes estava disponível. Mas uma vez que isso é admitido, sua visão começa a parecer um jogo de palavras. A outra interpretação (ilimitada) tem a óbvia vantagem de tomar os textos de uma forma clara.

Mas dizer que a expiação é suficiente para todas as pessoas, porém não foi feita em lugar de todas elas, é sem sentido. Como pode a expiação ser suficiente para as pessoas para as quais ela não foi feita? Isso é puro casuísmo não convincente. Ademais, isso contradiz o próprio princípio de Berkhof que a expiação e a aplicação da salvação são duas partes indissociáveis de um único propósito de Deus. Baseado nessa premissa, como pode esse Deus produzir uma expiação que é suficiente para todas as pessoas sem também providenciar a quantidade de chamadas eficazes que seja suficiente para todas as pessoas? Nem é justo Deus chamar o não-escolhido para fazer o que ele não pode por definição fazer. Se Deus se recusou a estender a eles a mesma graça que ele dá para os pré-escolhidos, eles têm a desculpa de que ele pediu para fazerem o que lhes é impossível (já que, por definição, eles não podem se arrepender a menos que Deus os habilite). O fato de Berkhof estar reduzido a argumentos pouco convincentes e ilusórios, mostra apenas claramente as falhas em sua posição basilar.

Conclusão

Eu argumentei que o Novo Testamento ensina claramente que a morte de Cristo não foi limitada em seu escopo, e que os textos que positivamente afirmam isso devem ser tomados em seu sentido natural em vez de ter um senso não natural imposto sobre eles pelo bem de um sistema dogmático. É o sistema que requer uma revisão e não o claro ensino das Escrituras. O Novo Testamento não ensina que a morte de Cristo é limitada em seu alcance aos pré-escolhidos para a salvação. Segue-se que a tentativa para enfraquecer esta parte da fundação das explorações teológicas de Clark Pinnock não é bem sucedida, e as questões que ele levanta não podem ser tão facilmente evitadas ou consideradas como impróprias. Ao mesmo tempo, este é o caso em que um dos cinco pontos de Dort é demonstrado falhar exegeticamente, e deveríamos nos contentar em reconhecer que há algumas questões sobre a salvação que não são resolvidas recorrendo a um decreto secreto de Deus que vai contra o seu amor declarado pelo mundo e desejo de que nenhum pereça, mas sim por um reconhecimento de que o mistério do mal está além de nossa compreensão.

 

Calvinismo versus Arminianismo

 

O termo Calvinismo é dado ao sistema teológico da Reforma protestante, exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). Seu sistema de interpretação bíblica pode ser resumido em cinco pontos, conhecidos como “os 5 pontos do Calvinismo” (TULIP em inglês):

1 – Total Depravity (Depravação total) - Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais;

2 – Unconditional Election (Eleição incondicional) - Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles;

3 – Limited Atonement (Expiação limitada) - Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;

4 – Irresistible Grace - (Graça Irresistível) - A Graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles;

5 - Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos) - Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá a salvação.

O Arminianismo é o sistema de Teologia formulado por Jacobus Arminius (1560 -1609),  teólogo da Igreja holandesa, que resolveu refutar o sistema de Calvino.

Armínio apresentou seu sistema em 5 pontos:

1 – Capacidade humana, Livre-arbítrio - Todos os homens embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece (por meio da Graça Preveniente);

2 – Eleição condicional - Deus elegeu os homens que ele previu que teriam fé em Cristo;

3 – Expiação ilimitada - Cristo morreu por todos os homens e não somente pelos eleitos;

4 – Graça resistível - Os homens podem resistir à Graça de Deus para não serem salvos;

5 – Decair da Graça (remonstrantes que propuseram isso, Armínio acreditava na doutrina da Perseverança dos Santos) - Homens salvos podem perder a salvação caso não perseverem na fé até o fim.

O sistema teológico de Armínio foi derrotado no Sínodo de Dort em 1619 na Holanda, por  ser considerado anti-bíblico.

Hoje o Arminianismo é o sistema teológico adotado pela  maior parte das igrejas evangélicas. As seitas e o Catolicismo Romano também rejeitam o  Calvinismo.

           TABELA COMPARATIVA ENTRE OS DOIS SISTEMAS TEOLÓGICOS

 

ARMINIANISMO

1

Livre-Arbítrio ou Escolha Humana

Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, por livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento. (Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10)

2

Eleição Condicional

Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
(Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20; 22:17)

3

                                                Redenção Universal ou Expiação Geral

O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, e todos os que crêem, serão salvos.(Jo 3:16; 12:32; 17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2)

4

                                          Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito Santo

Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.
(Lc 18:23; 19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19)

5

DECAIR DA GRAÇA

Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo. (Lc 21:36; Gl 5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2Pe 2:20-22)

SÍNODO DE DORT

(foi rejeitado)

Este foi o sistema de pensamento contido na “Remonstrância” (embora originalmente os cinco pontos não estivessem dispostos nessa ordem). Esse sistema foi apresentado pelo arminianos à Igreja na Holanda em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619 sob a justificativa de que era anti-bíblico.

CALVINISMO

1

Incapacidade ou Depravação Total

O homem natural não pode sequer apreciar as coisas de Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não tomar a iniciativa, infundindo-lhe a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente. (Sl 51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13)

2

Eleição Incondicional

Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando os demais. Aos eleitos Deus manifesta a Sua misericórdia e aos reprovados a Sua justiça. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem homens nem anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando todos os demais) e torná-los filhos adotivos quando eram filhos das trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais (inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de Deus ao homem, não do homem a Deus. (Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4)

3

                                                     Redenção Particular ou Expiação Ltda

Segundo Agostinho: a graça de Deus é “suficiente para todos, eficiente para os eleitos”. Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram. (Jo 17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5)

4

                                         A Vocação Eficaz do Espírito ou Graça Irresistível

Embora os homens possam resistir à graça de Deus, ela é, todavia, infalível: acaba convencendo o pecador de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um rapaz apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se com ele, livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se perde tem consciência de que está livremente rejeitando a salvação. Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos, porém, agem livremente. (Jr 3:3; 5:24; 24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb 12:2)

5

PERSEVERANÇA DOS SANTOS

Alguns preferem dizer “perseverança do Salvador”. Nada há no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação. Poderá até pecar e morrer fisicamente (1Co 5:1-5). Os apóstatas nunca nasceram de novo, jamais se converteram. (Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3; Hb 7:25)

SÍNODO DE DORT

(foi confirmado)

Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras Sagradas. Naquela ocasião, o sistema foi formulado em “cinco pontos” (em resposta aos cinco pontos apresentados pelos arminianos) e desde então tem sido conhecido como “os cinco pontos do calvinismo”.

 

Será que a Apologética leva o crente a se perder?

Muitos têm feito essa afirmação: “quem se mete em apologética termina se perdendo”.

Ora, o maior apologista que já existiu foi o próprio Jesus Cristo, pois Ele foi quem mais defendeu a fé contra os ataques dos religiosos, e ensinou a importância da fidelidade ao que está escrito, pois em Sua própria tentação defendeu-se utilizando a Escritura.

Os apóstolos deixaram grandes ensinos apologéticos, como Judas que fez uma carta inteira que é denominada como um chamado ao combate cristão; Pedro que exorta a sabermos responder com mansidão e temor aos questionamentos que nos são feitos, santificando a Cristo em nossos corações em primeiro lugar; Paulo que todos os dias estava nas praças das cidades para debater com os filósofos, aos sábados nas sinagogas para debater com os judeus e aos domingos reunindo-se com os irmãos.

Não vejo a apologética como uma ferramenta que desvia o crente do caminho, mas uma ferramenta que faz com que estejamos sempre alertas, vigilantes e sóbrios contras as armadilhas, ou melhor, contra as centenas ou milhares de armadilhas que são postas em nossos caminhos.

Normalmente, aqueles que se opõem a apologética são os mesmo que têm ensinado heresias e distorções e temem que suas máscaras caiam e sejam confrontados com a verdade da Escritura.

A apologética não deve servir para formar um exército de “xiitias” evangélicos que saem por aí brigando com todo mundo, não! A apologética deve servir como instrumento de esclarecimento da doutrina bíblica sadia e como ferramenta de evangelização. Afinal, devemos estar “preparados” para responder com mansidão e temor.

Acredito que a apologética não leva o crente a se perder, mas o ajuda a encontrar o verdadeiro Deus da Bíblia, livre dos estereótipos estabelecidos pela sociedade e pela religiosidade do ser humano. A apologética ajuda o estudante a ver Deus como Ele realmente é, e não como gostaríamos que fosse segundo nossa própria vontade e entendimento.

Jesus defendeu a fé, quando lhe perguntaram sobre os impostos, e Ele disse: “Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (Mt 22:21)
Jesus defendeu a fé, quando disse que: “O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui”. (Jo 18:36)
Jesus defendeu a fé, quando açoitou os comerciantes na porta do templo: “E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões”. (Mt 21:13)

Jesus defendeu a fé, quando por várias vezes explicou os detalhes e minúcias da Escritura (Mt 26:31; Mc 7:6; Mc 14:21).

Jesus defendeu a fé, quando foi questionado (Mt 22:24).

A apologética é uma ferramenta que ajuda o crente a pensar, e pensar de forma coerente, sensata, lógica, correta e bíblica.

A apologética ajuda o crente a conhecer a verdade, e conhecendo a verdade se chega a liberdade. O problema é que muitos líderes religiosos pretendem manter suas “ovelhas” no aprisco da cegueira e escravidão.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8:32)

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15)

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22:29)

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Cl 2:8)

COMENTÁRIO;

 A apologética  está inserida em todo aquele que nasce  de novo em Cristo Jesus e decide cerdadeiramente caminhar e viver em Cristo, tornando-se  em um distinto discípulo Seu, que é fiel e leal até a morte!

O Milênio

“Gostaria de saber, com precisão, o que significa o Milênio.”      

O Milênio é, sem dúvida, o maravilho­so reinado de Cristo na Terra por mil anos. Há aqueles que totalmente o mate­rializam, ou o espiritualizam demais. Evi­temos tais extremos. Esse período áureo é ansiosamente esperado pelo povo israelita. Podemos dizer também que, na verdade, o Milênio não deixa de ser um assunto con­trovertido, como as profecias acerca dos úl­timos dias. Exatamente por isso, o nosso interesse por ele aumenta, ao examiná-lo à luz das Escrituras.

O Milênio é um período de mil anos em que Jesus, juntamente com a sua Igreja glorificada, governará a Terra. Esse gover­no, porém, não será alegórico nem simbóli­co, mas real, concreto, visível: Ap 20.4,6.

Terá início no fim da Grande Tribulação, quando o Anticristo e o falso Profeta tiverem sido vencidos, e Satanás estiver preso; mas depois que Jesus tiver julgado as nações.

Os diferentes nomes aplicados ao Milê­nio, fazem-nos compreender o significado desse período:

1. “Mil anos” (Ap 20.4,6), expressão que define a extensão do tempo.

2.  “Regeneração da Terra” (Mt 19.27,28), mostra-nos a origem do novo tempo de bênção para o mundo.

3. “Consolação de Israel” e “Redenção de Israel” (Lc 2.25,38), isso fala daquilo que Israel esperava: a plenitude na mani­festação do Messias.

4. “Reino de Cristo e de Deus” (Ef 5.5), revela-nos Cristo como governante: Ele re­ceberá o poder e o reino, de Deus, seu Pai: Is 9.7; Dn 7.13,14; Lc 1.32,33.

5. “Dispensação da plenitude dos tem­pos”, Ef 1.10. As Escrituras mostram-nos que o Milênio será o último dos grandes períodos históricos, antes do raiar da eter­nidade.

Afirmamos ainda que o Milênio é um tempo de extrema felicidade: Jesus gover­nará, e o Diabo estará preso. Os homens, nesse tempo, gozarão bênçãos riquíssimas na vida material. Haverá condições favo­ráveis à abolição do álcool, dos entorpecen­tes e do fumo, que causam danos a saúde; isso fará os homens alcançarem idade avançada, o que era comum no início da criação: Is 65.20,23; Zc 8.3,4. As bênçãos de Deus operarão saúde para os povos: Is 35.5,6; Ml 4.2.

No que tange ao desenvolvimento tec­nológico e econômico – neste período será surpreendente. Haverá um tempo de re­construção como nunca houve na terra. Não haverá administradores desonestos no governo de Jesus: Is 58.12; 61.4. As possibilidades de aquisição de casa própria serão ampliadas: Is 65.21,22. O bem-estar so­cial alcançará progressivamente a todos: SI 72.1,7; 1.3,6. Também a tecnologia será posta a serviço do bem comum. Atualmen­te o objetivo da Ciência é a guerra, o aper­feiçoamento bélico, mas no Milênio ela es­tará a serviço da paz e do bem.

A natureza florescerá no Milênio. Nesse período áureo a vegetação estará liberta da maldição do dia da queda: Gn 3.17,19. Toda criação será liberta da escra­vidão (Rm 8.18,22) e a terra será fértil, de modo que os lugares secos se tornarão em jardins verdejantes: SI 67.6; Jl 2.19,24; 3. 18; Am 9.13.

Ademais, a fauna será alcançada pelas bênçãos do Milênio. Por ter sido abolida a maldição original, nenhum animal causará mal ao homem (Is 11.6,7,8; 65.25) e também, nesse tempo, os homens estarão li­vres dos insetos.

Ainda no plano político, haverá durante o Milênio paz e compreensão como nunca antes: o povo judeu, em cuia terra será cen­tralizada a administração universal de Je­sus, terá alcançado a glória perfeita anun­ciada nas profecias. Quando Jesus vier em glória dará ordens aos seus anjos para que ajuntem todos os judeus dos quatro cantos da terra, para trazê-los à Palestina, para que ali se tornem, de fato, numa única na­ção.

A Palestina terá todo o território que Deus prometeu a Abraão: Gn 15.14,18; 32.41,46. Os judeus alcançarão também a paz e o sossego que atualmente lhes é tão difícil conseguir: Ez 28.15; Zc 10.10,11. Vi­verão a plenitude da promessa feita a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra”, Gn 12.1,2. Serão cabeça entre as nações: Dt 28.13. Destarte, haverá completa harmonia entre as nações, Dt 28. 13. Haverá também harmonia entre os is­raelitas: Is 11.13. Nenhuma forma de men­tira condicionará as relações internacio­nais: Sf 3.9. Os povos viverão felizes (Is 66.18,19) e a glória habitará na terra: SI 85. 9.

Queremos salientar ainda que, se algu­ma dúvida ficou a ser esclarecida, propo­mos ao amigo leitor a leitura do livro O Milênio, de autoria do pastor João de Oliveira (de saudosa memória), que, exaustiva­mente, discorre sobre este tema, elucidan­do, com muita precisão e firmeza, os pon­tos conflitantes.

A Bíblia Responde – Editora CPAD

 

A circuncisão foi substituída pelo batismo?

 “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” Cl 2:11-12

Introdução

A prática do batismo de crianças é frequentemente justificada com o argumento de que o batismo é o equivalente neotestamentário da circuncisão. A passagem bíblica em epígrafe é geralmente usada para provar esse argumento. No presente artigo pretendemos analisar se esta passagem ensina que o batismo substituiu a circuncisão na nova aliança. A pergunta que procuraremos responder é: Cl 2:11-12 ensina ou leva à conclusão de que a circuncisão é o antecedente bíblico do batismo?

Sabemos que nem sempre chegaremos a uma certeza do significado de um texto. Mesmo assim, temos certeza que não pode significar algo que não significava para o seu autor e seus leitores. Portanto, se Paulo não pretendia ensinar aos colossenses que o batismo substitui a circuncisão, é muitíssimo improvável que tal ensino possa ser extraído naturalmente da passagem.

Em nosso trabalho, faremos uma análise do texto e procuraremos levantar o contexto histórico e o propósito da carta. Também tentaremos relacionar a passagem com outras cartas paulinas, mas sempre focados em Colossenses 2, evitando aprofundar questões teológicas envolvidas. Evidentemente que é um trabalho tentativo e a conclusão, sofre das limitações próprias de seu autor.

ANÁLISE GRAMATICAL

Para análise gramatical, tomamos por base a Almeida Corrigida Fiel e o Stephen’s Textus Receptus, utilizando um critério puramente pessoal para essa escolha. Contudo, uma comparação rápida com o texto crítico e com outras versões e traduções não revelou diferenças significativas. O texto mais dissonante do utilizado é a NVI, pelo que se recomenda para comparação.

Análise do texto

Começando com o verso 11, temos No qual (εν ω), que se refere ao Senhor Jesus Cristo, em quem habita “toda a plenitude da divindade” (v. 9) e é “a cabeça de todo o principado e potestade”(v. 10b). também (και), indica que há outra bênção e a encontramos na expressão “estais perfeitos nEle” (v. 10a). Perfeito é completoplenificado. Em estais circuncidados(περιετμηθητε) o aoristo e o indicativo do verbo dão a certeza de já foi realizado, de uma vez por todas. Não há margem para dúvidas. com a circuncisão (περιτομη) não se trata de circuncisão física, conforme fica mais claro a seguir. não feita por mão (αχειροποιητω). Indica a natureza espiritual da circuncisão, pois denota “não feito por mãos do homem” (Ef 2:11) ou “não desta criação” (Hb 9:11. Cf. Mc 14:58; At 7:48; 17:24; 2Co 5:1 Hb 9:24). E no despojo do corpo dos pecados da carne (εν τη απεκδυσει του σωματος των αμαρτιων της σαρκος), além da natureza espiritual, temos que a extensão não se limita a uma parte do órgão sexual masculino, mas à natureza humana. a circuncisão de Cristo (εν τη περιτομη του χριστου). Não deve ser uma referência à circuncisão de Jesus ao oitavo dia, mas mais provavelmente à sua morte na cruz.

No verso 12, temos sepultados com ele (συνταφεντες αυτω). Como estamos em Cristo, somos sepultado juntamente com ele. Não significa supultado nEle. no batismo (εν τω βαπτισματι). Batismo aqui pode ser a) o batismo de Jesus, no Jordão; b) o batismo de Jesus na cruz (Mc 10:38; Lc 12:50); o batismo do crente nas águas ou o batismo do crente em Jesus. Considerando que se trata de batizado com Ele e não nEle, que a morte de Jesus já foi referida pela circuncisão, resta o batismo de Jesus no Jordão e do crente nas águas. Fico com esta última. nele também ressuscitastes (εν ω και συνηγερθητε). Se morremos e somos sepultados com Jesus, então somos ressuscitados com Ele. Com Ele, como na NVI, é uma melhor tradução. pela fé no poder de Deus(δια της πιστεως της ενεργειας του θεου). A fé no poder de Deus é o meio instrumental da ressurreição do crente. que o ressuscitou dentre os mortos (του εγειραντος αυτον εκ των νεκρων). Se Deus teve poder para ressuscitar Jesus, pode nos ressuscitar também.

CONTEXTO

Contexto histórico

Colossos era uma cidade da província romana da Ásia, situada no vale do Lico, formando um triângulo com Laodicéia e Hierápolis, ambas mencionadas no Novo Testamento. No passado, tinha sido uma cidade próspera, mas no início da era cristã estava ofuscada pelas suas vizinhas e reduzida a pouco mais que uma vila. Nessa região havia todo tipo de filosofias e religiosos ambulantes abundavam. Colossos também contava com uma expressiva colônia judaica e tinha um constante influxo de novas ideias e doutrinas orientais. Enfim, era um solo fértil para especulações religiosas e heresias e um desafio para a pureza do evangelho.

Provavelmente Colossos nunca seria mencionada no Novo Testamento se não houvesse uma igreja ali. Mas havia. Não foi fundada por Paulo e não consta que tenha sido visitada por ele, por isso não é mencionada em Atos. Paulo ouviu falar de sua fé, mas nunca os encontrou pessoalmente. Contudo, uma igreja desconhecida, numa cidade inexpressiva, recebe uma carta inspirada do grande apóstolo!

Muito provavelmente Epafras foi o fundador e líder da igreja em Colossos, além de outros moradores da cidade como Filemon, Áfia, Arquipo e outros, que podem ter ouvido Paulo em Éfeso (160km) e compartilharam a fé com seus amigos, dando origem à igreja, formada predominantemene por gentios, embora tivesse entre seus membros judeus convertidos. Quando Paulo escreveu a carta, a igreja tinha cerca de cinco anos de existência.

Estando Paulo preso em Roma, Epafras vai à sua procura, para pedir-lhe ajuda. Algumas doutrinas tinham chegado a Colossos e estavam invadido a igreja, ameaçando a paz e a pureza do evangelho. O que vem a ser exatamente essa “heresia colossense” é objeto de discussão, mas é certo que se tratava de uma combinação de misticismo oriental, legalismo judaico, astrologia pagã, elementos do gnosticismo e do ascetismo, com uma pitada de cristianismo.

A atratividade da heresia parecia ser a promessa de um tipo de união com Deus que levava a pessoa à perfeição espiritual, passando a fazer parte da “aristocracia espiritual” da igreja, através de práticas ritualíticas que visavam obter um “conhecimento profundo” e de ascetismo que evitava o contato com a matéria, inerentemente má. Embora seja mencionada na refutação paulina, não parece que a circuncisão fosse um dos rituais exigidos. Tampouco parece estar havendo alguma controvérsia envolvendo o batismo. Paulo, em sua preocupação com a igreja, escreve a Epístola aos Colossenses, e como Epafras permaneceu com ele, para ajudá-lo em sua prisão, a mesma foi entregue por Onésimo e Tíquico.

O propósito da carta, portanto, é refutar a heresia que campeava na igreja de Colossos e restabelecer a verdade e a simplicidade do evangelho. Supor que Paulo tinha a intenção de demontrar que a circuncisão tinha se tornado obsoleta, sendo suplantada pelo batismo cristão como novo sinal da aliança é trazer para o texto elementos estranhos ao mesmo. O argumento paulino é, todo ele, centrado na supremacia de Cristo e na suficiência de Sua obra e não numa troca do sinal externo da regeneração.

Contexto literário

Os versos 11 e 12 estão inseridos no parágrafo seguinte (Cl 2:4-12):

“E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas. Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo. Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças. Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.”

Como vimos, a carta foi motivada pelo relato de Epafras da situação da igreja, ameaçada por heresias gnósticas, legalistas e ascéticas. Aparentemente, os crentes colossenses estavam sendo convencidos que lhes faltava algo para serem espiritualmente completos; só crer em Jesus não lhes bastava, parecia ser o ensino dos falsos mestres. Paulo denuncia tais mestres como enganadores, advertindo-lhes “que ninguém vos engane com palavras persuasivas”“por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”. Eles já haviam recebido o Senhor Jesus Cristo, então tudo o que precisavam era continuar “nele, arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças”. Nada mais lhes era necessário, pois tinham Cristo, e “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”.

O cerne do argumento paulino é “e estais perfeitos nele”. O termo πεπληρωμενοι significa estar completo, cheio, pleno. Uma versão traduz “tendes a vossa plenitude nele”. Nenhum ritual externo precisaria ser adicionado, pois em Cristo eles já tinham obtido tudo o que os falsos líderes estavam prometendo. Afirmar, portanto, que Paulo ensina que o batismo cristão substituiu a circuncisão judaica é anular toda linha argumentativa do apóstolo. Se ele dissesse “vocês não precisam ser circuncidados, pois foram batizados”, estaria enfraquecendo a afirmação de que em Cristo os crentes de Colossos já estavam plenificados, completos, perfeitos.

Correlação e contexto bíblico

Entender o ensino do apóstolo Paulo sobre batismo e circuncisão pode lançar luzes também sobre essa passagem. Será que Paulo relacionava circuncisão e batismo, e caso afirmativo, de que forma ele fazia?

As declarações “dou graças a Deus porque a nenhum de vós batizei, exceto Crispo e Gaio” (1Co 1:14) e “porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho” (1Co 1:17) podem dar a impressão de que Paulo não tinha o batismo em grande conta. Mas essas frases foram ditas num contexto em que ele combatia o partidarismo corintiano e era “para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome” (1Co 1:15). Logo que ele se converteu “levantou-se e foi batizado” (At 9:18). Estava por perto quando Lídia, o carcereiro e Crispo foram batizados, este último pelo próprio (At 16:15; 33; 18:8; cf 1Co 1:14). Indicativo de que Paulo valorizava o batismo é que chegando em Éfeso e sendo informado de que haviam sido batizados apenas com o batismo de João, levou-os a serem batizados no batismo Cristão (At 19:3-4).

Paulo entendia que “há um só Senhor, uma só fé, um só batismo” (Ef 4:5) e que “fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6:4). O poder para viver essa dimensão ética do batismo é recebido no próprio ato, “porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes” (Gl 3:27).

Da leitura de todas as passagens paulinas sobre o batismo concluímos que ele jamais faz alguma associação entre batismo e circuncisão. Aliás, o tema circuncisão é mais recorrente que o do batismo nos relatos e cartas paulinos, e ele jamais  menciona que a circuncisão foi substituída pelo batismo.

Paulo esteve presente no Concílio de Jerusalém, em que a posição dos fariseus crentes, que entendia quanto aos cristãos gentios ser “necessário circuncidá-los e determinar-lhes que observem a lei de Moisés” (At 15:5). Era o momento para Paulo, Pedro ou Tiago eximirem os crentes da circuncisão com o argumento de que haviam sido batizados nas águas. Porém, a linha de defesa adotada foi a concessão do Espírito Santo e a purificação do coração pela fé. Entre as coisas essenciais a que eles foram sujeitados em lugar da circuncisão não constava o batismo.

Digno de nota é o fato de que Paulo, encarregado de levar a mensagem aos cristãos gentios, tendo encontrado “um discípulo chamado Timóteo” (At 16:1), “quis Paulo que ele fosse em sua companhia e, por isso, circuncidou-o por causa dos judeus daqueles lugares” (At 16:3). Ora, isso mostra que Paulo não via a circuncisão como substituto para o batismo, do contrário, argumentaria com os judeus nesse sentido. Contudo, em outra ocasião, disse que “nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se” (Gl 2:3). Incoerência? Seria, se o batismo tivesse substituído a circuncisão na igreja, pois tanto Timóteo como Tito já haviam sido batizados. Mas como um era filho de judia, cabia-lhe ser circuncidado, como o outro era grego, não estava sob essa imposição cultural.

No início da carta aos Romanos Paulo argumenta em favor da inutilidade da circuncisão. “Qual a utilidade da circuncisão?” (Rm 3:1), pergunta. Para ele, “a circuncisão, em si, não é nada” (1Co 7:19), ”pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura” (Gl 6:15). Note que Paulo não contrapõe circuncisão e batismo, mas circuncisão e novo nascimento. Como nascemos de novo “nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne” (Fp 3:3).

Como podemos ver, seja no seu combate às tentativas judaizantes de impor a circuncisão aos gentios crentes, seja na sua exposição positiva do batismo, em nenhuma das situações Paulo recorre ao batismo como sucedâneo cristão da circuncisão. Este é um pensamento estranho ao apóstolo Paulo ao falar de batismo e circuncisão.

Conclusão

Vimos, acima, que Paulo não tinha a intenção de ensinar em Cl 2:11-12 o batismo como sucedâneo da circuncisão. O argumento paulino contra a filosofia colossense era que em Cristo os cristãos já estão plenificados, não carecendo de nenhum ritual para se realizarem espiritualmente. Argumentar, baseado neste texto, que o batismo é mero substituto do batismo tira a força do argumento de Paulo. Pois iria na direção de que a circuncisão não é necessária, não porque em Cristo “habita corporalmente toda a plenitude da divindade; e estais perfeitos nele” (Cl 2:10), mas devido ao fato deles terem sido batizados, sendo que o batismo, assim como a circuncisão é “feito por mão” de homem.

=============================================================================================================================

 

Amnésia dos Cinco Solas da Reforma

“[...] Antes mesmo de compreendermos os cincos solas que permearam as mentes dos reformadores, precisamos compreender como a igreja contemporânea esqueceu a reforma e como a igreja hoje está seguindo a agenda do mundo. Nas palavras de H.Richard Niebuhr: “todas as tentativas de interpretar o passado são tentativas indiretas de se compreender o presente e seu futuro”.¹

“Repetidas vezes na Bíblia , especialmente nos Salmos, os crentes são conclamados a lembrar-se daquilo em que creem, porque creem, e a transmitir os relatos da história  da redenção a seus filhos” (M.S. Horton, 1999, pag.97)

“Assim diz o Senhor: “Ponham-se nas encruzilhadas e olhem; perguntem pelos caminhos antigos, perguntem pelo bom caminho. Sigam-no e acharão descanso”. Mas vocês disseram: ‘Não seguiremos! ’

Jeremias 6:16

 

“ Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;  E desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.”

 

2 Timóteo 4:3,4.                                                                                                                                                                                                            

Mas hoje é comum demais ver até os crentes buscando aquele descanso espiritual num Frenesi de prazer pelo novo e melhorado em vez  pelo experimentado e testado. Hoje muitas das principais denominações que tinham suas convicções firmadas nas sã doutrinas, deixaram de crer na capacidade  de explicar as imensas mudanças que a sociedade pós-moderna aplica hoje. E se poucos sobraram delas para passar para seus filhos dum modo ou de outro dificilmente escaparão da secularização. O protestantismo está perdendo seus membros, por que deu as costas a seus próprios recursos preciosos. As igrejas do tempo atual desenvolveram um cristianismo de múltipla escolha, no qual os indivíduo escolhem o que preferem e passam por cima daquilo que não se ajusta a seus objetivos espirituais. O que muito deixam para traz é o sentimento penetrante do pecado” (HORTON, 1999, pag.98, grifo meu). 

Precisamos de uma nova reforma!

Certamente os cristãos primitivos enfrentaram a tentação de aparar as arestas e neutralizar a ofensa da Cruz. Como o próprio apóstolo Paulo denunciou aqueles “superapóstolos” de desejarem tornar o cristianismo mais atraente removendo a ofensa da Cruz acabam enfraquecendo o evangelho bíblico.

E hoje os tempos que vivemos os nossos pais não nos passou nem 10% daquilo que a reforma representa, nem mesmo na maioria das igrejas não se prega a essência e a ofensa da Cruz. Mas com esse propósito afirmamos os solas da Reforma: “Somente a Escritura, somente Cristo, somente a graça, somente a Fé e Glória somente a Deus.” Estamos igualmente convencidos de que cada uma dessas declarações está ameaçada mesmo dentro do movimento que se acha na linguagem espiritual direta  descendente da Reforma. Portanto nós, como os nossos antepassados precisamos fazer a nossa confissão diante da igreja e do mundo. No que segue focalizo nossa atenção nesses pontos-chave da Reforma e tiro algumas conclusões sobre onde nós estamos em cada um desses solas em nosso próprio contexto.

[1] H. Richard Niebuhrthe kingdom of god in America (Nova york: Harper and Row, 1937),2.”

Qual o propósito da Igreja?

Atos 2.42 pode ser considerado como a “frase-propósito” para a igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” Então, de acordo com esta Escritura, os propósitos ou atividades da igreja devem ser: (1) o ensino da doutrina bíblica, (2) providenciar um espaço de adoração para os crentes, (3) observar a Ceia do Senhor, e (4) oração.

A igreja deve ensinar a doutrina bíblica para que possamos ter os alicerces de nossa fé. Efésios 4.14 nos diz: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” A igreja deve ser um lugar de comunhão, onde os cristãos possam se devotar uns aos outros e honrar uns aos outros (Romanos 12:10), instruir uns aos outros (Romanos 15.14), ser benignos e misericordiosos uns com os outros (Efésios 4.32), encorajar uns aos outros (I Tessalaonicenses 5.11), e principalmente, amar uns aos outros (I João 3.11). lembremo-nos de que foi o próprio Senhor Jesus Quem disse: " Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." ( Mateus 18:20 ) - Para ser adorado, exaltado, louvado e glorificado, na realidade o que importa é as pessoas que estão reunidas e qual a motivação desta reunião, e não o lugar propriamente dito, pois o local onde é realizada a adoração não caracteriza, nem determina se realmente o objetivo, o alvo seja focado em Deus, em Jesus e que seja realmente dirigido pelo Espírito Santo.

A igreja deve ser um lugar onde os crentes possam observar a Ceia do Senhor, lembrando-se da morte de Cristo e Seu sangue derramado em nosso favor (I Coríntios 11.23-26). O conceito de “partir o pão” (Atos 2.42) também carrega a ideia de refeições compartilhadas. Este é outro exemplo da igreja promovendo a comunhão. O propósito final da igreja, de acordo com Atos 2:42 é a oração. A igreja também deve ser um lugar que promova a oração, ensine a oração e pratique a oração. Filipenses 4.6-7 nos encoraja: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.”

Uma outra “comissão” (tarefa) dada à igreja é proclamar o Evangelho de salvação através de Jesus Cristo (Mateus 28.18-20; Atos 1.8). A igreja é chamada a ser fiel em compartilhar o Evangelho através de palavras e ações. A igreja deve ser um “farol” na comunidade: mostrando às pessoas o caminho para nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A igreja deve tanto promover o Evangelho quanto preparar seus membros para proclamar o Evangelho (I Pedro 3.15).

Tiago 1:27 nos dá alguns propósitos finais da igreja: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.” A igreja deve ministrar àqueles que estão em necessidade. Isto inclui não somente compartilhar do Evangelho, mas também providenciar pelas necessidades físicas (comida, roupas, abrigo), quando necessário e apropriado. A igreja deve também equipar os crentes em Cristo com as ferramentas de que necessitam para vencer o pecado e permanecerem livres da contaminação do mundo. Isto é feito pelos princípios dados acima: ensino bíblico e comunhão cristã.

 

Então, tudo dito, qual o propósito da igreja? Gosto da ilustração em I Coríntios 12.12-27. A igreja é o “corpo” de Deus: somos Suas mãos, boca e pés neste mundo. Devemos fazer as coisas que Jesus Cristo faria se Ele estivesse aqui na terra, fisicamente. A igreja deve ser “cristã”: “como Cristo” e “seguidora de Cristo”.

===============================================================================================================

CONGREGAÇÃO CRISTÃ DO BRASIL

 

A Congregação Cristã no Brasil e o estudo da Bíblia

É corriqueiro ouvirmos de membros da Congregação Cristã no Brasil (daqui ora frente CCB) que a comida servida lá é melhor, isso pelo fato de sair na hora. Ali Deus fala na boca do ancião no instante em que ele abre a Bíblia, enquanto que os pastores servem comida fria aos seus membros, pois precisam ficar estudando a Bíblia para poder falar ao povo.

O culto na CCB parece mais uma reunião de adivinhos do que um culto de louvor e adoração a Deus. Seus membros ficam esperando que Deus abra a boca do ancião e fale através dele. Dessa maneira, ficam esperando soluções imediatistas de seus líderes. Abrem a Bíblia aleatoriamente e onde cair o texto é feito um breve comentário. São os profetas do óbvio! Profetizam e pregam aquilo que é patente aos olhos de todos. Por exemplo, na hora das revelações é dito pelo ancião que: “Aqui existem irmãos que estão passando por grandes lutas, mas Deus manda lhes dizer que vai lhes dar vitória!” Assim, o adepto sai com a impressão de que “Deus falou” com ele. Diante desse quadro estereotipado de uma suposta manifestação do Divino, entendemos por que os membros da CCB não estudam a Bíblia. O contexto em que Deus é ali procurado ou invocado não passa de uma cópia do esoterismo, desfocado da teologia bíblica. O que é extrinsecamente revelado nesse contexto não passa de um codilho manipulador de mentes fabulosas.

Sem dúvida, o Espírito Santo opera poderosamente na vida de sua Igreja. Contudo, a fé nos ensina a crer no Espírito Santo e nos submeter à sua direção. É essa crença que nos leva a preparar-nos pelo exame das Sagradas Escrituras, que é a Palavra de Deus. Diz-nos a Bíblia:

Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim”(João 5.39)

“”Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá” (I Tm 4.13)

“Quando vieres traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, especialmente os pergaminhos” (II Tm. 4.13)

“Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”(II Tm. 2.15)

“Antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei (a Bíblia) medita ( estuda, lê) de dia e noite” (Sl. 1.2) {grifo meu}

“Buscai no livro do Senhor  e lede” (Is. 34.16)

“Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita (lê, estuda) nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido” (Josué 1.8)

 A CCB não valoriza e nem incentiva o estudo sistemático da Palavra de Deus. Pelo contrário, dizem que o cristão não precisa estudar a Bíblia, pois na hora “H” o Espírito Santo falará instantaneamente pela boca do crente. Os textos acima falam por si e explicitam que devemos estudar a Bíblia e até lermos bons livros cristãos. Outra coisa que a CCB esquece é que o Espírito só usa um cristão que tem prazer na Bíblia e que nela medita dia e noite. Jesus disse: “Mas o Ajudador, o Espírito Santo a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu vos tenho dito” (João 14.26).

Conjecturando: O que o Espírito lembrará? A resposta é “o que Jesus falou”. E onde está relatado o que Jesus falou? É lógico, na Bíblia. Concluímos que quem não estuda a Palavra de Deus e livros afins não tem como ser usado pelo Espírito de Deus eficazmente.  O Espírito Santo não tem como lembrar algo que nós não conhecemos e não estudamos!

OBJEÇÕES:

Geralmente quando estamos dialogando com um adepto da CCB, não é raro granjearmos como respostas textos bíblicos como Lucas 12.12 e João 14.16,17. Fazem isso para demonstrarem que seus ensinamentos estão baseados na Bíblia. Entretanto, tais argumentos não resistem a um exame minucioso do texto bíblico, pois foram tirados fora de seu contexto. Vejamos o primeiro:

“Porque o Espírito Santo vos ensinará na mesma hora o que deveis dizer.” Lc 12.12

RESPOSTA: Este versículo de maneira alguma está ensinando o crente não estudar a Bíblia.

Ele está dentro de um contexto em que Jesus incentiva seus discípulos a confiarem em Deus nas horas da tribulação que viria, nos tribunais perante os homens. Isto se cumpriu integralmente na vida dos apóstolos, por exemplo, em Atos capítulo 4; 5.27 em diante; 22.30 e capítulo 23 em diante; capítulo 24 em diante. Nota-se em todos esses textos que a sabedoria com que falavam provinha, é claro, do Espírito Santo; no entanto eles fazem citações de profecias registradas no Velho Testamento. Uma pessoa que não estudasse as Escrituras ficaria impossibilitada de citar tantos versículos assim.

A letra mata, mas o espírito vivifica

Costumam citar ainda o velho e costumeiro jargão: “A letra mata, mas o espírito vivifica”; baseiam-se para isso em II Co 3.6.

RESPOSTA:  Novamente os adeptos da CCB incorrem em grave erro por não conhecerem as Escrituras. O apóstolo está discutindo neste capítulo sobre as duas alianças, os dois ministérios: o da graça e o da lei dada por Moisés. Ele diz realmente que a letra mata, mas qual letra? Estaria o apóstolo ensinando com isso que não se deve estudar a Bíblia? Não. O verso 7 responde: “Ora, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fixar os olhos no rosto de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual se estava desvanecendo”. O que foi gravado com letras em pedras? Êxodo 32.16 e 34.1 respondem: “E virou-se Moisés, e desceu do monte com as duas tábuas do testemunho na mão, tábuas escritas de ambos os lados; de um e de outro lado estavam escritas.” “E aquelas tábuas eram obra de Deus; também a escritura era a mesma escritura de Deus, esculpida nas tábuas” e “Então disse o Senhor a Moisés: Lavra duas tábuas de pedra, como as primeiras; e eu escreverei nelas as palavras que estavam nas primeiras tábuas, que tu quebraste.”

O espírito que o apóstolo diz que vivifica é o espírito da nova aliança dentro da dispensação da graça. Na lei de Moisés qualquer um que a infringisse morreria, ou seja, a letra da lei matava, condenava, julgava. Todavia, na dispensação da graça ou do Espírito, não há morte, mas vida. Cristo nos dá poder para vencer, o que a lei de Moisés não podia fazer. Se não podemos estudar a palavra de Deus (a letra), porque isso, segundo eles, seria lançar mão de obras da carne, perguntaríamos: Então por que os músicos estudam as letras das músicas? Não é o Espírito que ilumina na hora certa? A letra não mata? Na verdade os membros da CCB conhecem muito mais seu hinário do que a Bíblia!

“Além disso, filho meu, sê avisado. De fazer muitos livros não há fim; e o muito estudar é enfado da carne”. Eclesiastes 12.12

RESPOSTA: O escritor de Eclesiastes não diz que estudar a lei de Deus, que naquele tempo constituía a Palavra de Deus ou a Bíblia dos Hebreus, era enfado da carne. Mas o estudar as coisas seculares do mundo! No capítulo 1.18 ele diz: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza”. Mas de qual conhecimento ele está a falar? É claro que é somente do conhecimento do mundo e da carne. O autor explicita isso nos versos a seguir: “Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem. Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol; e eis que tudo era vaidade e desejo vão. O que é torto não se pode endireitar; o que falta não se pode enumerar. Falei comigo mesmo, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; na verdade, tenho tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento. E apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras; e vim a saber que também isso era desejo vão.”

Porque devemos estudar a Bíblia

a) Ela é o manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. O crente foi salvo para servir ao Senhor (IPe 2.9; Ef 2.10). Sendo a Bíblia o livro-texto do cristão, é importantíssimo que este a maneje bem para o eficiente desempenho na missão de pregar o evangelho. Esse é o chamado do cristão. Todo bom profissional sabe usar bem a sua ferramenta de trabalho – e todo bom crente deve manejar bem a sua Bíblia (I Tm 2.15).

b)   A Palavra de Deus alimenta a nossa alma. Disse Jesus: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4).

c)   A  Palavra de Deus é a espada que o Espírito Santo usa: “e a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Ef 6.17).

d)   Só através do estudo da Bíblia é que iremos conhecer a vontade de Deus para nossas vidas. Quem não estuda a Bíblia não sabe o que Deus quer ou como Deus quer direcionar a sua vida. Só na Palavra encontramos a verdade –“Se vós permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7)

 

Extraído do livro “Como Responder aos Argumentos da CCB” 

=====================================================================

A salvação é exclusividade da CCB?

A maioria dos adeptos da CCB defende a idéia errônea de que salvação só é possível na sua própria Igreja: a “Gloriosa Congregação”. Desenvolveram a doutrina de auto-salvação, ou seja, salvação só entre a irmandade! Essa doutrina, estranha às Escrituras Sagradas, faz com que os seus adeptos pratiquem um proselitismo agressivo com os outros evangélicos. Isso é herança herdada de sua origem proselitista.

A Bíblia deixa claro que para sermos salvos não precisamos da CCB. O que diríamos então das outras igrejas que existiam antes da CCB, não estavam salvos? Ou Jesus precisaria esperar a vinda de Francescon em 1910 para aí então poder começar a salvar as pessoas?!

Vejamos o que nos informa a Bíblia Sagrada:

“E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos” (At 4.12).

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (ITm 2.5).

“Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6).

 

Admitir que somente uma denominação religiosa tenha a outorga soteriológica, é um pecado terrível! Quando a CCB se coloca como a única igreja verdadeira, ela está tomando o lugar do único Salvador.

A Bíblia é clara que só Jesus é o caminho e não há mediador entre Deus e o homem a não ser Jesus Cristo.

As Igrejas são apenas o meio que leva o homem ao fim, que é a salvação através de Cristo.

Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento


Mais uma máscara do ocultismo

O Brasil é um lugar onde a religião se manifesta em cada esquina. Templos por todos os lados representam os inúmeros credos espalhados pelo país. A maioria deles pertence a entidades religiosas conhecidas. Outros, porém, a entidades desconhecidas, e chamam a atenção dos mais curiosos. Quem nunca ouviu falar do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento (CECP)? Quantos seriam capazes de apresentar suas tendências doutrinárias? O que é e o que ensina o CECP?

O ocultismo é a palavra-chave para representar o CECP. Maçonaria, kardecismo e esoterismo são alguns dos fundamentos sob os quais são construídas suas estruturas religiosas.

Esse movimento ocultista está sendo trazido a público, pela primeira vez, pela Defesa da Fé e, sem dúvida, além de informar os leitores sobre mais um grupo religioso, satisfará a curiosidade de todos quantos já viram ou ouviram algo sobre esse movimento, mas de forma superficial.

Neste artigo, faremos uma exposição panorâmica desse grupo, fornecendo informações básicas sobre sua história e ensinamento.

Fundação

O CECP foi fundado em 27 de junho de 1909, por Antônio Olívio Rodrigues, português que chegou ao Brasil em 1890. Tinha apenas instrução primária, mas apreciava, sobremaneira, a leitura de livros ligados ao espiritismo e ao ocultismo. Lia obras de Helena Blavatsky (fundadora da Sociedade Teosófica Americana), Vivekananda, Heindel, entre outros.

Os seguidores do CECP adotam terminologia maçônica, tais como “Augusta Ordem”, “Supremo Conselho”, “Cartas Constitutivas”, etc., e chegam até mesmo a adotar os três pontinhos característicos da identificação maçônica.

Sua sede principal está localizada em São Paulo, com ramificações por outras cidades do Brasil.

Qual é o objetivo do CECP?

Nas palavras do próprio grupo, seus objetivos podem ser vistos por meio de quatro pontos específicos:

• Promover o estudo das forças ocultas da natureza e do homem.
• Promover o despertar das energias criadoras latentes no pensamento de cada filiado.
• Fazer que essas energias convirjam no sentido de assegurar o bem-estar físico e moral dos seus membros.
• Cooperar na realização da harmonia, do amor, da verdade e da justiça entre os homens.

Como esses objetivos podem ser alcançados?

Procurando responder quais seriam os meios que conduziriam a este elevado fim, o CECP diz que “o estudo, os exercícios respiratórios (a prática da ioga), a cogitação, a concentração, a meditação, a contemplação e a unificação podem fazer o membro da entidade atingir a harmonia entre os homens”.

Ressalta, também, que cada membro da entidade “depende, invariavelmente, de seu próprio esforço e das faculdades espirituais que nele residem, sendo considerado morto todo aquele cujas faculdades espirituais ainda não estejam despertadas”.

Paralelamente, o que Jesus denominou de “novo nascimento” como condição única para se ver e entrar no reino de Deus (Jo 3.3,5), o CEPC denomina de “despertamento das faculdades espirituais naturais”. Essa nomenclatura elaborada carrega consigo uma tarefa incapaz de ser efetuada, porque não pode realmente ajudar qualquer ser humano a se regenerar. Contrariando o entendimento do Círculo, Jesus declarou a Nicodemos: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo” (Jo 3.6,7). Mas essa verdade fundamental só pode ser discernida com a ajuda do (e pelo) Espírito de Deus (1Co 2.14).

Religião ou filosofia de vida?

Seguindo a linha adotada por todo o movimento ocultista, que recusa identificar-se como religião, o CECP também apresenta aos seus leitores a idéia de que não se trata de um movimento religioso. Declara: “O Círculo não se põe em conflito com qualquer religião, seita ou credo”. Dessa forma, consegue adeptos de vários grupos religiosos que se unem ao Círculo sem saber que irão adotar idéias religiosas conflitantes com a Bíblia.

Novos adeptos

A aquisição de novos adeptos é feita na semelhança do movimento Rosa-Cruz, que exige segredo sobre os “conhecimentos” que partilha. Em seu pedido de inscrição, os adeptos do CECP assumem um compromisso quando abraçam os seguintes dizeres: “Obrigo-me, sob palavra de honra, a não fazer mau uso dos conhecimentos que adquirir por intermédio do CECP…”

Como sabemos, os ensinos de Jesus Cristo eram públicos e, depois de ressuscitado, Ele ordenou que seus ensinos fossem propagados por todo o mundo (Mc 16.15,16). Jesus condenou abertamente os ensinos secretos dos seus dias, ao dizer: “Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto. Para que me perguntas a mim? Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito” (Jo 18.20,21).

Por que o CECP atrai?

Além de exercer forte atração, O CECP faz que seus membros levem mais adeptos para a entidade. Diz: “Empregar todos os esforços na propaganda dos ideais do Círculo, procurando angariar o maior número de trabalhadores adeptos, visto que, quanto maior for o número dos trabalhadores, tanto mais poderosa será a sua ação”.

A tática é a difusão de promessas. Saúde, dinheiro e felicidade são alguns dos apelos explorados pelo CECP.

“Quereis possuir a chave da felicidade material e espiritual? Inicia-te no Círculo”.

“Precisais de dinheiro? Imaginai que possuís um cheque com a quantia que desejais ou que tendes as notas necessárias para perfazer a quantia desejada. Sempre deveis formar uma imagem da quantia certa, até que ela pareça estar materializada e possais vê-la diante de vós. Dirigi-vos, então, à Consciência Universal, dizendo: ‘Dai-me esta criação’”.

“Sofreis? O vosso sofrer tem razão de ser? As causas ser-vos-ão reveladas pelos ensinos da nossa Ordem Esotérica”.

Tudo isso pode, supostamente, ser alcançado por meio de um positivismo exacerbado. É uma “técnica” semelhante à do movimento otimista japonês conhecido como Seicho-No-Ie. “A Força Divina se manifesta em mim. Sou positivo, positivo, positivo. Tenho o poder de destruir a doença e a ignorância”.

O homem, afastado de Deus não pode ser feliz (Sl 73.27,28). O sofrimento entrou no mundo pela desobediência de Adão e Eva (Gn 3.19, Lm 3.39, Rm 5.12), e será removido do mundo material, definitivamente, não da forma como apregoa o CECP, mas da forma que está escrito na Bíblia. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Ap 21.4,5).

Esoterismo

O esoterismo é o estudo ou a prática de artes divinatórias e de fenômenos que parecem não poder ser explicados pelas leis naturais, como, por exemplo, a telepatia, a levitação e às denominadas “ciências ocultas”.

Afirmam os seguidores do Círculo: “Deveis saber, todavia, que o ocultismo ensina que a mente é o supremo poder [...] As principais forças ocultas da Natureza e do homem são a força dos pensamentos, da vibração, da vitalidade, o magnetismo e o hipnotismo”.

Em seus folhetos de propaganda para ganhar novos adeptos, o CECP afirma que “o ser humano é atraído para tudo que é misterioso. Atrai-te o mistério, embriaga-te essa poesia eterna, essa música silenciosa do ocultismo…”

Tais declarações deixam nítida a semelhança do Círculo com as demais sociedades secretas. O apelo desse grupo esotérico nos lembra as palavras da serpente à mulher no jardim do Éden, quando lhe ofereceu divindade e conhecimentos além daqueles permitidos por Deus (Gn 3.4,5).

Como sabemos, ao invés de adquirir divindade e conhecimentos misteriosos, nossos primeiros pais foram realmente enganados e expulsos do jardim do Éden, envergonhados, por tentarem obter poderes e conhecimentos além dos permitidos por Deus (Gn 3.24).

O livro de Provérbios apresenta o conhecimento, ou a sabedoria, que o homem deve buscar para sua felicidade presente e futura: o “temor do Senhor” (Pv 1.7-9). De fato, Deus nos tem revelado conhecimentos que podemos e devemos buscar. Foi o que aconteceu com o profeta Daniel (Dn 12.4). Por outro lado, existe um conhecimento que pertence exclusivamente a Deus. Qualquer curiosidade nossa, no sentido de obtê-lo esse conhecimento, por meios ocultistas, ultrapassa os limites determinados pelo próprio Deus. A Bíblia é clara a esse respeito. E diz que “as coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém, as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre…” (Dt 29.29).

Ignorar essa premissa nada mais é do que uma rebelião da criatura contra o Criador. Tal atitude é considerada como pecado de feitiçaria (1Sm 15.23). Saul teve uma experiência amarga quando consultou a pitonisa de Endor para saber sobre o seu futuro e o do povo de Israel (1Sm 28.4-8). Seu final foi trágico: o suicídio e a derrota do seu povo na batalha contra os filisteus (1Cr 10.13,14).

Ensinos contrários à Bíblia

O livro Meditações diárias, oferecido aos associados, transmite alguns ensinos que apresentam uma flagrante contradição com as doutrinas bíblicas. Vejamos alguns desses ensinos:

Panteísmo – confundindo a criatura com o Criador

• Sou parte do Grande Todo.
• Sou um centro de Energia Divina.
• Manifesto conscientemente minhas possibilidades divinas.
• Sou um com o Supremo Bem Onipresente.

Em busca da salvação por seus próprios méritos

Enquanto a maçonaria afirma que seu objetivo é “erguer templos à virtude e cavar masmorras ao vício”, o Círculo oferece progresso moral e espiritual aos associados por meio de esforços pessoais.

• Sou o arquiteto de meu próprio destino.
• Minha maior ambição é progredir pelo meu próprio esforço.
• Gozo a felicidade permanente de governar a mim mesmo.

Cadeia magnética ou evocação de mortos

Assim como na maçonaria existe uma prática espiritual denominada “Cadeia de União”, por meio da qual os espíritos dos maçons das lojas celestiais são invocados, há também no CECP prática semelhante, a qual denominam de “Cadeia Magnética”. Nessa sessão, que muito se parece com uma sessão espírita, o Círculo evoca os “Mestres Invisíveis”, quando todos os participantes unem seus pensamentos para o funcionamento dessa “Cadeia Magnética”.

Dizem: “Os entes humanos, enquanto ainda encarnados, podem entrar em comunicação com os espíritos do mundo astral, mas é um assunto bastante difícil e geralmente perigoso; porque se um ser astral foi evocado, pode obcecar o evocador, caso este não saiba proteger-se; e quem se serve de médium para as comunicações com o além-túmulo, está sujeito a muita decepção e ilusão”.

Como podemos ver, trata-se apenas de uma troca de nomenclatura. Na realidade, essa prática é comum em vários grupos religiosos, e está relacionada à mediunidade ou à evocação de mortos.

Reencarnação e carma

O CECP também admite a reencarnação e o carma, doutrinas peculiares aos espíritas. E explicam a origem das enfermidades e o modo de curá-las no livro Diálogos iniciáticos, parte final das “Instruções reservadas”, onde está escrito:

“Até as chamadas doenças hereditárias são devidas às condições mentais do sofredor, porque é o estado mental ou a qualidade da mente durante uma encarnação precedente que o levou a esta família particular e o obrigou a receber o corpo doentio ao nascer. Devemos saber se cada um de nós já teve outras vidas, como, depois desta, teremos novas. As condições de nossa vida presente têm íntima relação com a existência passada, e os nossos pensamentos e desejos atuais virão a realizar-se, em grande parte, numa existência futura”.

Negação da existência do céu e do inferno

Seguindo a linha espírita kardecista, o CECP não acredita no céu nem no inferno como lugares finais e definitivos depois da morte. Ensinam que: “Infernos são os mundos atrasados ou inferiores; céus são os mundos elevados. Nestes, há espíritos atrasados que sofrem por causa das suas impurezas. Nenhum ser, porém, é condenado a permanecer eternamente num inferno. Todos os que fazem o bem, elevam-se por seus próprios méritos”.

Obviamente, para que exista progresso depois da morte, até que alguém se torne um espírito puro, não pode haver inferno nem céu na concepção daquele que adota o conceito espírita da reencarnação.

Vejamos, a partir daqui, o que as Escrituras dizem acerca de cada uma dessas asseverações:

O Círculo analisado à luz da Bíblia

Contra o panteísmo

Conforme essa doutrina, Deus não tem personalidade distinta de sua criação. Mas Deus não faz parte da criação, pois a criou e a governa. Deus é transcendente e imanente em relação à sua criação. Transcendente porque é independente e está acima dela. Imanente porque toda a criação depende de Deus para existir e manter-se (Jó 12.10).

O panteísmo nega a imutabilidade divina, já que o Universo faz parte de Deus e está em constante mudança. Nega sua santidade, porque o mal do Universo também faz parte de Deus. Nega a individualidade do homem e a pessoalidade de Deus, já que Deus é tudo em todos. Por outro lado, a Bíblia deixa clara a distinção entre Deus e a criação quando diz que o Senhor Deus dá a todos a vida e a respiração. Nele vivemos, nos movemos e existimos (At 17.25,28). Em Cristo, tudo subsiste (Cl 1.17). E é Cristo quem sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder.

Em suma, “Deus é aquele que está acima de tudo e em tudo, contudo é distinto de tudo” (G.D.B. Pepper).

Contra a auto-salvação

Quão distante dos princípios bíblicos são os ensinos do CECP.

A eficácia do sangue de Cristo para redimir o homem é a mensagem central da Bíblia e a base do perdão dos pecados (Ef 1.7; 1Jo 1.7-9; Ap 1.5). A Bíblia é enfática ao ensinar que “somos salvos pela graça, por meio da fé” (Ef 2.8,9). Deus redime o homem de modo totalmente à parte de seus méritos pessoais, e não em cooperação com os mesmos, porquanto a salvação é adquirida exclusivamente pela fé, independente das obras. Praticamos boas obras não para sermos salvos, mas porque somos salvos em Cristo Jesus, nosso Senhor. As obras são o resultado da salvação, e não o seu agente. O valor das obras está em nos disciplinar para a vida cristã (Hb 12.5-11; 1Co 11.31,32).

Como disse o teólogo Charles Hodge:

“Nada que não seja gratuito é seguro para os pecadores [...] A não ser que sejamos salvos pela graça, não podemos absolutamente ser salvos”.

Contra a evocação de mortos

Sobre tal prática, Deus revelou seu desagrado, dizendo, por meio de seus mensageiros, os profetas, que isso lhe era abominável: “Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos” (Dt 18.9-11).

Contra a reencarnação e o carma

A Bíblia declara o seguinte: a morte entrou no mundo pelo pecado e nenhum filho é castigado pelos erros dos pais. “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele” (Ez 18.20, V. tb. Jr 31.29,30).

Jesus, certa vez, foi interrogado por seus discípulos, em relação a um cego de nascença, se esse mal havia sido motivado pelos pecados dos pais daquele homem ou pelos pecados do próprio cego, em vidas anteriores. Ao que Jesus respondeu: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo 9.3).

Não é verdade que o homem já teve vidas anteriores e terá, ainda, outras vidas. A Bíblia declara explicitamente que só existe uma única oportunidade para a salvação, e esta oportunidade está reservada à vida presente: “Aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27).

Contra a negação da existência do céu e do inferno

O Senhor Jesus deixou claro que, após a morte, cada ser humano vai para um lugar definitivo, segundo a escolha que fizer aqui na terra: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7.13,14).

Jesus, ao expor a narrativa (parábola) do rico e Lázaro, mostrou o outro lado da vida além-túmulo, onde os seres humanos se encontram em uma situação irreversível, seja no céu ou no inferno (Lc 16.19-31).

A Bíblia nunca promete que todos serão salvos, e muito menos por seu próprios esforços, pois existe o castigo eterno. Em Mateus 25.46, Jesus disse: “E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna”. O adjetivo eterno, que qualifica vida (aionios), é o mesmo adjetivo que qualifica o tormento – tormento eterno (aionios). O céu não é uma realidade que pode ser vista pelos olhos de carne, mas uma realidade manifestada pela revelação divina e recebida pela fé. No caso dos adeptos do Círculo, se não se convertam desse caminho, o inferno será uma realidade percebida tarde demais!

Oramos para que estas informações panorâmicas sobre o Círculo possam servir como um alerta para todos aqueles que seguem o ocultismo. Como cristãos e arautos da verdade, devemos divulgar esta verdade a todos, a tempo e fora de tempo, sem medo e sem fazer acepção de pessoas. Somente assim iremos alcançar o resultado positivo que a Bíblia nos orienta:

“E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento; e salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo…” (Jd 1.22,23).

“Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade” (2Tm 2.25).

Notas:

1 Instruções do filiado. Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, p. 354.

2 Ibid., p. 223, 357.

3 Ibid., p.198.

4 Ibid., p. 423.

5 Diálogos iniciáticos, parte final das Instruções reservadas. Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, p. 424.

Por Natanael Rinaldi e Luiz Antônio Capriello

=========================================================================================

Jesus Cristo, um mito ou um homem da História?

Introdução

Nenhum personagem fora tanto escrutinado como o homem de Nazaré; cientistas, arqueólogos, paleontólogos, antropólogos, historiadores, sociólogos, psicólogos, teólogos, ateus, agnóstico… Enfim, todos querem comentar sobre esse personagem chamado Jesus! Uns para abordar sua importância sociológica e o teor de suas mensagens, outros para absorver sua teologia e ensinamentos. Entretanto, os que mais chamam atenção e batem recordes de vendas de livros e revistas, são aqueles que querem desmistificar o homem Jesus ou aqueles que arvoram a não existência do Cristo. A mídia atual sabe que, apesar da morte de Deus ter sido anunciada pelos iluministas, o mundo está cada vez mais voltado à religiosidade e ao espiritualismo, por isso as abordagens sobre o tema se tornam cada vez mais acirradas e controvertidas.

Um desses autores que tem batido recordes de vendas é a escritora K. Armstrong, ela afirma o seguinte sobre a existência de Jesus:

“Sabemos muito pouco sobre Jesus. O primeiro relato mais abrangente sobre sua vida aparece no evangelho segundo Marcos, que só foi escrito por volta do ano 70, cerca de 40 anos depois de sua morte. Aquela altura, os fatos históricos achavam-se misturados a elementos míticos… É esse significado, basicamente, que o evangelista nos apresenta, e não uma descrição direta e confiável” (08).

Nesse escopo, no qual procurarei mostrar a historicidade de Cristo, utilizarei fontes não só de autores cristãos, mas principalmente de autores seculares e de credibilidade, além de documentos reconhecidos como provas comprobatórias disponíveis em grandes bibliotecas.
 

O Que Seria Um Personagem da História?

No sentido mais simples da palavra, um indivíduo é um personagem da história quando:

1. esse personagem realmente existiu;

2. se sabe sobre ele de uma maneira segura um certo número de informações;

3. eventualmente, que lhe podem ser atribuídos certos escritos ou palavras.


A Problemática da Fonte

O escritor secular Mário Curtis Giordani comenta o seguinte sobre essa problemática: Sobre as origens do Cristianismo, de modo especial sobre a vida de Cristo e sua doutrina, as fontes, por excelência, são, primeiramente, os livros do Novo Testamento, entre os quais podemos pôr em relevo as epístolas paulinas e os quatro evangelhos. Para um conhecimento mais aprofundado da mentalidade religiosa dominante na Palestina nos tempo de Cristo, constituem fontes de primeira ordem os famosos manuscritos descobertos a partir de 1947 nas plagas inóspitas do Mar Morto. Um terceira classe de fontes referentes às origens cristãs, encontramo-las em escritos de autores pagãos como Plínio – o Jovem, Tácito, Seutönio e na obra do escritor judeu Flávio Josefo… Quanto aos livros do Novo Testamento, em geral, e aos Evangelhos, em particular, ao focalizarmo-los como fontes históricas, surge logo a interrogação: até que ponto tais escritos, impregnados de espírito sobrenatural, contendo não poucos relatos miraculosos, podem ser considerados como fontes fidedignas para uma reconstituição científica do passado? Ante essa interrogação, vêm-nos à mente as palavras do conhecido historiador Francês Joseph Calmette: . O historiador não pode, portanto nutrir idéia preconcebida contra qualquer espécie de fonte, antes que a mesma passe pelo crivo da mais rigorosa crítica científica. Com relação aos livros do Novo Testamento e, muito particularmente, aos quatro evangelhos, devemos observar que jamais documento algum sofreu tão cerrado exame da crítica histórica. Não há uma palavra dos Evangelhos que não tenha sido objeto de cuidadosa consideração. A autenticidade, a veracidade e a integridade substancial desses escritos têm sido sobejamente provadas… Encontramos, é verdade, algumas aparentes divergências em certas narrações contidas nos Evangelhos. Tais divergências, porém, são apenas de detalhe e para as mesmas sobram explicações dos exegetas. Do ponto de vista da crítica histórica, convém frisar que essas divergências não são, nem de longe, suficientes para infirmarem o valor do depoimento dos evangelistas… Se aplicássemos a muitas outras fontes históricas os mesmos rigores de que a crítica racionalista e até mesmo a cristã usaram no estudo dos evangelhos, um bom número de acontecimentos do passado sobre cuja autenticidade não levantamos dúvida passaria para o terreno das lendas. Ainda é W. Durant que observa: … (1, pg. 308, 309).


Jesus – Um Homem Localizado na História

A atuação de Jesus deu-se na Palestina, pequena faixa de terra com área de 20 mil quilômetros quadrados, dividida de alto a baixo por uma cadeia de montanhas. A cidade de Jerusalém contava com aproximadamente 50 mil habitantes. Por ocasião das grandes festas religiosas, chegava a receber 180 mil peregrinos. A economia centrava-se na agricultura, pecuária, pesca e artesanato. O poder efetivo sobre a região estava nas mãos dos romanos, que respeitavam a autonomia interna das regiões dominadas. O centro do poder político interno localizava-se no Templo de Jerusalém. Assessorado por 71 membros do Sinédrio (tribunal criminal, político e religioso), o sumo sacerdote exercia grande influência sobre os judeus, mesmo os que viviam fora da Palestina. Para o Templo e as sinagogas convergia a vida dos judeus. E foi nesta realidade que Jesus apareceu na História dessa região. (5)

Os Evangelhos dizem-nos imensas coisas sobre Jesus. Mesmo se o seu objetivo, propriamente dito, não é contar a história dia a dia e nem fazer a descrição jornalística como gostaríamos hoje de fazer. Contudo, eles são muito mais precisos do que se pensou durante muito tempo. Acontece que estão cheios de pormenores acerca das cidades e aldeias do tempo, das maneiras de viver, de falar, acerca das personagens oficiais. A história e a arqueologia confirmam que todos estes elementos são exatos, verídicos. Aliás, certos pormenores não podiam ter sido inventados ou escritos mais tarde porque certas instituições, certas práticas tinham mudado pouco tempo depois da morte de Jesus, particularmente no ano 70, ano da destruição de Jerusalém. 1900 anos depois dos acontecimentos, descobre-se que os Evangelhos é que tinham razão ao contrário do que, durante muito tempo, os historiadores julgaram que estava errado, precisamente em algumas das suas passagens: por exemplo, no Evangelho segundo S. João, considerado o mais espiritual e, portanto, o menos concreto, menos preciso, mais afastado dos tempos e dos locais, encontramos o nome de mais vinte localidades concretas do que nos outros três evangelistas. Certos números destas localidades desapareceram completamente, mas puderam ser identificadas. Só recentemente os historiadores puderam provar a sua existência… Também em dada altura se perguntou se a localidade de Nazaré não tinha sido inventada pelos Evangelhos. Porquê? Porque o Antigo Testamento e os antigos comentários hebraicos não falam dela. Críticos e jornalistas fizeram disto um romance completo. Mas, na realidade, já em 1962, uma equipa de arqueólogos israelitas, dirigida pelo professor Avi Jonah tinha encontrado nas ruínas de Cesaréia Marítima uma placa gravada em hebreu, datando do século III antes de Cristo e com o nome da aldeia de Nazaré… Em 1927, o arqueólogo francês Vincent encontrou o lithostrotos ou Gabbatha esse espaço lajeado do pretório em que Jesus esteve quando compareceu diante de Pilatos (Evangelho segundo S. João, capítulo 19, versículo 13). Quanto ao próprio Pilatos, o prefeito romano que condenou Jesus à morte e do qual não se encontrava rasto concreto ao longo de dezoito séculos (Ainda que Pilatos seja várias vezes citado pelo Historiador épico Flávio Josefo), arqueólogos italianos encontraram em 1961, também nas ruínas de Cesaréia Marítima, o seu nome gravado numa pedra com o seu título exacto: praefectus. (2).

Esta averiguação a partir dos dados arqueológicos, geográficos e políticos podia ser muito mais desenvolvida. Entretanto, a falta de espaço desse escopo não nos permite nos determos mais nessa questão, mas cada um poderá compreender como o argumentado é fidedigno!


Fontes Não-Bíblicas Atestam a Historicidade de Jesus

Flávio Josefo (37-100 d.C.)

O historiador Josefo que viveu ainda no primeiro século (nasceu no ano 37 ou 38 e participou da guerra contra os romanos no ano 70, escreveu em seu livro Antiguidades Judaicas:

“(O sumo sacerdote) Hanan reúne o Sinedrim em conselho judiciário e faz comparecer perante ele o irmão de Jesus cognominado Cristo (Tiago era o nome dele) com alguns outros” (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas, XX, p.1, apud Suma Católica contra os sem Deus, dirigida por Ivan Kologrivof. Ed José Olympio, Rio de Janeiro 1939, p. 254). E mais adiante, no mesmo livro, escreveu Flávio Josefo: “Foi naquele tempo (por ocasião da sublevação contra Pilatos que queria servir-se do tesouro do Templo para aduzir a Jerusalém a água de um manancial longínquo), que apareceu Jesus, homem sábio, se é que, falando dele, podemos usar este termo — homem. Pois ele fez coisas maravilhosas, e, para os que aceitam a verdade com prazer, foi um mestre. Atraiu a si muitos judeus, e também muitos gregos. Foi ele o Messias esperado; e quando Pilatos, por denúncia dos notáveis de nossa nação, o condenou a ser crucificado, os que antes o haviam amado durante a vida persistiram nesse amor, pois Ele lhes apareceu vivo de novo no terceiro dia, tal como haviam predito os divinos profetas, que tinham predito também outras coisas maravilhosas a respeito dele; e a espécie de gente que tira dele o nome de cristãos subsiste ainda em nossos dias”. (Flávio Josefo, História dos Hebreus, Antiguidades Judaicas, XVIII, III, 3 , ed. cit. p. 254). (1, pg. 311 e 3).

Tácito (56-120 d.C.)

Tácito, historiador romano, também fala de Jesus. “Para destruir o boato (que o acusava do incêndio de Roma), Nero supôs culpados e infringiu tormentos requintadíssimos àqueles cujas abominações os faziam detestar, e a quem a multidão chamava cristãos. Este nome lhes vem de Cristo, que, sob o principado de Tibério, o procurador Pôncio Pilatos entregara ao suplício. Reprimida incontinenti, essa detestável superstição repontava de novo, não mais somente na Judéia, onde nascera o mal, mas anda em Roma, pra onde tudo quanto há de horroroso e de vergonhoso no mundo aflui e acha numerosa clientela” (Tácito, Anais , XV, 44 trad.) (1 pg. 311; 3)

Suetônio (69-122 d.C.)

Suetônio, na Vida dos Doze Césares, publicada nos anos 119-122, diz que o imperador Cláudio “expulsou os judeus de Roma, tornados sob o impulso de Chrestos, uma causa de desordem”; e, na vida de Nero, que sucedeu a Cláudio, acrescenta: “Os cristãos, espécie de gente dada a uma superstição nova e perigosa, foram destinados ao suplício” (Suetônio, Vida dos doze Césares, n. 25, apud Suma Católica contra os sem Deus, p. 256-257). (1 pg. 311; 3)

Plínio o Moço (61-114 d.C.)

Plínio, o moço, em carta ao imperador Trajano (Epist. lib. X, 96), nos anos 111 – 113, pede instrução a respeito dos cristãos, que se reuniam de manhã para cantar louvores a Cristo. (4, pg. 106).

Tertuliano (155-220 d.C.)

Escritor latino. Seus escritos constituem importantes documentos para a compreensão dos primeiros séculos do cristianismo. (6). Ele escreveu: “Portanto, naqueles dias em que o nome cristão começou a se tornar conhecido no mundo, Tibério, tendo ele mesmo recebido informações sobre a verdade da divindade de Cristo, trouxe a questão perante o Senado, tendo já se decidido a favor de Cristo…”.

Os Talmudes Judeus:

A tradição judaica recolhe também notícias acerca de Jesus. Assim, no Talmude de Jerusalém e no da Babilônia incluem-se dados que, evidentemente, contradizem a visão cristã, mas que confirmam a existência histórica de Jesus de Nazaré. (6)

Os Pais da Igreja

Policarpo, Eusébio, Irineu, Justino, Orígenes, etc…


Considerações Sobre a Existência de Jesus Cristo

Para o leitor ter uma idéia do quanto à existência de Cristo é rica em suas fontes, analisemos analogamente a biografia de Alexandre (o Grande) e Jesus. As duas biografias mais antigas sobre a vida de Alexandre foram escritas por Adriano e Plutarco depois de mais de 400 anos da morte de Alexandre, ocorrida em 323 a.C. e mesmo assim os historiadores as consideram muito confiáveis. Para a maioria dos historiadores, nos primeiros 500 anos, a história de Alexandre ficou quase intacta. Portanto, comparativamente, é insignificante saber que os evangelhos foram escritos 60 ou 30 anos (isso no máximo) depois da morte de Jesus e esse tempo seria insuficiente para se mitificar um indivíduo.

Por exemplo, embora os Gathas de Zoroastro, que datam de 1000 a.C., sejam consideradas autênticas, a maior parte das escrituras do zoroastrismo só foram postas por escrito no século III d.C. A biografia pársi mais popular de Zoroastro foi escrita em 1278 d.C. Os escritos de Buda, que viveu no século VI a.C., só foram registrados depois da era cristã. A primeira biografia de Buda foi escrita no século I d.C. Embora as palavras de Maomé (570-632 d.C.) estejam registradas no Alcorão, sua biografia só foi escrita em 767 d.C., mais de um século depois de sua morte. Portanto, o caso de Jesus não tem paralelo, e é impressionante o quanto podemos aprender sobre ele fora do Novo Testamento… Ainda que não tivéssemos nenhum dos escritos do Novo Testamento e nenhum outro livro cristão, poderíamos ter um prisma nítido do homem que viveu na Judéia no século I. Saberíamos, em primeiro lugar, que Jesus era um professor judeu; segundo, muitas pessoas acreditavam que ele curava e fazia exorcismos; terceiro, algumas acreditavam que ele era o Messias; quarto, ele foi rejeitado pelos líderes judeus; quinto, foi crucificado por ordem de Pöncio Pilatos durante o reinado de Tibério; sexto, apesar de sua morte infame, seus seguidores, que ainda acreditavam que ele estivesse vivo, deixaram a Palestina e se espalharam, assim é que havia muitos deles em Roma por volta de 64 d.C.; sétimo, todo tipo de gente, da cidade e do campo, homens e mulheres, escravos e livres, o adoravam como se ele fosse Deus. Sem dúvida a quantidade de provas corroborativas extrabíblicas é muito grande. Com elas, podemos não somente reconstruir a vida de Jesus sem termos de recorrer à Bíblia como também ter acesso à informação sobre Cristo por meio de um material mais antigo do que os próprios evangelhos. (Adaptado de 7 pg. 113 e 114).
 

Conclusão

Pelo que argumentamos acima, diante de tão significativa testemunha documental, podemos afirmar que verdadeiramente Jesus Cristo é um homem da História, tanto que ele a dividiu em antes e depois dele. O pesquisador que acurar a questão sem preconceito chegará à conclusão que as provas são substanciais. As provas existem, mas quem quiser escapar a elas, escapa. Como se, afinal de contas, Jesus nos quisesse deixar a decisão de lhe conceder um lugar na história, na nossa história. Recordemos quando Ele devolveu a pergunta aos apóstolos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”. Pense nisso!

 

Bibliografia

01 – Giordani, Mário Curtis. “História de Roma” Antiguidade Clássica II, Editora Vozes, 1968.

02 – http://www.1000questions.net/pt/

03 – http://www.montfort.org.br/veritas/index.html

04 – Macdowell, J., “Verdades que Exigem Um Veredito” Vol. 1, Ed. Candeia, 1992, São Paulo.

05 – mccgedtb.vilabol.uol.com.br/Ged_Tubarao/Reflexoes/reflexoes01.htm

06 – Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

07 – Strobel, Lee, “Em Defesa de Cristo”, Editora Vida, 1998, São Paulo.

08 – Armstrong, K., A History of God, New York, Ballantine/Epiphany

===================================================================

DE QUE FORMA DEVE OCORRER A UNIDADE CRISTÃ ?

Está escrito : “…haverá um rebanho e um Pastor” (João 10:16)

Fala-se muito atualmente em união de igrejas, aproximação das denominações, cooperação entre cristãos, unidade na diversidade, etc., sem se atentar ao que dispõe a Bíblia sobre a verdadeira união. Antes de nos unirmos a determinadas denominações, devemos ter em mente aquilo que Deus estabeleceu como a verdadeira unidade do corpo de Cristo.

A Unidade É Pela Verdade 

Como exórdio ao presente estudo, devemos ressaltar que a unidade cristã é bíblica e, portanto, deve ser buscada pelos membros do Corpo de Cristo (embora essa unidade não decorra da mera vontade humana). Orando ao Pai, Jesus disse: “Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós. … E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:11, 20 e 21). Essa idéia de unidade do corpo de Cristo resulta da idéia central da Tri-Unidade de Deus. Por isso que o apóstolo Paulo declarou: “Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão” (1 Coríntios 10:17).

A unidade do Corpo de Cristo permite a união dos desiguais: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. … E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo” (1 Coríntios 12:13-14 e 19-20). Paulo assim escreve para demonstrar que cada membro do corpo é diferente um do outro, mas forma uma unidade: uns são mãos, outros, pés, outros olhos, assim por diante – não somos todos apenas um membro do corpo, mas vários membros formando um só corpo: “E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; … Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.” (vs. 21-22; 25-26).

O cristianismo é, sobretudo, uma religião baseada na união – união de gregos e troianos, judeus e gentios, negros e brancos, ricos e pobres, todos unidos numa só fé – mas não tolera a conjunção entre o certo e o errado, a verdade e a mentira, a luz e a escuridão. Assim, a unidade cristã se dá PELA verdade bíblica universal, a Palavra viva, santa e imutável de Deus. Na sua oração pela unidade, Jesus disse: “Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam; … Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.” (João 17:8 e 17). Se não for PELA Palavra de Deus não haverá unidade cristã verdadeira. Portanto, a unidade não deve ser meramente espiritual, mas também bíblico-doutrinária, mediante a uniformidade da fé.

A Unidade É Para a Verdade

Muitos pastores e líderes buscam a unidade em meio ao erro doutrinário, o que contradiz a Palavra de Deus. Essa “unidade”, na realidade, agrada muito mais aos homens do que a Deus. Não falo das pequenas diferenças existentes no meio cristão (pois, como dissemos, cada membro do corpo é desigual), que não comprometem a sã doutrina, mas daquelas que possam afetar a verdade bíblica. Por exemplo: como poderei andar com um irmão que vive de “revelações” e que coloca as suas experiências pessoais acima da Bíblia, se eu creio que a Bíblia é a minha única regra de fé e conduta? Ou como poderei participar de uma igreja que ensina um outro evangelho (do cristianismo fácil, da busca de sucesso material, da salvação condicionada ao mérito pessoal, do curandeirismo, da realização de “sinais e prodígios”, se sou trinitarista como posso manter unidade com unicistas modalistas, sejam eles seguidores do arianismo ou sabélianismo, e etc.) se prego a simplicidade do evangelho de Cristo?

“Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo?” (Amós 3:3).

Respeito muito o trabalho daqueles que buscam a unidade no meio evangélico, mas esse trabalho será em vão se não for PARA A VERDADE, por obra e vontade do nosso Deus: “Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.” (Salmos 127:1). O nosso dever de afastamento daqueles que se desviaram da verdade é muito mais bíblico do que a busca pela unidade a qualquer custo: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles.” (Romanos 16:17). Essa admoestação não se dirige à observação somente dos “hereges”, mas também contra os que promovem “dissensões” doutrinárias, “Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” (v. 18). Lembre-se bem deste conselho: “Compra a verdade, e não a vendas.” (Provérbios 23:23a).

A Unidade É Mediante a Fé

Se cremos todos em conformidade de fé (essa é a unidade que deve ser buscada – a unidade da fé), há união cristã verdadeira, ainda que distâncias nos separem. Paulo ensina que devemos nos suportar uns aos outros em amor, procurando guardar a UNIDADE DO ESPÍRITO pelo vínculo da paz (Efésios 4:2-3). Para isso, foi-nos dado “uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos …Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:11-14). Note bem que essa unidade da fé não comporta variações doutrinárias, porque senão nos tornaríamos como meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina. Havendo a unidade de fé, todo o corpo de Cristo se torna bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas (v. 20), isto é, sem divergências doutrinárias relevantes.

A Unidade Ocorre na Separação

A união cristã verdadeira somente existirá separando-se o joio do trigo. Da mesma maneira que não devemos nos prender a um jugo desigual com os infiéis (2 Coríntios 6:14), de igual forma não podemos nos associar com os que promovem dissensões doutrinárias. Essa unidade do ponto de vista bíblico se dará exclusivamente se houver total separação. Contradição? Não, pois a verdade não se coaduna com o erro; não existe unidade em meio à discórdia.

O Pr. Ron Riffe, no maravilhoso artigo intitulado “A Doutrina Bíblica da Separação”, publicado no Jornal Sã Doutrina (JARF) nº 10 (março/2003), pg 3, citando 2 Tessalonicenses 3:6, 11 e 14-15, lembra que “alguns crentes de Tessalônica estavam com a falsa idéia que o arrebatamento ocorreria em um futuro próximo. Muitos deles venderam suas propriedades, abandonaram seus empregos e ficaram ociosos, esperando o retorno do Senhor. Enquanto aguardavam, alguns recusavam-se a trabalhar pela comida que recebiam, enquanto outros ficavam se metendo na vida alheia”. Paulo então os adverte:

“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. … Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. … Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.” (2 Tessalonicenses 3:6, 11 e 14-15).

Observe bem: todos aqueles que promoviam aquela desordem eram crentes em Cristo, esperavam a salvação em Jesus, criam na Bíblia, enfim, podiam ser chamados de “irmãos”. Mas andavam desordenadamente (isto é, “marchando em outro ritmo”, conforme explicado pelo pastor Riffe), contra a própria tradição apostólica. Qual a semelhança dos tessalonicenses para os crentes hodiernos que praticam coisas contrárias à sã doutrina? Nenhuma, pois ambos andam “desordenadamente”. Devemos, pois, nos misturar com os que acreditam em coisas que reprovamos à luz da Bíblia? Ou será que teremos de admitir que eles estão certos e que nós estamos errados? Como nos entenderemos, estando nós em desacordo?

Apartai-vos Deles

Se você acha estas palavras duras e exegeticamente erradas, perdoe-me a franqueza, mas está se opondo ao próprio Deus, que deseja separar um povo santo para sua exclusiva glória e autoridade. A verdade é que, embora possamos considerar muitos deles como irmãos (assim os considero com fundamento em Mateus 24:24 e 2 Tessalonicenses 3:15), devemos nos afastar dos que não estão de acordo com a sã doutrina, para que não haja confusão doutrinária. Não sou eu quem diz, mas o próprio apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo de Deus. A confusão doutrinária no meio cristão é semelhante à balbúrdia ocasionada pela multidão em alvoroço – ninguém se entende e cada um segue desordenadamente. Se eles estão dispostos a nos ouvir, aí sim poderá haver uma aproximação e, quiçá, até a almejada união (eu também a desejo, mas com a verdade).

O apóstolo Paulo ainda demonstra que devemos nos afastar daqueles que se desviaram da sã doutrina: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado” (Tito 3:10-11). Certamente o texto fala de heresias; mas, não são heresias as muitas coisas que se pregam em determinados círculos evangélicos? Lembramos que muitas das igrejas com as quais se almeja a união saíram do nosso meio. Por que? “Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós.” (1 João 2:19). Saíram de nós por desacordo – voltaremos a nos unir com eles ainda em desacordo?

Várias são as admoestações bíblicas no sentido da separação mesmo: “Se alguém ensina alguma outra doutrina, e se não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade, é soberbo, e nada sabe, mas delira acerca de questões e contendas de palavras, das quais nascem invejas, porfias, blasfêmias, ruins suspeitas, contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” (1 Timóteo 6:3-6). “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.” (2 João 1:9-11)

Conclusão

Infelizmente, sempre haverá dissensões doutrinárias no meio evangélico – o joio crescerá no entre o trigo para, finalmente, ser arrancado e lançado fora (Mateus 13:30). E isso é necessário até mesmo para que se levantem os que são leais à sã doutrina: “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” (1 Coríntios 11:19); os que não são leais à sã doutrina farão de tudo para alcançarem a união fora dos padrões bíblicos e muitos “leais” poderão se influenciar pela falsa união. No entanto, devemos nos separar dos contradizentes e dos que estão em desacordo com a [única] verdade, sob pena de estarmos agradando ao nosso próprio ventre, aos homens e de desobedecermos a Deus. Ora, “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos 5:29). Essa unidade não pode ser a que almeja nossos corações e nem a que vislumbra nossos olhos humanos, mas deve estar centrada na Palavra da Verdade e se conformar com a vontade divina. Por esse motivo, o líder cristão deve seguir “Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.” (Tito 1:9).

 

 

IGREJA DA UNIFICAÇÃO

 

Rev. Moon, que se proclamava messias, morre aos 92 anos

O Rev. Sun Myung Moon, que se proclamava messias e fundou a Igreja da Unificação, morreu no domingo.

O coreano de 92 anos, que ficou famoso ao desenvolver um bom relacionamento com líderes norte-coreanos e presidentes conservadores dos EUA, morreu em um hospital de sua seita perto de sua casa em Gapyeong, na Coreia do Sul. Ele estava internado com pneumonia desde duas semanas atrás.

A seita que ele fundou construiu um império de negócios que inclui escolas, um resort de esqui e dezenas de outros empreendimentos em vários países, inclusive movimentos pela paz mundial.

A seita também possui jornais na Coreia do Sul, Japão, América do Sul e Estados Unidos, inclusive a United Press International (UPI), cuja tradução é Imprensa Unida Internacional. O Washington Times, considerado o principal jornal conservador dos EUA, também foi fundado por Moon na capital dos EUA.

A postura do jornal “americano” acerta na denúncia ao aborto e ao homossexualismo, sendo o único grande jornal dos EUA a publicar reportagens ousadas contra esses dois males.

O Washington Post foi também o único grande jornal dos EUA a denunciar a campanha da organização homossexualista AllOut para pressionar o PayPal a fechar a conta de várias entidades cristãs. Uma das contas cortadas foi justamente a do dono do Blog Julio Severo.

Contudo, a missão do jornal é inquietante: É levar, na visão messiânica de Moon, Deus ao mundo. Moon disse em 2002 durante o aniversário de 20 anos de seu jornal: “O Washington Times é responsável por ajudar o povo americano a conhecer sobre Deus”. Ele também declarou: “O Washington Times se tornará o instrumento para propagar a verdade sobre Deus ao mundo”.

Embora tivesse tido certo contato com Nixon, Reagan e Bush por seu suposto anticomunismo, a seita de Moon é dona de uma grande montadora e hotel na Coreia do Norte, o mais radical país comunista do mundo.

Reportagem da Associated Press declarou que a Igreja da Unificação tem hoje 3 milhões de seguidores, inclusive 100.000 membros nos EUA, e missionários em 194 países.

O movimento de paz do autoproclamado messias tinha simpatia de líderes evangélicos dos EUA e Brasil, inclusive o Bispo Manoel Ferreira, o mais importante líder da segunda maior denominação assembleiana do Brasil. Ferreira, que foi representante da socialista Dilma Rousseff para a população evangélica durante a eleição presidencial de 2010, participou de um casamento em massa na Coreia dirigido pelo Rev. Moon.

A associação de Moon com Ferreira e líderes comunistas da Coreia do Norte tornava seu anticomunismo contraditório.

A igreja de Moon se instalou no Brasil em 1981 e comprou mais de 80 mil hectares no Mato Grosso do Sul, onde construiu a fazenda New Hope (Nova Esperança, em inglês). O empreendimento virou alvo de uma CPI na Assembleia Legislativa do estado por prática de lavagem cerebral. Além disso, Moon foi acusado pela Receita Federal de sonegar R$ 31 milhões por ano.

Nos EUA, ele esteve preso por mais de um ano em meados de 1980, igualmente por sonegação de impostos.

Segundo a revista Veja, os seguidores de Moon acreditam que a mãe de Jesus Cristo não era virgem nem o pai era José. Moon, disse Veja, ensinava a ideia de que Maria foi visitar uma prima, Isabel, e lá conheceu o marido dela, Zacarias, que a engravidou.

Essa é apenas uma das desqualificações que ele atribuía a Jesus. Para ele, Jesus fracassara em sua missão na terra.

Moon acreditava que Deus havia confiado a ele a missão de ser um messias que fizesse o que o Messias de dois mil anos atrás não conseguiu fazer.

Com informações do Daily Mail, Associated Press, O Globo e Veja.

Fonte: www.juliosevero.com

 

MOVIMENTOS CONTRADITÓRIOS 

 

 

 

  Estudos desmentem descoberta da Nasa

 

 


Em dezembro de 2010, a agência espacial americana (a Nasa) causou apreensão ao anunciar a divulgação de um estudo com relação à busca de vida fora da Terra. O anúncio decepcionou muita gente que achava que os cientistas haviam descoberto seres em outros planetas ou luas. O estudo, divulgado por Felisa Wolfe-Simon na Nasa e publicado posteriormente na revista Science, dizia que havia sido descoberta uma nova forma de vida, uma bactéria que usaria arsênio no lugar de fósforo em sua composição. Agora, dois estudos indicam que a descoberta estava errada e a vida como conhecemos continua. Todas as formas de vida conhecidas usam seis elementos básicos: oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, fósforo e enxofre. A bactéria, chamada de GFAJ-1, foi encontrada no lago Mono, na Califórnia, que é rico em arsênio, uma substância mortífera para a maioria dos seres vivos. Segundo os pesquisadores da Nasa, ela usaria esse arsênio para substituir o fósforo, já que sua composição é similar.

Uma nota divulgada pela Science no domingo afirma que outros dois estudos independentes analisaram as descobertas de Felisa. As novas pesquisas, ao contrário da original, indicam que a GFAJ-1 não pode substituir um elemento pelo outro para sobreviver.

Felisa e sua equipe encontraram pequenas quantidades de fósforo nas suas amostras e concluíram que era insuficiente para a bactéria se desenvolver. Já os novos estudos indicam exatamente o contrário. Eles acreditam que o extremófilo (como são chamados os seres vivos que vivem em condições em que a maioria não conseguiria) sobrevive exatamente por conseguir fósforo em um ambiente tão hostil.

A revista afirma que o processo é natural na ciência: novos estudos tentam replicar o resultado de um para indicar que eles são verdadeiros. Apesar da negativa, a Science afirma que a descoberta de GFAJ-1 deve ser de interesse de novos estudos, principalmente os que pesquisam mecanismos de tolerância ao arsênio.

(Fonte: Site do Terra)

Nota: Pelo menos duas lições ficam desse episódio: (1) os cientistas e a mídia devem ter humildade para admitir seus erros (isso aconteceu, em parte); (2) os cientistas e a mídia devem ser mais cautelosos, antes de fazer alarde baseados em “descobertas” sensacionais (isso ainda falta aprender). Detalhe: a Science apenas publicou os artigos contrários, mas não deu nenhuma nota de retract (o que seria correto) da pesquisa da Nasa e emitiu uma nota promissória epistemológica.[MB]

MOVIMENTOS CONTRADITÓRIOS 

 
Modismos neopentecostais ultrapassam barreiras do protestantismo
 
 
Modismos neopentecostais ultrapassam barreiras do protestantismo, diz apologista cristão
 
Algumas igrejas evangélicas, conhecidas como igrejas neopentecostais, ultrapassaram as barreiras da esfera do protestantismo e estão à beira do caminho da heresia, afirma apologista cristão.
 
O pastor João Flávio Martinez, presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas traz à tona a questão das igrejas que “na teoria tem confissão de fé evangélica, mas na prática se assemelham mais a uma seita”.
 
Em uma pregação Martinez fala sobre os modismos neopentecostais, citando alguns nomes de líderes conhecidos de âmbito nacional como o bispo Edir Macedo, missionário RR Soares, Sônia e Estevam Hernandes, entre outros.
 
 
Igrejas como a Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD) também são apontadas como possuindo práticas e ensinamentos que são estranhas ao Evangelho. O apologista afirma que o líder desse movimento chegou a colocar Jesus no nível de “criatura” - vejam o texto de Valdemiro Santiago:
 
“Muita gente pela tradição da religião, não entende a historia de Jesus. Alguns falam de natal, mas ninguém sabe o dia exato em que Jesus Cristo nasceu. Segundo que Jesus já existia muito antes de tudo. Ele é a imagem do Deus invisível, a encarnação do verbo.Mas ele não é sempiterno, é eterno. O pai que é Deus é sempiterno, aquele que antes dele nunca existiu como ele, nem existirá depois dele, sempre existiu e sempre existirá. A primeira obra dele foi Jesus Cristo...”
 
Segundo o apologista isso é fruto da falta de embasamento teológico que fundamenta esses movimentos neopentecostais, das quais ele chama de "movimentos contraditórios". Martinez ainda alerta que eles (tais movimentos como a da IMPD) tem transformado a Igreja Brasileira em uma instituição que preza mais a criatura que o Criador, ou seja, que serve mais ao homem e menos a Deus.
 
“Os crentes são de vida espiritual supérflua e sem profundidade. A maioria das práticas de igrejas como essa não passa de ‘macumba evangélica’ e não cristianismo Bíblico.”
 
Pastor João Flávio urge que os fiéis “procurem uma igreja bíblica, fundamentada nos princípios da Reforma, fundamentada em Cristo e na sua Palavra. Procurem o evangelho da Cruz e não o evangelho do diabo travestido de culto aos anjos. É preciso que os que querem servir Jesus entendam que Deus nos chama para a fidelidade e não para o hedonismo”, afirmou com indignação ao CP.
 
Fonte: http://portugues.christianpost.com

Diversas

 

 

Urantia
 
O seu mundo Urantia (Terra) é um dos muitos idênticos planetas habitados, os quais fazem parte do nosso universo local de Nebadon. Este universo, junto a criações semelhantes, constituem o superuniverso de Orvonton, de cuja capital, Uversa, se levanta a nossa comissão. Divino Consolador. (Livro de Urantia, p. 1).
 
“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2 Timóteo 4:3-4). 
 
Introdução
 
O Livro de Urantia, Fundação Urantia, Fraternidade Urantia e o símbolo de 3 correntes concêntricas (A Bandeira de Miguel) representam uma seita ariana/gnóstica da atualidade. Os seguidores da seita Urantia rejeitam as doutrinas do Cristianismo ortodoxo (especialmente a canonicidade) e, portanto, não devem ser considerados cristãos, conforme a definição tradicional.
 
 
Ariano
 
O Arianismo foi um movimento na igreja primitiva, o qual acreditava somente em Deus o Pai, considerando Jesus Cristo como um ser criado e não o eterno Filho de Deus. Esse ensino foi atribuído a Ário de Alexandria. Ele foi declarado herético no Concílio de Nicéia, em 325 d.C., e novamente no Concílio de Constantinopla, em 381 d.C. 
 
 
Gnóstico
 
Esta palavra vem do Grego “gnosis” (conhecimento). O Gnosticismo é uma antiga religião, a qual, conquanto alternando sua aparência através da história, tem sempre afirmado possuir acesso ao conhecimento especial ou secreto, embasado em revelações extrabíblicas (a quinta revelação etária), a qual supostamente se levanta do ponto em que a Bíblia parou. Acertadamente considerada como uma perigosa heresia, várias epístolas do Novo Testamento contêm advertências contra o Gnosticismo. 
 
O Livro de Urantia (bem como os Papéis de Urantia, a Bíblia de Deus e a Revelação) ... foi compilado em 1934/1935 com o © em 1955. Trata-se de uma coleção de 196 “Papéis” apócrifos (conhecidos como “Revelação”), ensino que diz ter sido entregue através da comunicação de vários “autores”, isto é, “seres espirituais”, cujos nomes estão contidos na lista dos “Papéis”. O tema do livro consiste em declarações amplamente detalhadas do (nosso) universo, dos universos ao redor, de numerosos seres espirituais extraterrestres, os quais é dito que habitam esses universos, a história da “evolução” do planeta Terra (Urantia) e a vida e ensino de “Jesus”, o qual também é chamado “Cristo Miguel”, ou “Filho do Criador”. A Fundação Urantia tem provido numerosas cópias do Livro de Urantia às livrarias através dos EUA e do mundo inteiro.
 
O grupo teve início em Chicago, nos anos 1930, entre membros do alto escalão da seita Adventistas do Sétimo Dia (1). Urantia obteve crescente popularidade nos anos 1960, com o predomínio dos alucinógenos, quando a inter-relação entre as drogas alteradoras da mente, o ocultismo, a metafísica e o Movimento Nova Era estavam sendo forjados. Urantia é um dos sete empenhos religiosos esotéricos da Nova Era, no sentido de criar uma espiritualidade dentro do contexto do naturalismo e do modernismo filosóficos, os quais permeiam a cultura ocidental. (2)
 
Ao deixar de entender os conceitos bíblicos da revelação canônica e da revelação progressiva, Urantia substitui e aplica ao reino espiritual e à religião o conceito naturalista da evolução. O Judaísmo não é visto como uma ordem teocrática especial, entre os eleitos habitantes terrenos da antiguidade, mas como uma primitiva forma de religião. Mais tarde, o Cristianismo “evoluiu”, como superior ao Judaísmo, assemelhando-se em muito à teoria darwinista da evolução do macaco para homem. Desse modo, Urantia e os seus seguidores se promovem como sendo a forma mais evoluída de consciência religiosa, a qual, a seu ver, continua em franco progresso. Por eles, os cristãos bíblicos são considerados pessoas primitivas não evoluídas. 
 
Fazendo parte mais ampla da “Fraternidade Urantia”, pequenos grupos de seguidores... sociedades... engajam-se em atividades aparentemente secretas, “para estudar o livro e ... comprometer-se em disseminar os seus ensinos”. O evangelista de Urantia, George Zuberbuehler, escreveu: “Há mais de 20 anos, ajoelhei-me e perguntei ao Senhor qual era a sua vontade para minha vida. A resposta mental imediata e clara foi totalmente inesperada: ‘edifique uma ponte entre a Bíblia e o Livro de Urantia’. Como parte do meu contínuo esforço no sentido de seguir essa direção, estou freqüentando atualmente um estudo bíblico semanal, estritamente fundamentalista. Embora tendo aprendido a não mencionar a existência do Livro de Urantia, minhas contribuições táticas embasadas no mesmo são bem recebidas. Quando, ocasionalmente, ultrapasso a linha, como ao me recusar a acreditar em um Deus que tortura eternamente os descrentes, sou recompensado, quando me mostram os exatos lugares na Bíblia, onde existem essas passagens irrelevantes. Desse modo, estou aprendendo o que preciso aprender, a fim de ajudar a cumprir a tarefa para a qual fui designado”.
 
A obra de Mr. Zuberbuehler também inclui o Corão, a Hadith e o Islã. Ele prossegue: “Temos aqui a seleção de alguns ditados islâmicos que podem ajudar a colocar esta religião sob uma luz mais benevolente e repleta de esperança. Achei que eles tinham muito em comum com a mais elevada verdade e o amor contidos no Livro de Urantia, e talvez pudessem, um dia, servir como uma ponte à nossa revelação”. (Ênfase acrescentada).
 
Esses grupos (sociedades) podem ser encontrados através dos EUA, com grandes concentrações em AZ, CA, CO, FL, IL, OR, TX e WA. As maiores membresias podem ser tipicamente encontradas em cidades e cidadezinhas, as quais contenham uma quantidade razoável de seguidores da Nova Era, ou seja, S. Francisco, CA; Boulder, CO; e Sedona, AZ.
 
 
Religião verdadeira ou uma seita inspirada em Satanás?
 
Urantia pode ser amplamente classificada como uma seita, em razão de sua revelação extrabíblica e do fato de que, conforme os seus ensinos, o Senhor Jesus Cristo é considerado um ser espiritual criado, em vez da pré-existente Segunda Pessoa da Trindade, o Deus Filho. O Novo Testamento está repleto de admoestações contra os que negam que Jesus Cristo é Deus manifestado em carne (1 João 2:18-27; 2 João 7-11).
 
Do mesmo modo como outras seitas, Urantia se engaja em muitos jogos semânticos, num esforço de disfarçar e ocultar este fato. Suas crenças são semelhantes às crenças dos mórmons, das TJs, dos cientistas cristãos, dos novaerenses e de outras [seitas ditas cristãs]. As citações a seguir do Livro de Urantia atestam este fato:
 
“O Filho Eterno é o original e unigênito Filho de Deus. Ele é o Deus Filho, a Segunda Pessoa da Divindade e o criador associado de todas as coisas”. (p. 703).
 
“Como [as coisas] funcionam no universo de Orvonton, os Filhos de Deus são classificados sob três lideranças gerais: 1. - Os Filhos de Deus Descendentes; 2. - Os Filhos de Deus Ascendentes; 3. - os Filhos de Deus "Triunizados". ... Todos os Filhos de Deus têm origens elevadas e divinas. ... Das inúmeras ordens de Filhos Descendentes, sete serão descritas nestas narrativas. Os Filhos que emanaram das Divindades, na central Ilha de Luz e Vida, são chamados Filhos do Paraíso de Deus e englobam as três ordens seguintes: 1. - Filhos do Criador - os Miguéis; 2. - Filhos Magisteriais - os Avonais; 3. - Filhos Mestres da Trindade - os Daynais”. (p. 223). 
 
[N.T.- Todas as seitas modernas aprenderam a complicar suas doutrinas com o Catolicismo Romano. Desse modo, quem lê e não entende suas explanações mirabolantes e contraditórias, começa a se sentir inferior... Isso acontecia comigo, antes de minha conversão ao Evangelho do Senhor Jesus Cristo, quando comecei a estudar a Filosofia Rosa-Cruz AMORC. O que é BOM em tudo isso é que, quando buscamos Deus de todo o nosso coração, Ele se manifesta através do Seu Santo Espírito e nos conduz ao Caminho Verdadeiro, JESUS CRISTO, o único mediador entre Deus e os homens. - MS].
 
“Quando o Filho do Filho Eterno apareceu em Urantia, os que se fraternizaram com este ser divino, na forma humana, a ele se dirigiram como sendo “O QUE era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (João 1:1)”. (p. 74). [Colocamos a citação da FIEL da 1 João 1:1].
 
“Em seu mundo, mas não em seu sistema de esferas inóspitas, o Filho Original tem sido confundido com UM coordenado Filho do Criador, Miguel de Nabadon (Jesus de Nazaré), o qual se colocou acima das raças mortais de Urantia”. (p. 74).
 
“E, a partir desse encargo preconcebido de Emanuel, para governador do universo, ele tornou-se Jesus de Nazaré (Cristo Miguel) em Urantia “. (P. 1325). 
 
Assim, para os sectários de Urantia que vêm “ordens descendentes de seres espirituais”, o Senhor Jesus Cristo é rebaixado nesta corrente de seres criados. Semelhante aos ensinos de Cambridge, Massachussets, embasados no “O Processo” da sub-seita Cientologia ou “Igreja do Julgamento Final”, o Livro de Urantia considera Satanás e Jesus Cristo como irmãos angélicos inimigos. Isso pode ser documentado no “Papel # 53” intitulado “A Rebelião de Lúcifer”. 
 
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (2 Coríntios 11:13-14).
 
 
Quem escreveu o Livro de Urantia?
 
O Livro de Urantia apresenta claramente uma autoria demoníaca em sua completa falta de compreensão com respeito à doutrina cristã do pecado e da salvação. O Judaísmo e o Cristianismo são sempre retratados como religiões “primitivas” praticadas por homens “primitivos”. O conceito bíblico da revelação progressiva é substituído por uma teoria evolucionista, a qual é empregada para explicar a maior parte das diferenças religiosas. E é claro que os religiosos de Urantia consideram-se no topo dessa corrente de evolução espiritual. Conquanto citando e parafraseando algumas porções da Bíblia, em toda parte podemos encontrar distorções das verdades bíblicas. Por exemplo, no “Papel #89”, sobre pecado, sacrifício e reparação é declarado: 
 
“Quando a mente selvagem evoluiu ao ponto de visualizar tanto os bons como os maus espíritos, e quando o tabu recebeu a solene sansão da religião evoluída, todo o palco foi montado para o surgimento de uma nova concepção a respeito do pecado”. (p. 975).
 
Os conceitos de reparação e propiciação como substitutos através do sangue são visto por Urantia como grotescos e barbaramente primitivos:
 
“Os homens primitivos acreditavam que alguma coisa especial deveria ser feita para obter o favor dos deuses; somente a civilização avançada reconhece um Deus consistente e até mesmo calmo e benevolente”. (p. 974).
 
Semelhante a outras seitas que negam as conseqüências herdadas pela humanidade em razão da transgressão de Adão e Eva, o evangelho segundo Urantia fala de:
 
“A paternidade de Deus e a universal fraternidade de todos os homens” (p. 85) e mais de um: “Deus... que habita, pelo seu espírito em toda alma sincera” .(p. 1453). 
 
Existem (muitas histórias) conflitantes a respeito da origem dos “Papéis” de Urantia. Conforme um dos seus fiéis de longa data, Ernest Moyer (autor do livro sobre o início do grupo, intitulado: The Birth of A Divine Revelation - The Mechanical Origin of the Urania Papers - O Nascimento de uma Revelação Divina - a Origem Mecânica dos Papéis de Urantia, com informação semelhante à que se encontra no Livro de Urantia), essa revelação foi comunicada por vários “seres espirituais”, usando um indivíduo masculino (pessoa de contato), enquanto esse dormia (Sleeping Subject “SS”). Essa comunicação era apenas um exercício preparatório. Tendo começado em 1905-1910 e durante um período de vinte anos, “revelações divinas” foram entregues ao Dr. William S. Sadler, um conhecido médico psiquiatra de Chicago. O Dr. Sadler tinha amplas e íntimas ligações com a herética seita dos Adventistas do Sétimo Dia. Dizem que Sadler havia se engajado em conversas com “espíritos visitadores”, visto como o [centro] “SS” funcionava como um portal automático para a dimensão espiritual. 
 
Nas próprias palavras do Dr. Sadler, o “SS” era uma espécie de casa aberta à vinda e ida das supostas personalidades extraplanetárias, isto é, os seres angelicais (demoníacos). Contudo, mais tarde, Sadler iria negar que essas conversas foram a fonte do que se transformaria nos “Papéis”. Moyer documenta, elaboradamente, a principal afirmação de Sadler - de que ‘os Papéis apareceram miraculosamente ... lá fora, no ar’ . A verdadeira revelação através de agentes divinos invisíveis foi acompanhada da colocação miraculosa de papéis escritos em grupos ou conjuntos. A forma seria manuscrita e foi depois datilografada por Emmi Christensen (Christy), secretária e membro da família de Sadler. Após a leitura feita para comprovar a autenticidade, os “Papéis originais, desapareceram miraculosamente”. 
 
Vejam a Declaração Geral e Uma Breve (embora nem tanto) Narrativa [sobre o assunto]. Em outra narrativa, o “SS”, em reposta a inúmeras perguntas por escrito, conta que os papéis foram entregues ao Dr. Sadler. (Vejam “O Livro de Urantia: Uma Breve Descrição e o Seu Secreto Autor Revelado”, por Ernest Pement, 1992).
 
Devido ao extraordinário volume de informações detalhadas e complexas, é difícil concluir se o Livro de Urantia é o produto de uma ou mais de uma imaginação fértil. Embora isso não esteja fora de possibilidades, uma explanação mais plausível é que ele tenha sofrido alguma forma de influência demoníaca. Conforme e reivindicação do Livro de Mórmon, a revelação divina não terminou com os 66 livros do Velho e do Novo Testamento. Contudo, o Livro de Mórmon empalidece, quando comparado aos detalhes enciclopédicos e à complexidade do Livro de Urantia. 
 
O fato é que este livro concorda com a Bíblia somente no fato de que o autor [humano ou demoníaco] possuía algum nível de compreensão de temas espirituais. Além disso, algumas informações encontradas no Livro de Urantia não são necessariamente contraditórias à Bíblia, embora uma boa porção de tópicos esteja diametralmente em desacordo com o verdadeiro ensino cristão ortodoxo.
 
 
Revelação Extrabíblica
 
O que vem a seguir aparece no prefácio do Livro de Urantia:
 
“Devemos recorrer à pura revelação, somente quando o conceito de apresentação não contenha uma adequada e prévia expressão para uma mente humana” (p. 16).
 
“Ao fazer essas apresentações sobre Deus e os seus associados universos, selecionamos como base destes papéis mais de mil conceitos humanos, representando o mais elevado conhecimento planetário dos valores espirituais e significações universais. Por isso, esses conceitos humanos, junto com os mortais conhecedores de Deus, do passado e do presente, sendo inadequados para retratar a verdade, conforme fomos designados a revelar, nós, sem hesitação, vamos suplementá-los, com esse propósito, valendo-nos do nosso conhecimento superior da realidade e Divindade, do Paraíso das Divindades e do seu transcendente universo residencial” (p. 17).
 
O Espírito Santo, por meio do apóstolo Paulo, instruiu os crentes de que os seres espirituais poderiam se comunicar com os seres humanos, tendo advertido os cristãos da Galácia a se acautelarem contra essas mensagens apócrifas. Os cristãos de hoje não devem esquecer esta admoestação espiritual: 
 
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8).
 
Os cristãos maduros que estudaram e aprenderam corretamente qual a natureza e origem da Bíblia, em geral ficam invulneráveis às afirmações extrabíblicas apresentadas pelos sectários. Eles descansam no fato de que a Bíblia é o exclusivo canal divino de comunicação escrita para ao homem. 
 
Infelizmente, de uns tempos para cá, temos recebido e-mails de pentecostais carismáticos e cristãos liberais, os quais caíram na armadilha da seita Urantia [Salmos 42:7] e estão tentando raciocinar melhor a respeito do seu envolvimento com a mesma.
 
Para um estudo mais aprofundado (embora enfadonho) do Gnosticismo, do Cristianismo da Nova Era, e da futura Igreja Mundial, leiam “The New World Religion”, de Gary H. Kah, Hope International Publishing, Inc., 1998).
 
Numerosos estudos e livros disponibilizados nas livrarias cristãs destinam-se a desenvolver o seu conhecimento da Bíblia nesta área tão importante. 
 
Por exemplo:
 
“The Word In Truth”, de Edward J. Young, Eerdmans Publishing.
 
“From God To Us”, como conseguimos nossa Bíblia, de Geisler e Nix, Moody Press.
 
[N.T. - O melhor livro sobre a origem e história da Bíblia que eu conheço é “An Understandable History of the Bible” (476 pp) (Uma Compreensível História da Bíblia), do Dr. Samuel C. Gipp, Th.D, um escritor cristão realmente bíblico, de quem traduzi dois livros anteriores a este: “The Answer Book” e “Living With Pain”.] 
 
Temos recebido, regularmente, alguns e-mails de membros da seita Urantia (a maioria deles hostil e impublicável), contestando a nossa visão cristã. A alguns respondemos, quando notamos que as perguntas são genuínas. Aos mal intencionados, porém, aplicamos Tito 3:10-11: “Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o. Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado”.
 
(1) O Adventismo do Sétimo Dia (DAS) é, em geral, mas erroneamente, considerado “apenas outra seita fundamentalista cristã”. Desde o seu início, os Adventistas muito se têm esforçado, a fim de conseguir aceitação como companheiros “cristãos”, exatamente como tem acontecido com a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias - os Mórmons. Um dos melhores e mais compreensivos tratamentos sobre o erro do Adventismo é “Another Look at Seven-Day Adventism”, de Norman F. Douty, 1962, Baker Book House.
 
(2) Para uma discussão detalhada, ver THE UNIVERSE NEXT DOOR, A Basic Worldview Catalog, de James Sire, e outros escritos, tais como Reason in the Balance, do autor e professor jurídico Phillip E. Johnson.
 
[N.T. - Os autores deste artigo permitem que o mesmo seja impresso e distribuído entre parentes e amigos que estejam namorando alguma seita do tipo Urantia - MS]
 
Artigo “Urantia” - de Diane & Dan Smedra
 
Traduzido por Mary Schultze – 30/10/2007.
 
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

 

CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO

 

 A verdade sobre a criação

 

 
 
 
“Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados: no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus” (Gn 2.4; Almeida Revista e Corrigida).
 
Esse versículo-chave de Gênesis não apenas resume o capítulo inicial do livro, como também introduz o segundo capítulo. Observe que os céus e a terra foram “criados” quando Deus os “fez”.
 
Pelo versículo anterior, fica claro que esses dois verbos (i.e. criar e fazer) não são meros sinônimos, pois nele está escrito: “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que Deus criara e fizera” (Gn 2.3; ARC). Ainda que a diferença entre criar e fazer seja quase imperceptível, no caso dos atos de Deus tal diferença é bastante relevante.
 
No texto original, o verbo “criar” provém do termo hebraico bara’ e o verbo “fazer” deriva do termo hebraico “asah”. A distinção fundamental reside no fato de que somente Deus pode “criar”, ao passo que, tanto o ser humano quanto Deus são capazes de “fazer” sistemas funcionais a partir de entidades básicas previamente “criadas”. Desse modo, sempre que a Bíblia fez uso do termo “criar”, o sujeito declarado ou implícito é Deus. Por outro lado, os termos “fazer” e “fez” geralmente têm o ser humano (como também Deus) na qualidade de sujeito da ação, a exemplo de Adão e Eva quando “...percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si” (Gn 3.7) numa tentativa de se esconder de Deus depois que pecaram. Mais tarde, “fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu” (Gn 3.21).
 
Os Três Atos de Deus
 
É relevante o fato de que somente três atos divinos de criação são mencionados no magnífico capítulo introdutório da Bíblia que trata da criação. Os atos divinos de criação são os seguintes:
 
1. “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1). Essa maravilhosa declaração resume o ato de Deus de trazer à existência a estrutura física do cosmo: o universo tridimensional composto de tempo, espaço e matéria.
 
2. “Criou, pois, Deus [...] todos os seres viventes...” (Gn 1.21). Esse versículo sintetiza o ato de Deus de trazer à existência o componente biológico do universo: a vida animal consciente.
 
3. “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). Aqui está o registro da criação do componente espiritual do universo, criado ex nihilo (i.e., “a partir do nada”): a “imagem de Deus” localizada única e exclusivamente no ser humano.
 
Assim, Deus criou somente as realidades fundamentais do universo – a realidade física, a realidade biológica e a realidade espiritual. Porém, a partir dessas entidades fundamentais, Deus continuou a fazer muitos sistemas complexos. Por exemplo: “Fez, pois, Deus o firmamento [...] Fez Deus os dois grandes luzeiros [i.e., o sol e a lua] [...] e fez também as estrelas [...] E fez Deus os animais selváticos, [...] os animais domésticos, [...] e todos os répteis da terra...” (Gn 1.7,16,25).
 
Entretanto, no que tange ao universo espiritual, o único sistema complexo feito por Deus foi o ser humano, como está escrito: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança [...] Criou Deus, pois, o homem à sua imagem...” (Gn 1.26-27). Nesse caso, o homem tanto foi criado quanto feito à imagem de Deus; foi criado como um ser espiritual, capaz de manter comunhão com Seu Criador. O ser humano também foi feito (a partir “do pó da terra” previamente criado; cf. Gn 2.7) à imagem física que o próprio Deus um dia assumiria quando “se fez carne” e tornou-se homem.
 
Portanto, os elementos de natureza estritamente material que existem no mundo (o que inclui até mesmo os vegetais que, sendo organismos complexos, produzem substâncias químicas, todavia não possuem vida consciente) fazem parte da obra física criada e feita por Deus. Por outro lado, os animais são organismos físicos e biológicos criados e feitos por Deus. Contudo, somente o homem e a mulher são seres físicos, biológicos e espirituais, criados e feitos à imagem de Deus.
 
A Descrição da Evolução
 
Tudo o que foi apresentado até aqui parece razoável e bíblico. Mas o que dizem os cientistas a esse respeito? É lamentável que, hoje em dia, a maioria das autoridades científicas e educacionais esteja quase totalmente comprometida com o evolucionismo integral. Eles alegam que, através de um salto quântico espetacular, o universo físico evoluiu do absoluto nada para uma partícula infinitesimal de espaço-tempo. Essa partícula primitiva dilatou-se rapidamente para, então, explodir no, assim chamado, Big Bang [i.e., explosão cósmica]. A partir disso, dizem eles, o universo veio se expandindo velozmente para formar, de alguma maneira, as estrelas, as galáxias e, por conseguinte, os planetas.
 
Em nosso planeta Terra (e, talvez, em outros planetas), as substâncias químicas inanimadas, que estavam dispersas nos oceanos primitivos, de algum modo passaram a ter vida, na condição de células reprodutivas rudimentares. Estas se desenvolveram em seres invertebrados marinhos multicelulares que evoluíram até se tornarem peixes. Alguns peixes deram origem aos anfíbios, os quais, posteriormente, se tornaram répteis. Destes últimos, pelo menos um evoluiu, dando origem às aves, enquanto outros répteis evoluíam para dar origem aos mamíferos. Por fim, um ramo de mamíferos desenvolveu-se em primatas e alguma criatura dessa ordem simiesca evoluiu para dar origem ao ser humano.
 
Acredite ou não, essa descrição da evolução é basicamente ensinada como fato ou verdade absoluta em quase todas as escolas do Mundo Ocidental, desde as primeiras séries do ensino fundamental até o ensino superior e de pós-graduação. Essa perspectiva também predomina na mídia jornalística, bem como exerce seu domínio nos sistemas jurídico e político.
 
Contudo, o fato mais surpreendente é que as verdadeiras evidências científicas não comprovam de modo nenhum tal descrição hipotética. Em conseqüência disso, nos últimos anos milhares de cientistas altamente referendados têm repudiado toda essa descrição evolucionista e passaram a crer numa criação especial.
 
Esse maravilhoso capítulo inicial de Gênesis também revela dois outros fatos de vital importância.
 
O primeiro fato é que no texto constata-se, por dez vezes, que tanto animais quanto vegetais receberam a capacidade de se reproduzir exclusivamente “segundo [ou conforme] a sua espécie”, nunca segundo uma espécie diferente. A despeito de tudo o que uma “espécie” criada por Deus possa significar ou corresponder, ela nunca poderia evoluir para uma nova espécie. Os respectivos códigos genéticos permitiam bastante variação (afinal, não existem dois indivíduos perfeitamente idênticos), permitiam até mesmo uma “diversidade” estável, porém nada mais do que isso.
 
O segundo fato verificável no texto é que tudo “era muito bom” (Gn 1.31). Não existia nada ruim ou mau em todo o universo – não havia pecado, desarmonia, dor e, em especial, não havia morte. Tudo isso sobreveio ao universo somente depois da entrada do pecado, primeiro através de Satanás e seus anjos, e, posteriormente, através de Adão e Eva.
 
Em seguida, Deus amaldiçoou o solo da terra (do hebraico, ’adamah; i.e., os elementos básicos a partir dos quais Ele tinha feito todas as coisas). Em 1 Coríntios 15.21 está escrito “...que a morte veio por um homem”. Desde então, “...toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora” (Rm 8.22). Na esfera física tudo tende a retornar ao pó do qual foi feito, tal como o corpo de Adão retornou (cf., Gn 3.19). Todas as formas de vida biológica finalmente morrem, ainda que o aspecto “consciente” da vida humana sobreviva para que, no fim, seja unido a um corpo ressuscitado por ocasião da volta de Cristo. A “imagem de Deus” no homem tem sido desfigurada, contudo, ainda pode ser refeita no “...novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Cl 3.10).
 
O Dilema da Evolução
 
A verdadeira ciência não confirma a perspectiva evolucionista; em vez disso, a ciência verdadeira favorece a perspectiva bíblica da criação. Por exemplo, as duas leis científicas mais bem comprovadas e mais aplicáveis no universo apontam com absoluta clareza para a primitiva criação do universo, não para a evolução deste a partir do nada. São elas: A Primeira Lei da Termodinâmica e a Segunda Lei da Termodinâmica, ou como respectivamente são chamadas de lei da conservação quantitativa e lei do decaimento qualitativo de todas as coisas. A Primeira Lei assegura que nem matéria (ou massa), nem energia, continuam a ser criadas ou destruídas na atualidade, conforme está registrado em Gênesis 2.3: “E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera”. O Novo Testamento confirma que agora nosso Criador está “...sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hb 1.3).
 
Tal fato nos assegura que o universo não poderia ter criado a si mesmo, pois, segundo a Primeira Lei da Termodinâmica, nenhum fator no atual curso do universo pode criar alguma coisa. Contudo, o universo deve ter sido criado em algum momento do passado, porque a Segunda Lei da Termodinâmica assevera que tudo está em declínio, rumando para a estagnação e “morte”. Essa situação também é obviamente uma decorrência da maldição imposta por Deus sobre “toda a criação” (cf., Rm 8.22).
 
Ora, se o universo não pôde se criar espontaneamente (conforme determina a Primeira Lei), mas teve de ser criado de alguma maneira (visto que não está morto, ainda que se encaminhe inexoravelmente para a morte, conforme determina a Segunda Lei), a única resposta para tal dilema é a de que Deus o criou! Essa é a conclusão científica mais plausível com base nas melhores leis científicas de que dispomos.
 
Essa Segunda Lei também esclarece a razão pela qual ninguém até hoje experimentou qualquer tipo de evolução verticalmente “ascendente” a partir de uma espécie inferior ou menos complexa para uma espécie superior ou mais complexa. Em toda a história humana não há sequer um registro documentado da tal “macroevolução”. Há muitos casos de variação “horizontal” (por exemplo, as diferentes raças de cães) de variação degenerativa (por exemplo, mutações, extinções, deteriorações), porém, nada mais do que isso.
 
No registro fóssil do passado (que conta com bilhões de fósseis conhecidos) há muitos exemplos de espécies extintas (por exemplo, os dinossauros), todavia não existe nenhuma seqüência de transição de uma espécie menos complexa para outra espécie mais complexa. Ernst Mayr, professor da Universidade de Harvard, reconhecido como um dos maiores biólogos evolucionistas ainda vivos e que se declara ateu, admite o seguinte em seu recente livro publicado: “O registro fóssil lamentavelmente continua inadequado” para comprovar a evolução.[1] Além do mais, todos aqueles bilhões de fósseis testificam eloqüentemente acerca de um mundo em sofrimento e degradação mortal. Portanto, esses fósseis devem ter sido enterrados somente depois que o homem introduziu o pecado no mundo.
 
A evolução da vida ou de qualquer espécie viva nunca foi registrada nos 6 mil anos de história escrita e não há nenhuma evidência dela no registro fóssil do passado. A evolução nunca foi observada empiricamente pelo simples fato de que não pode acontecer. A Segunda Lei da Termodinâmica nos assegura que seria impossível ocorrer qualquer tipo de evolução sem a intervenção incessante e milagrosa de Deus. Além do mais, Deus mesmo determinou a lei biogenética de que [a reprodução] seja “segundo a sua espécie” (cf. Gn 1.11-12, 24-25).
 
Deus pode intervir quando há uma razão especial para fazê-lo. Por exemplo, houve uma ocasião em que Ele miraculosamente fez com que água “evoluísse” instantaneamente para vinho (Jo 2.7-11). Ele continua a ser o Criador e, como tal, ainda pode realizar milagres de criação quando a ocasião o justifica, porém, a evolução, usada geralmente pelo ser humano para se esquivar da sua necessidade de Deus, não é um desses milagres. (Dr. Henry M. Morris - Israel My Glory)
 
Nota:
 
1. Ernst Mayr, What Evolution Is, Nova York: Basic Books, 2001, p. 69.
 
Henry M. Morris foi autor de mais de 45 livros sobre o tema Criação-Evolução, bem como fundador e presidente do Institute for Creation Research, situado em El Cajon, na Califórnia, EUA.
 
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite.